{"id":63851,"date":"2024-08-21T16:45:55","date_gmt":"2024-08-21T19:45:55","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=63851"},"modified":"2025-05-21T05:51:11","modified_gmt":"2025-05-21T08:51:11","slug":"por-que-o-folclore-e-infantilizado-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/por-que-o-folclore-e-infantilizado-no-brasil\/","title":{"rendered":"Por que o folclore \u00e9 infantilizado no Brasil?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao falar em <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/historias-do-folclore-brasileiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">folclore brasileiro<\/a>, as primeiras imagens que te v\u00eam \u00e0 mente s\u00e3o das atividades escolares que voc\u00ea fazia na inf\u00e2ncia, dos livros para crian\u00e7as e dos desenhos que o seu filho traz para casa ao longo das semanas de agosto, n\u00e3o \u00e9 mesmo? De fato, o tema \u00e9 muito trabalhado na educa\u00e7\u00e3o infantil a partir de alguns poucos personagens e suas lendas, mas isso n\u00e3o significa que o verdadeiro folclore brasileiro tenha apenas essa representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cConstituem o fato folcl\u00f3rico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradi\u00e7\u00e3o popular\u201d.<\/strong> \u00c9 assim que come\u00e7a o segundo princ\u00edpio fundamental da Carta do Folclore Brasileiro de 1951, documento produzido a partir do I Congresso Brasileiro de Folclore. S\u00f3 por esse trecho j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel compreender que o assunto \u00e9 muito mais amplo e complexo do que se costuma imaginar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/meio-post-do-blog-11.jpg\" alt=\"p\u00e1gina do livro TOMBOLO DO LOMBO\" class=\"wp-image-64002\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/meio-post-do-blog-11.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/meio-post-do-blog-11-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o do livro &#8220;<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/tombolo-do-lombo\/andre-neves\/9788535641325\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tombolo do Lombo<\/a>&#8220;. Cr\u00e9dito: Clube Quindim<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Andriolli Costa, jornalista, doutor em Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o pela UFRGS, pesquisador do folclore e do imagin\u00e1rio brasileiro, al\u00e9m de criador do site <a href=\"https:\/\/colecionadordesacis.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\"><em>Colecionador de Sacis<\/em><\/a>, h\u00e1 dois pontos fundamentais quando se fala sobre o tema: <strong><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/folclore-livros-que-apresentam-a-cultura-e-a-identidade-para-as-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tradi\u00e7\u00e3o e identidade<\/a><\/strong>. \u201cA tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 o ve\u00edculo, \u00e9 por ela que se d\u00e1 o fluxo de transmiss\u00e3o de conhecimentos, e a identidade \u00e9 caracter\u00edstica fundamental. Se algo \u00e9 \u00fanico, ent\u00e3o ele n\u00e3o pertence ao <em>folk<\/em>, pois deve ser sempre plural e parte de um grupo\u201d, explica. Esse grupo, segundo Andriolli, pode ser fragmentado (sem apresentar, necessariamente, unidade nacional), ainda assim, \u00e9 preciso que ele tenha um <strong>car\u00e1ter identit\u00e1rio coletivo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas se o conceito de folclore \u00e9 t\u00e3o complexo, por que temos a impress\u00e3o de que ele assume um aspecto infantilizado no Brasil? Talvez a resposta esteja na maneira pela qual os contos de tradi\u00e7\u00e3o oral foram registrados pela escrita por aqui.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"185\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/assine-clube-quindim.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-60083\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/assine-clube-quindim.jpg 800w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/assine-clube-quindim-768x178.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/assine-clube-quindim-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Quem conta um conto aumenta um ponto. Mas e na escrita?