{"id":56252,"date":"2023-12-15T10:29:07","date_gmt":"2023-12-15T13:29:07","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=56252"},"modified":"2025-05-21T05:52:02","modified_gmt":"2025-05-21T08:52:02","slug":"historia-de-marie-curie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/historia-de-marie-curie\/","title":{"rendered":"M\u00e3e, cientista, mulher: a hist\u00f3ria de Marie Curie"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria Salomea Sklodowska, mais conhecida como Marie Curie, nasceu em Vars\u00f3via, na Pol\u00f4nia, em 1867, filha de Bronislawa e Wladislaw Sklodowski, a ca\u00e7ula de 5 filhos. Professores conhecidos na cidade, seus pais eram ativistas da causa nacionalista polonesa. \u00c0 \u00e9poca, o Imp\u00e9rio Russo administrava o pa\u00eds, com uma s\u00e9rie de medidas de conten\u00e7\u00e3o social, e <strong>a opress\u00e3o fez que a fam\u00edlia passasse por muitas dificuldades financeiras durante a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia de Maria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final do XIX, j\u00e1 n\u00e3o era segredo que a melhor maneira de dominar um povo \u00e9 dificultar, se poss\u00edvel, <strong>negar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o universal<\/strong>, e foi exatamente isso que o governo russo fez na Pol\u00f4nia. As crian\u00e7as que podiam ser admitidas nas poucas escolas oficiais, eram obrigadas a comunicar-se exclusivamente em russo, todos que falassem o idioma, portassem livros ou impressos em polon\u00eas eram punidos. Mulheres n\u00e3o podiam fazer cursos superiores, em nenhuma \u00e1rea do conhecimento. Wladislaw Sklodowski, professor de f\u00edsica, viu os laborat\u00f3rios de pr\u00e1tica cient\u00edfica escolar em que atuava serem proibidos pelo governo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua esposa Bronislawa atuou como administradora de uma escola para mo\u00e7as, at\u00e9 o nascimento de Maria, em 1887. Sua sa\u00fade era fr\u00e1gil, e os tempos, dif\u00edceis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Inf\u00e2ncia<\/strong> de MARIE CURIE<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O maquin\u00e1rio, as ferramentas e equipamentos dos laborat\u00f3rios de f\u00edsica de Wladislaw foram transferidos para a casa da fam\u00edlia, e foi com ele que Mania, como a menina era chamada carinhosamente, aprendeu a operar escalas, bicos de Bunsen e b\u00e9queres. <strong>Mania cresceu nesse ambiente quase escolar, muito querida por seus irm\u00e3os<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua primeira bi\u00f3grafa, Eve Curie, a descreve menina: introspectiva, dotada de uma mem\u00f3ria impressionante, aluna excelente, sempre escolhida para recitar o Pai Nosso em russo, quando algum supervisor aparecia para inspecionar o cumprimento das leis de exce\u00e7\u00e3o. Na escola, <strong>a menina tamb\u00e9m aprendia hist\u00f3ria da Pol\u00f4nia, ministrada em segredo, por Professores ativistas como seus pais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marie Curie estava com apenas 10 anos quando sua m\u00e3e faleceu, v\u00edtima de uma tuberculose. A aspereza da vida familiar aumentou com a morte de Bronislawa, e Mania buscou ref\u00fagio entre os livros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eve comenta que sua capacidade de concentra\u00e7\u00e3o era motivo de brincadeiras por parte dos irm\u00e3os, que constru\u00edam fortes improvisados em torno dela, sem que isso a perturbasse enquanto lia. Sua vida em fam\u00edlia e seu contexto hist\u00f3rico e cultural deixaram muito evidente para a menina que investir na pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o seria a \u00fanica forma de reagir \u00e0 opress\u00e3o em que vivia, ent\u00e3o, desde cedo, <strong>Mania preparou-se para uma vida acad\u00eamica fora da Pol\u00f4nia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Vida acad\u00eamica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora tenha frequentado a Universidade Volante, uma institui\u00e7\u00e3o secreta, a \u00fanica que admitia mulheres durante a ocupa\u00e7\u00e3o russa, Mania sonhava com laborat\u00f3rios e bibliotecas livres, em que pudesse <strong>entrar e estudar livremente<\/strong>. Ela ent\u00e3o combinou com sua irm\u00e3 Bronia: sendo a mais jovem, trabalharia na Pol\u00f4nia para custear os estudos de Bronia em Paris, na Universidade de Sorbonne. T\u00e3o logo se formasse, j\u00e1 apta a conseguir uma boa coloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, Bronia custearia os estudos da ca\u00e7ula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, nos anos que se seguiram, Mania trabalhou como governanta, e depois, como preceptora, e esse \u00faltimo cargo, na resid\u00eancia de parentes de terceiro grau. Ali, Mania se apaixonou por um de seus primos e descobriu o sentido da express\u00e3o &#8220;<strong>preconceito de classe<\/strong>&#8220;. Embora muito apaixonados, o