{"id":59636,"date":"2024-04-15T15:16:57","date_gmt":"2024-04-15T18:16:57","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=59636"},"modified":"2025-05-21T05:51:37","modified_gmt":"2025-05-21T08:51:37","slug":"fabulas-justiniano-jose-da-rocha-e-paula-brito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/fabulas-justiniano-jose-da-rocha-e-paula-brito\/","title":{"rendered":"F\u00e1bulas infantis brasileiras: a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria adaptada por intelectuais negros"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras obras para crian\u00e7as produzidas por escritores brasileiros foram colet\u00e2neas de f\u00e1bulas, adaptadas por intelectuais negros: Justiniano Jos\u00e9 da Rocha e Francisco de Paula Brito. Ambos publicaram vers\u00f5es \u201cabrasileiradas\u201d de f\u00e1bulas de Esopo e La Fontaine no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1850.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Adaptacoes-de-fabulas-por-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Paula-Brito_Francisco-Paula-Brito.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59698\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Adaptacoes-de-fabulas-por-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Paula-Brito_Francisco-Paula-Brito.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Adaptacoes-de-fabulas-por-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Paula-Brito_Francisco-Paula-Brito-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Francisco de Paula Brito. Cr\u00e9dito: Biblioteca Brasiliana Guita e Jos\u00e9 Mindlin, obra <em>Poesias <\/em>(1863)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Os primeiros livros infantis brasileiros<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que as crian\u00e7as liam no Brasil, logo ap\u00f3s a Independ\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pouqu\u00edssima gente sabia ler e escrever; mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o era analfabeta<\/strong>. O ensino das letras era pulverizado em poucas escolas p\u00fablicas e particulares, mais concentradas na Corte. Os livros para crian\u00e7as eram importados, principalmente de Portugal e da Fran\u00e7a. Os livros infantis mais vendidos eram <em>Aventuras de Tel\u00eamaco<\/em> (1699), de Fran\u00e7ois F\u00e9nelon, <em>Tesouro de Meninas<\/em> (1747), de Jeanne Marie Leprince de Beaumont, em vers\u00f5es originais ou tradu\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es portuguesas, e <em>F\u00e1bulas<\/em> de Esopo, Fedro e La Fontaine, em diferentes vers\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem l\u00ea os primeiros jornais e revistas brasileiros dispon\u00edveis na Hemeroteca Digital Brasileira (<a href=\"https:\/\/memoria.bn.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/memoria.bn.br\/<\/a>) encontra esses e outros t\u00edtulos para crian\u00e7as em an\u00fancios de livrarias, tipografias e outros estabelecimentos comerciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No s\u00e9culo XIX, a maior parte dos seres humanos de pouca idade n\u00e3o era considerada crian\u00e7a. O conceito de inf\u00e2ncia era outro, e livros para a inf\u00e2ncia eram destinados a <em>algumas <\/em>crian\u00e7as, geralmente brancas, das elites econ\u00f4micas. <strong>Algumas crian\u00e7as negras e mesti\u00e7as, por\u00e9m, aprenderam a ler &#8211; meninos como Francisco de Paula Brito e Justiniano Jos\u00e9 da Rocha, os primeiros a adaptar f\u00e1bulas no pa\u00eds<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/educacao-diversidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A import\u00e2ncia do protagonismo negro na literatura infantil<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>F\u00e1bulas em verso<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio de 1854, A <em>Marmota Fluminense: Jornal de Modas e Variedades<\/em> apresentava uma novidade: a <em>Cole\u00e7\u00e3o completa das f\u00e1bulas de Esop<\/em>o, adaptadas em quadrinhas por Francisco de Paula Brito. N\u00e3o era a primeira vez que o jornal, dirigido ao p\u00fablico feminino, publicava f\u00e1bulas. Vers\u00e3o anterior do peri\u00f3dico, intitulada <em>A Marmota na Corte<\/em>, vinha publicando f\u00e1bulas e ap\u00f3logos desde 1850, traduzidos e criados por diferentes autores. Em 6 de junho de 1851, por exemplo, os leitores da <em>Marmota <\/em>puderam ler a f\u00e1bula \u201cO Tucano e o Anum\u201d, criada por autor an\u00f4nimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A