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine s\u00f3: uma hist\u00f3ria contada oralmente a um grupo, recontada a outro e assim por diante. Alguns fatos podem variar, as entona\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes, um detalhe ou outro acabam sendo acrescentados\u2026 \u201cTudo que \u00e9 oral \u00e9 pass\u00edvel de mudan\u00e7as, de infixa\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea conta um conto, voc\u00ea aumenta um ponto, voc\u00ea muda coisas, altera a performance a partir de quem est\u00e1 te escutando. Se voc\u00ea est\u00e1 contando para crian\u00e7as, talvez voc\u00ea modele a forma de contar; talvez voc\u00ea valorize coisas mais assustadoras justamente porque s\u00e3o crian\u00e7as e voc\u00ea quer impression\u00e1-las\u201d, explica o pesquisador. Talvez, por outro lado, voc\u00ea tire partes que acha n\u00e3o serem apropriadas a pequenos ouvintes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/3-Curupira.jpg\" alt=\"Hist\u00f3rias do folclore brasileiro: quando surgiu o folclore\" class=\"wp-image-22632\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o do Curupira do livro &#8220;Abeced\u00e1rio de Personagens do Folclore Brasileiro&#8221;, de <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/escritores\/januaria-cristina-alves\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Janu\u00e1ria Cristina Alves<\/a> e <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/ilustradores\/berje\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Berje<\/a> (SESC\/FTD). Cr\u00e9dito: Clube Quindim<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja tamb\u00e9m: <\/strong><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/como-contar-historias-para-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como contar hist\u00f3rias para crian\u00e7as? Aprenda 13 dicas com Faf\u00e1 Conta para come\u00e7ar agora!<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A oralidade, segundo ele, \u00e9 influenciada diretamente pela performance, sendo que a performance depende do contexto, de quem est\u00e1 ouvindo. \u201cIsso gera uma riqueza de vers\u00f5es e de pluralidade\u201d, acrescenta. Quando se fixa a hist\u00f3ria no texto escrito, por\u00e9m, ela \u00e9 destinada a um p\u00fablico-alvo determinado &#8211; no caso, falamos aqui do p\u00fablico infantil, mas temos uma quest\u00e3o de decis\u00e3o editorial, n\u00e3o uma prerrogativa do texto escrito. O que acontece \u00e9 que, <strong>\u201cno caso das lendas, os textos de fixa\u00e7\u00e3o no Brasil s\u00e3o, muitas vezes, escritos para o p\u00fablico infantil ou adaptados para ele, para que sejam consumidos por esse mercado\u201d<\/strong>, diz Andriolli.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Direto do Instagram: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/C-0bGFwNSqD\/?img_index=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">8 livros para falar sobre pertencimento e comunidade<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>O trabalho de Monteiro Lobato ao dar ao folclore status de literatura<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se ainda hoje o reconhecimento da import\u00e2ncia das tradi\u00e7\u00f5es culturais populares no Brasil parece patinar no senso comum, houve um tempo &#8211; muito tempo, na verdade &#8211; em que suas manifesta\u00e7\u00f5es sequer poderiam chegar ao meio liter\u00e1rio e circular entre os letrados. Isso s\u00f3 come\u00e7aria a mudar, de fato, a partir do trabalho de Monteiro Lobato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O escritor nascido em Taubat\u00e9, interior paulista, foi a principal figura brasileira a trazer as tradi\u00e7\u00f5es populares para o texto escrito, enfrentando a resist\u00eancia do p\u00fablico no come\u00e7o do s\u00e9culo XX. H\u00e1 que se pontuar, entretanto, pontos controversos de sua hist\u00f3ria. <strong>\u201cLobato \u00e9 uma figura muito pol\u00eamica e complexa, porque ele n\u00e3o foi simplesmente cria de seu tempo. Ele foi, sim, um agente anti-negros, que agiu de maneira racista e elitista\u201d<\/strong>, pondera Andriolli.