relacionamento com o primo Kazimierz \u017borawsk terminou abruptamente. A fam\u00edlia do rapaz, influente, endinheirada e poderosa, n\u00e3o permitiu o romance com uma mo\u00e7a pobre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mania n\u00e3o parou de estudar e de se preparar para realizar um curso numa das mais prestigiadas universidades do mundo, como uma mulher estrangeira, <strong>numa \u00e1rea do conhecimento que \u00e0 \u00e9poca era abertamente hostil \u00e0 presen\u00e7a feminina<\/strong>. Mania queria estudar Matem\u00e1tica, Qu\u00edmica e F\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1891, tendo economizado tanto quanto poss\u00edvel, anos de sal\u00e1rio, Mania mudou-se para a casa da irm\u00e3 em Paris, que havia se casado com o tamb\u00e9m polon\u00eas Kazimierz Dluski, e vivia em um pequen\u00edssimo apartamento, no Quartier Latin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dluski viria mais tarde a tornar-se o m\u00e9dico que revolucionou o tratamento da tuberculose na Pol\u00f4nia<\/strong>, sendo tamb\u00e9m ele um ardoroso defensor da causa polonesa, estudioso apaixonado e ativista social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mania esteve pouco tempo hospedada com o casal: assim que foi poss\u00edvel, alugou um s\u00f3t\u00e3o<mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\"> <\/mark>perto do campus, sem aquecimento, \u00e1gua corrente ou qualquer conforto, e ali estudou para tornar-se bacharel em F\u00edsica, em 1893. Mantinha-se dando aulas particulares a colegas universit\u00e1rios \u00e0 noite, e mantinha os gastos no limite do m\u00ednimo poss\u00edvel para sobreviver e seguir estudando e trabalhando. Eve Curie relata que durante essa primeira gradua\u00e7\u00e3o, eram frequentes os dias em que a cientista se alimentava apenas de p\u00e3o com manteiga e ch\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I<strong>mportante destacar que falamos do XIX, um s\u00e9culo em que o protagonismo feminino nas Ci\u00eancias era praticamente nenhum.<\/strong> Embora aceitas na Universidade de Paris, as mulheres eram absoluta minoria, e mesmo aquelas, que como Mania, conseguiam superar todos os obst\u00e1culos social e culturalmente impostos pela academia, mesmo elas n\u00e3o conseguiam uma coloca\u00e7\u00e3o \u00e0 altura de suas qualifica\u00e7\u00f5es, e muito raramente prosseguiam carreira, fosse ela acad\u00eamica ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diploma, entretanto, abriu a Mania oportunidades excepcionais para a \u00e9poca: ela obteve uma coloca\u00e7\u00e3o no laborat\u00f3rio do eminente f\u00edsico Gabriel Lippmann, e com o sal\u00e1rio e uma bolsa concedida pela universidade, realizou a segunda gradua\u00e7\u00e3o, dessa vez em Qu\u00edmica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"810\" height=\"189\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg\" alt=\"Assine o clube quindim\" class=\"wp-image-38121\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg 810w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-768x179.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Casamento com Pierre Curie<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua pesquisa, relacionada \u00e0s propriedades magn\u00e9ticas de certos tipos de a\u00e7o, pedia um laborat\u00f3rio maior, e em 1894, seu colega J\u00f3zef Wierusz-Kowalski a apresentou a Pierre Curie, tamb\u00e9m cientista, e que poderia ajud\u00e1-la a conseguir um espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A biografia de Eve Curie descreve um encontro de iguais: a partir dessa conviv\u00eancia, num fluxo constante de acontecimentos, Pierre e Mania desembocaram num casamento. Os dois eram insepar\u00e1veis, <strong>os interesses, os mesmos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua primeira filha nasceu em 1897, Ir\u00e8ne Curie, e o beb\u00ea foi incorporado \u00e0 rotina de pesquisas, estudos e passeios frequentes pelos arredores de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Trabalharam juntos no projeto que deu origem ao primeiro Nobel que receberam, em 1903<\/strong>. Foi um trabalho pesado, algo dif\u00edcil de imaginar ser feito por acad\u00eamicos em um laborat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mania decidiu investigar a presen\u00e7a de radia\u00e7\u00e3o em um mineral chamado <em>pechblenda<\/em>, de cuja composi\u00e7\u00e3o faz parte o ur\u00e2nio. Em 1898, Mania descobriu que, al\u00e9m do ur\u00e2nio, havia na <em>pechblenda <\/em>elementos qu\u00edmicos ainda desconhecidos da ci\u00eancia. O trabalho tremendo de isolar esses elementos qu\u00edmicos foi a causa da honraria do pr\u00eamio Nobel, concedida ao casal de cientistas. Pierre teve de interceder junto ao comit\u00ea do Nobel, pois, a princ\u00edpio, seu nome sequer teria sido mencionado. Cedendo \u00e0 peti\u00e7\u00e3o, o comit\u00ea laureou Marie Curie, a <strong>primeira mulher a receber um Nobel na hist\u00f3ria da ci\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/mulheres-cientistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conhe\u00e7a 14 mulheres cientistas que marcaram a hist\u00f3ria com suas descobertas<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nenhuma patente foi registrada, e a \u00fanica recompensa financeira obtida pelo casal foi a verba do pr\u00eamio Nobel, que foi totalmente investida na melhoria das instala\u00e7\u00f5es do laborat\u00f3rio e na contrata\u00e7\u00e3o de um auxiliar, pois o trabalho era de fato extraordinariamente pesado. Foram necess\u00e1rias toneladas de <em>pechblenda <\/em>para isolar um d\u00e9cimo de grama de cloreto de r\u00e1dio puro!