novidade maior, anunciada no n\u00famero de 31 de janeiro, era a de uma <em>cole\u00e7\u00e3o<\/em> de f\u00e1bulas em trovas. Francisco de Paula Brito (1809-1861), o autor das adapta\u00e7\u00f5es, era tamb\u00e9m dono da Empresa Tipogr\u00e1fica Dous de Dezembro, o maior empreendimento gr\u00e1fico da \u00e9poca, que publicava a<em> Marmota<\/em> e diversos outros jornais, al\u00e9m de alguns dos principais livros de literatura brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Paula Brito era poeta, contista, tradutor, redator de v\u00e1rios jornais, editor e empres\u00e1rio<\/strong>. Dous de dezembro era a data de nascimento tanto dele como de seu mais importante s\u00f3cio, D. Pedro II. A trajet\u00f3ria do escritor era excepcional, considerando que ele descendia de escravizados libertos e pobres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O menino Francisco aprendeu a ler com a irm\u00e3 e, aos 14 anos, come\u00e7ou a trabalhar como aprendiz na Tipografia Imperial e Nacional. Em 1831, abriu sua pr\u00f3pria tipografia, em loja que vendia tamb\u00e9m livros, materiais de papelaria e ch\u00e1s. Aos poucos, o neg\u00f3cio foi crescendo, at\u00e9 se tornar a empresa Dous de Dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na loja, reuniam-se os membros da Sociedade Petal\u00f3gica, que incluiu boa parte dos escritores da gera\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica de 1840 a 1860, al\u00e9m de pol\u00edticos, jornalistas e o imperador. O nome da sociedade informal era uma brincadeira: um dos significados de <em>peta <\/em>\u00e9 mentira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Brincadeiras \u00e0 parte, o trabalho de Paula Brito como produtor e incentivador da literatura nacional era muito s\u00e9rio. Basta lembrar que um jovem escritor, <strong>Joaquim Maria Machado de Assis, publicou seus primeiros poemas na <em>Marmota Fluminense<\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"810\" height=\"189\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Clube-de-Leitura-Quindim-o-melhor-clube-de-assinatura-infantil.jpg\" alt=\"Clube de Leitura Quindim, o melhor clube de assinatura infantil\" class=\"wp-image-37885\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Clube-de-Leitura-Quindim-o-melhor-clube-de-assinatura-infantil.jpg 810w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Clube-de-Leitura-Quindim-o-melhor-clube-de-assinatura-infantil-768x179.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Clube-de-Leitura-Quindim-o-melhor-clube-de-assinatura-infantil-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Marmotas tecnol\u00f3gicas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por que o jornal tinha o nome de marmota, aquele roedor europeu? A explica\u00e7\u00e3o passa pela hist\u00f3ria das novas tecnologias que pipocavam na Europa, e de l\u00e1 para o mundo, nos s\u00e9culos XVIII e XIX. Na Fran\u00e7a, mascates pobres costumavam fazer apresenta\u00e7\u00f5es nas cidades, que envolviam m\u00fasica, dan\u00e7a e animais amestrados, como marmotas dan\u00e7arinas. As marmotas eram carregadas em caixas de madeira, levadas \u00e0s costas dos vendedores-artistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em princ\u00edpios do s\u00e9culo XIX, muitos mascates trocaram as marmotas por lanternas m\u00e1gicas, caixas \u00f3ticas que projetavam imagens pintadas em placas de vidro sobre paredes ou telas brancas. Eles viajavam mostrando todo tipo de imagem \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de aldeias e cidades, muitas vezes tocando m\u00fasica durante as proje\u00e7\u00f5es ou contando not\u00edcias de outros lugares. As caixas \u00f3ticas, levadas \u00e0s costas, eram chamadas de marmotas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>Marmota na corte<\/em>, que circulou entre 1849 e 1852, e <em>A Marmota Fluminense<\/em>, sua sucessora, pretendiam <strong>atuar como lentes de caixas \u00f3ticas, que projetavam not\u00edcias, divers\u00e3o, moda, debate, literatura nas vidas dos leitores<\/strong>, especialmente das mulheres e suas fam\u00edlias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>F\u00e1bulas e mais f\u00e1bulas na Marmota<\/strong><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Adaptacoes-de-fabulas-por-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Paula-Brito_Jornal-Marmota-Fluminense.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59697\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Adaptacoes-de-fabulas-por-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Paula-Brito_Jornal-Marmota-Fluminense.