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por ser um intelectual proveniente das elites, por\u00e9m, o escritor usou seu capital simb\u00f3lico e social para insistir no projeto que desagradava a sociedade de classes, como explica o pesquisador:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando Lobato escrevia sobre o saci no jornal, as pessoas mandavam cartas para a reda\u00e7\u00e3o dizendo que aquilo depunha contra o pa\u00eds que tentava se colocar enquanto uma elite intelectual. Temos que pensar que a virada do s\u00e9culo XX \u00e9 a virada da modernidade, em que o ocidente estava impactado pela ci\u00eancia, pelo m\u00e9todo cient\u00edfico enquanto \u00fanica forma de acesso \u00e0 verdade. Havia uma s\u00e9rie de propostas de objetividade e verificabilidade que exclu\u00edam e marginalizavam tudo aquilo que era do \u00e2mbito do sens\u00edvel, dos afetos, do imagin\u00e1rio\u2026 e a cultura popular tradicional entrava nisso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, ao notar que nas bibliotecas havia um extenso material sobre mitologia celta, mas nada sobre mitologia brasileira, Monteiro Lobato partiu da pr\u00f3pria experi\u00eancia para enfrentar a opini\u00e3o contr\u00e1ria e mudar a realidade de sua \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mas ser\u00e1, ent\u00e3o, que a infantiliza\u00e7\u00e3o do folclore \u00e9 culpa dele?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>As adapta\u00e7\u00f5es editoriais e televisivas<\/strong><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/saci.jpg\" alt=\"Hist\u00f3rias do folclore brasileiro: saci-perer\u00ea\" class=\"wp-image-22707\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o do Saci-Perer\u00ea  do livro &#8220;Abeced\u00e1rio de Personagens do Folclore Brasileiro&#8221;, de <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/escritores\/januaria-cristina-alves\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Janu\u00e1ria Cristina Alves<\/a> e <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/ilustradores\/berje\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Berje<\/a> (SESC\/FTD). Cr\u00e9dito: Clube Quindim<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel que voc\u00ea j\u00e1 tenha se deparado com algum v\u00eddeo de tom sensacionalista prometendo entregar a vers\u00e3o \u201csombria\u201d do saci &#8211; \u201caquilo que ningu\u00e9m nunca te contou\u201d. Mas ser\u00e1 que o fato de voc\u00ea desconhecer que o personagem do gorro vermelho de Monteiro Lobato chupa sangue de cavalos o torna, de fato, algo t\u00e3o misterioso quanto certos produtores de conte\u00fado tentam fazer parecer? \u201cMuitas vezes, usam os pr\u00f3prios textos que est\u00e3o no \u2018Inqu\u00e9rito sobre o Saci\u2019, organizado por Lobato antes do <em>S\u00edtio do Picapau Amarelo<\/em>. Ent\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o do que chega e do que n\u00e3o chega para os diferentes p\u00fablicos em um momento espec\u00edfico\u201d, pondera Andriolli.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O inqu\u00e9rito a que ele se refere foi uma pesquisa que o escritor fez no <em>Estadinho<\/em> (vers\u00e3o vespertina do jornal <em>Estado de S. Paulo<\/em>), em 1917, a fim de reunir informa\u00e7\u00f5es enviadas por leitores sobre o saci de diversas partes do Brasil. O produto desse trabalho foi o livro <em>Saci-Perer\u00ea: o resultado de um inqu\u00e9rito <\/em>(1918), o primeiro publicado por Lobato, reunindo depoimentos, imagens e outros materiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO saci de Lobato \u00e9 o saci de Lobato: ele chupa sangue de cavalos, tem medo da cruz, \u00e9 um diabinho\u2026 Podemos at\u00e9 tensionar isso, mas ele puxa esses elementos todos de registros de folcloristas ou do pr\u00f3prio inqu\u00e9rito que ele traz\u201d, ressalta o pesquisador. Ent\u00e3o, se o saci do S\u00edtio que chegou \u00e0 televis\u00e3o em 1977 e depois, em 2001, tem alguns comportamentos modificados, <strong>podemos dizer que a mudan\u00e7a de tom &#8211; ou a infantiliza\u00e7\u00e3o propriamente dita &#8211; se deve \u00e0s adapta\u00e7\u00f5es da obra de Lobato<\/strong>, e n\u00e3o \u00e0 obra em si.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/De-onde-vem-os-personagens-do-folclore-brasileiro-Cidade-Invisivel.Mula-sem-cabeca.jpg\" alt=\"De onde vem os personagens do folclore brasileiro Cidade Invis\u00edvel. Mula sem cabe\u00e7a\" class=\"wp-image-48633\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/De-onde-vem-os-personagens-do-folclore-brasileiro-Cidade-Invisivel.Mula-sem-cabeca.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/De-onde-vem-os-personagens-do-folclore-brasileiro-Cidade-Invisivel.Mula-sem-cabeca-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Cena da s\u00e9rie &#8220;Cidade Invis\u00edvel&#8221;, da Netflix<\/em>. <em>Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO que pode influenciar s\u00e3o os modos editoriais, as ilustra\u00e7\u00f5es, as adapta\u00e7\u00f5es para a TV que precisam buscar uma ludicidade maior, cores mais gritantes\u2026 Se voc\u00ea pega a descri\u00e7\u00e3o da Em\u00edlia, por exemplo, a de Lobato \u00e9 muito menos colorida e menos visualmente impactante do que a da televis\u00e3o. Eu n\u00e3o vejo [essa infantiliza\u00e7\u00e3o] como sendo culpa de Lobato, mas como<strong> uma limita\u00e7\u00e3o do mercado editorial que viu as tradi\u00e7\u00f5es populares como um material restrito apenas a um p\u00fablico-alvo, e esse p\u00fablico-alvo eram as crian\u00e7as\u201d,<\/strong> destaca Andriolli.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador explica ainda que, por muito tempo, n\u00e3o houve espa\u00e7o para pensar a fantasia como conhecemos hoje, voltada para um p\u00fablico jovem-adulto, que ganha relev\u00e2ncia apenas na virada dos anos 2000. \u201cEscritores de fantasia que queriam escrever material com inspira\u00e7\u00e3o folcl\u00f3rica nos anos 1980 e 90 s\u00f3 conseguiam ser publicados se fosse como produ\u00e7\u00e3o infantil ou infantojuvenil\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja tamb\u00e9m: <\/strong><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/saci-versus-halloween\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Saci versus Halloween no Brasil: vale a pena essa briga?<\/a><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"810\" height=\"189\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg\" alt=\"Assine o clube quindim\" class=\"wp-image-38121\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg 810w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-768x179.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Outras formas de pensar o folclore<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pintar o boto rosa, criar um <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/bumba-meu-boi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">boi bumb\u00e1<\/a> e aprender a cantar m\u00fasicas sobre o <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/saci-versus-halloween\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">saci<\/a> s\u00e3o atividades escolares t\u00edpicas de agosto, m\u00eas em que se fixou o Dia do Folclore Brasileiro. As iniciativas podem ser frut\u00edferas e, de fato, t\u00eam sua import\u00e2ncia na educa\u00e7\u00e3o infantil ao levar esses conhecimentos aos pequenos, que talvez n\u00e3o tenham a possibilidade de entrar em contato com essas informa\u00e7\u00f5es fora do col\u00e9gio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Andriolli ressalta, por\u00e9m, que <strong>o folclore brasileiro vai muito al\u00e9m dessas representa\u00e7\u00f5es, e que ele deveria circular, sobretudo, dentro do c\u00edrculo familiar<\/strong>. \u201c\u00c9 a fam\u00edlia que tem que contar hist\u00f3rias para suas crian\u00e7as, vicejar tradi\u00e7\u00f5es, mant\u00ea-las vivas e presentes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Que seja uma receita que sua av\u00f3 fazia, uma pr\u00e1tica de artesanato, um bordado que sua m\u00e3e te ensinou e voc\u00ea pode retomar, ensinando para os seus filhos\u2026 tudo isso \u00e9 <em>folk<\/em>.<\/strong> Aquilo que faz parte do cotidiano e que vem do mesmo substrato do saci e da mula-sem-cabe\u00e7a, que \u00e9 o substrato do fluxo da tradi\u00e7\u00e3o\u201d, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certamente, essas manifesta\u00e7\u00f5es podem ser alimentadas pela escola e por influ\u00eancias midi\u00e1ticas, mas \u00e9 importante ter em mente que elas dependem do presente para sobreviver.