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Adaptacoes-de-fabulas-por-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Paula-Brito_Jornal-Marmota-Fluminense-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Primeira p\u00e1gina do jornal <em>A Marmota Fluminense<\/em>, de 31 de janeiro de 1854, que anuncia a publica\u00e7\u00e3o de F\u00e1bulas de Esopo em quadrinhas. Cr\u00e9dito: <a href=\"https:\/\/memoria.bn.br\/docreader\/DocReader.aspx?bib=706914&amp;pagfis=33\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Hemeroteca Digital Brasileira<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paula Brito publicou 92 f\u00e1bulas de Esopo na <em>Marmota Fluminense<\/em> ao longo de 1854. A \u00faltima, \u201cO homem e a burra\u201d, saiu em 8 de dezembro, juntamente do an\u00fancio de um livro que reuniria todas as f\u00e1bulas em quadrinhas, para atender aos pedidos de \u201ctantos diretores e professores de col\u00e9gio\u201d. O autor tamb\u00e9m agradecia aos leitores o \u201cbom acolhimento\u201d a suas f\u00e1bulas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As f\u00e1bulas em trovas, forma t\u00e3o popular no Brasil, talvez fossem lidas em voz alta para e por crian\u00e7as e adultos; talvez fossem ouvidas por senhores, sinhazinhas e pessoas escravizadas. <strong>Que impacto as narrativas de Esopo, ele mesmo um escravo, segundo a lenda, teria tido sobre a imagina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e jovens brasileiros e escravizados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>F\u00e1bulas em prosa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra importante colet\u00e2nea de f\u00e1bulas foi lan\u00e7ada em 1852. Era a <em>Cole\u00e7\u00e3o de f\u00e1bulas, imitadas de Esopo e de La Fontaine<\/em>, de Justiniano Jos\u00e9 da Rocha, livro dedicado a \u201cS. M. o Imperador D. Pedro II\u201d. O autor era bastante conhecido na corte, pois foi um dos maiores jornalistas de seu tempo, al\u00e9m de advogado, professor, parlamentar, contista e tradutor.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Adaptacoes-de-fabulas-por-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Paula-Brito_folhas-de-rosto-Colecoes-de-Fabulas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59695\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Adaptacoes-de-fabulas-por-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Paula-Brito_folhas-de-rosto-Colecoes-de-Fabulas.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Adaptacoes-de-fabulas-por-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Paula-Brito_folhas-de-rosto-Colecoes-de-Fabulas-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem da folha de rosto da obra <em>Cole\u00e7\u00e3o de f\u00e1bulas, imitadas de Esopo e de La Fontaine<\/em>, de Justiniano Jos\u00e9 da Rocha. Nesta edi\u00e7\u00e3o de 1927, n\u00e3o aparece mais a dedicat\u00f3ria a D. Pedro II. Os editores informam que a edi\u00e7\u00e3o foi \u201cmuito melhorada com numerosas vinhetas&#8221; e &#8220;adotada para leitura nas escolas&#8221;, 75 anos ap\u00f3s&nbsp;seu&nbsp;lan\u00e7amento. Cr\u00e9dito: foto disponibilizada pela autora.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Justiniano tamb\u00e9m era mesti\u00e7o, mas de fam\u00edlia rica, que o mandou fazer os estudos secund\u00e1rios em um liceu de Paris. De volta ao pa\u00eds, ele se formou na Faculdade de Direito de S\u00e3o Paulo. A cole\u00e7\u00e3o de f\u00e1bulas n\u00e3o foi seu \u00fanico livro. Como membro do primeiro grupo de professores do rec\u00e9m-fundado Col\u00e9gio Pedro II, ele percebeu a falta de materiais did\u00e1ticos adequados aos alunos. Escreveu comp\u00eandios de Hist\u00f3ria Antiga e Geografia, disciplinas que lecionava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00e9poca do lan\u00e7amento das <em>F\u00e1bulas<\/em>, Justiniano era professor de Latim e Franc\u00eas na Escola Militar. \u00c9 poss\u00edvel que <strong>tenha criado o livro especialmente para alunos de escolas brasileiras<\/strong>, que precisavam de material did\u00e1tico e livros de literatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>Cole\u00e7\u00e3o <\/em>re\u00fane 120 f\u00e1bulas, escritas em prosa, em textos curtos de dois par\u00e1grafos. No primeiro, l\u00ea-se a narrativa; no segundo, a conclus\u00e3o moral, anunciada pela palavra <em>Moralidade <\/em>grafada em letras mai\u00fasculas. As f\u00e1bulas de Esopo e La Fontaine n\u00e3o