<strong> <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cElas se mant\u00eam vivas enquanto persistem no cora\u00e7\u00e3o do povo, na alma do povo, mas isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel entendendo que o folclore \u00e9 presente, \u00e9 cotidiano, e n\u00e3o apenas aquelas lendas.<\/strong> O folclore est\u00e1 nas rela\u00e7\u00f5es, no modo como cumprimentamos as pessoas com um aperto de m\u00e3os espec\u00edfico, est\u00e1 na cantiga de ninar para embalar crian\u00e7as, na Espada de S\u00e3o Jorge na porta de casa para trazer prote\u00e7\u00e3o e no medo de passar embaixo da escada ou de quebrar um espelho e ter sete anos de azar\u201d, finaliza o pesquisador, incentivando-nos a pensar o folclore para muito al\u00e9m do que estamos acostumados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Estante Quindim<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a 3 livros para ler com as crian\u00e7as e ampliar seu repert\u00f3rio sobre as hist\u00f3rias do folclore brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1387\" height=\"1939\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Capa-Frente-Como-nasceram-as-estrelas-transparente-e1724157352471.png\" alt=\"Como nasceram as estrelas: doze lendas brasileiras (autora Clarice Lispector, ilustrador Flor Opazo, editora Rocco).\" class=\"wp-image-63885\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Capa-Frente-Como-nasceram-as-estrelas-transparente-e1724157352471.png 1387w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Capa-Frente-Como-nasceram-as-estrelas-transparente-e1724157352471-768x1074.png 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Capa-Frente-Como-nasceram-as-estrelas-transparente-e1724157352471-1099x1536.png 1099w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Capa-Frente-Como-nasceram-as-estrelas-transparente-e1724157352471-150x210.png 150w\" sizes=\"(max-width: 1387px) 100vw, 1387px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/como-nasceram-as-estrelas%3A-doze-lendas-brasileiras\/clarice-lispector\/9788579800726\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Como Nasceram as estrelas: doze lendas brasileiras<\/em><\/a>, de Clarice Lispector e Flor Opazo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"458\" height=\"414\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Bailinho_CapaTransparente-e1724157336395.png\" alt=\"Bailinho (autor Carlos Eduardo Pereira, ilustrador Zansky, editora Bai\u00e3o)\" class=\"wp-image-63884\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain;width:264px;height:auto\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Bailinho_CapaTransparente-e1724157336395.png 458w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Bailinho_CapaTransparente-e1724157336395-150x136.png 150w\" sizes=\"(max-width: 458px) 100vw, 458px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/bailinho\/carlos-eduardo-pereira\/9786585773041\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bailinho<\/a><\/em>, de Carlos Eduardo Pereira e Zansky<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"565\" height=\"815\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Capa-Frente-Loira-banheiro-transparente-e1724157722676.png\" alt=\"A loira do banheiro (escritora Janu\u00e1ria Cristina Alves, ilustra\u00e7\u00f5es\u00a0Berje, editora FTD)\" class=\"wp-image-63886\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Capa-Frente-Loira-banheiro-transparente-e1724157722676.png 565w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Capa-Frente-Loira-banheiro-transparente-e1724157722676-150x216.png 150w\" sizes=\"(max-width: 565px) 100vw, 565px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/a-loira-do-banheiro-e-outras-assombracoes-do-folclore-brasileiro\/januaria-cristina-alves\/9788596008365\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A loira do banheiro e outras assombra\u00e7\u00f5es do folclore brasileiro<\/a><\/em>, de Janu\u00e1ria Cristina Alves e Berje<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decis\u00f5es editoriais, adapta\u00e7\u00f5es televisivas e ideias limitadas do mercado de livros podem contribuir para esse aspecto, diminuindo a complexidade das nossas tradi\u00e7\u00f5es 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