demarcavam t\u00e3o explicitamente a li\u00e7\u00e3o moral a ser aprendida por meio das narrativas. O modelo proposto por Justiniano foi seguido por outros adaptadores de f\u00e1bulas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os textos do livro n\u00e3o s\u00e3o apenas tradu\u00e7\u00f5es, mas adapta\u00e7\u00f5es para leitores brasileiros \u2013 por isso o t\u00edtulo do livro ressalta que as f\u00e1bulas foram imitadas de Esopo e La Fontaine. Em duas f\u00e1bulas, aves brasileiras entram no lugar de europeias: o soc\u00f3 substitui a cegonha, na vers\u00e3o de \u201cA raposa e a cegonha\u201d, de La Fontaine, e o sabi\u00e1 assume o posto do rouxinol, na adapta\u00e7\u00e3o de \u201cO rouxinol e o gavi\u00e3o\u201d, de Esopo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Dois-pioneiros-da-literatura-infantil-brasileira-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Francisco-de-Paula-Brito-meio2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59667\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Dois-pioneiros-da-literatura-infantil-brasileira-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Francisco-de-Paula-Brito-meio2.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Dois-pioneiros-da-literatura-infantil-brasileira-Justiniano-Jose-da-Rocha-e-Francisco-de-Paula-Brito-meio2-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem da p\u00e1gina que traz a f\u00e1bula &#8220;A Raposa e o Socc\u00f3&#8221; na obra <em>Cole\u00e7\u00e3o de f\u00e1bulas, imitadas de Esopo e de La Fontaine<\/em>, de Justiniano Jos\u00e9 da Rocha. Cr\u00e9dito: foto disponibilizada pela autora.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>Cole\u00e7\u00e3o de F\u00e1bulas <\/em>de Justiniano teve pelo menos onze edi\u00e7\u00f5es impressas \u2013 a \u00faltima, em 1927 \u2013 e continua sendo publicada, agora em edi\u00e7\u00f5es digitais, algumas delas adotadas por escolas brasileiras contempor\u00e2neas. <strong>\u00c9 o mais antigo livro infantil brasileiro em circula\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o livro de Francisco de Paula Brito parece ter tido apenas uma edi\u00e7\u00e3o impressa, hoje rar\u00edssima. Quem sabe n\u00e3o \u00e9 hora de reedit\u00e1-lo?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">Estante Quindim<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a 2 livros j\u00e1 enviados pelo <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Clube Quindim<\/a> aos seus assinantes. A primeira obra \u00e9 um resgate de contos de fadas pensados, escritos e recontados por mulheres, enquanto a segunda obra traz uma hist\u00f3ria de Graciliano Ramos inspirada na f\u00e1bula \u201cA \u00e1guia e o mocho\u201d de La Fontaine.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"333\" height=\"499\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-sete-contos-que-nunca-me-contaram.jpg\" alt=\"Livro sete contos que nunca me contaram\" class=\"wp-image-43338\" style=\"aspect-ratio:1.3333333333333333;object-fit:contain;width:364px;height:auto\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-sete-contos-que-nunca-me-contaram.jpg 333w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-sete-contos-que-nunca-me-contaram-150x225.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/sete-contos-que-nunca-me-contaram\/susana-ventura\/9786556510361\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/sete-contos-que-nunca-me-contaram\/susana-ventura\/9786556510361\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Sete contos que nunca me contaram<\/em><\/a><\/em><\/em><\/em>, de Susana Ventura.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"453\" height=\"364\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/OsFilhosDaCoruja_CapaTransparente-e1713189667373.png\" alt=\"Os filhos da coruja (escritor Graciliano Ramos, ilustrador Gustavo Magalh\u00e3es, editora Bai\u00e3o)\" class=\"wp-image-59699\" style=\"aspect-ratio:1.3333333333333333;object-fit:contain;width:371px;height:auto\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/OsFilhosDaCoruja_CapaTransparente-e1713189667373.png 453w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/OsFilhosDaCoruja_CapaTransparente-e1713189667373-150x121.png 150w\" sizes=\"(max-width: 453px) 100vw, 453px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><em><em><em>Os filhos da coruja<\/em><\/em><\/em><\/em>, de Graciliano Ramos e Gustavo Magalh\u00e3es.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content 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