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A op\u00e7\u00e3o por n\u00e3o registrar patente de suas descobertas atravessou toda a carreira de Mania. Ela n\u00e3o comercializou o fruto de seu trabalho e pesquisa.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"280\" height=\"396\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Mae-cientista-mulher-a-historia-de-Marie-Curie-meio1.jpg\" alt=\"M\u00e3e, cientista, mulher: a hist\u00f3ria de Marie Curie\nFoto antiga de mulher em perfil lateral.\" class=\"wp-image-56261\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Mae-cientista-mulher-a-historia-de-Marie-Curie-meio1.jpg 280w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Mae-cientista-mulher-a-historia-de-Marie-Curie-meio1-150x212.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9dito: Wikipedia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os malef\u00edcios causados pela exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, completamente desconhecidos \u00e0 \u00e9poca, devem ter iniciado seu curso no organismo da cientista durante o processo de refino da <em>pechblenda<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eve Curie, segunda filha do casal, nasceu em dezembro de 1904, enquanto a fam\u00edlia ainda vivenciava a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, e em cartas remetidas a familiares, Mania se queixava do inc\u00f4modo constante de rep\u00f3rteres invasivos, que insistiam em obter entrevistas. O laborat\u00f3rio onde o casal trabalhava de manh\u00e3 \u00e0 noite estava sempre coalhado de jornalistas, e o <a href=\"https:\/\/sapientia.pucsp.br\/bitstream\/handle\/13421\/1\/Sonia%20Regina%20Tonetto.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">peri\u00f3dico La Patrie chegou a publicar no dia 5 de junho de 1905 <\/a>&nbsp;uma entrevista imagin\u00e1ria com a cientista, em que essa afirmava ser apenas uma esposa devotada \u00e0 pesquisa de seu marido. Mania enviou no dia seguinte uma carta \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do jornal, desmentindo a entrevista, e afirmando jamais ter conversado com quaisquer rep\u00f3rteres sobre seu trabalho. La Patrie simplesmente n\u00e3o respondeu. Como se v\u00ea, as <em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/fake-news-preparando-filhos-mundo-noticias-falsas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">fake news<\/a><\/em> n\u00e3o s\u00e3o um fen\u00f4meno recente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1904, Pierre foi nomeado para lecionar na Universidade de Paris, enquanto Mania prosseguiu a pesquisa, buscando isolar o r\u00e1dio puro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Trag\u00e9dia e supera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">19 de abril de 1906, um dia chuvoso e frio em Paris. Pierre atravessa a rua, distra\u00eddo, e \u00e9 atropelado por uma carruagem. N\u00e3o resiste aos ferimentos causados, vindo a falecer ali mesmo, antes que qualquer provid\u00eancia pudesse ser tomada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para qualquer m\u00e3e de duas crian\u00e7as t\u00e3o pequenas, o impacto de uma perda como esta seria tremendo. Para Mania, cuja vida era totalmente conectada ao esposo, n\u00e3o apenas no aspecto emocional e social, mas tamb\u00e9m profissional e acad\u00eamico, a perda de Pierre foi um imenso abalo. O casal era muito introspectivo, totalmente voltado a si mesmo, ao trabalho e ao estudo. Eve Curie publica em sua biografia, que Mania costumava escrever a familiares, descrevendo meses a fio sem qualquer contato exterior ao n\u00facleo familiar, sob as luzes mais favor\u00e1veis, externando verdadeiro prazer na vida quieta e simples que levavam. <strong>Mania teve de reorganizar completamente sua rotina a partir dali<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Menos de um m\u00eas ap\u00f3s a morte de Pierre, a<strong> Universidade de Paris decidiu oferecer a Mania a cadeira de Pierre e ela se tornou a catedr\u00e1tica de F\u00edsica<\/strong>. De acordo com Eve Curie, seu principal objetivo ao aceitar a posi\u00e7\u00e3o era conseguir um laborat\u00f3rio superior \u00e0quele em que trabalhava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o muito tempo depois, em 1911, Mania se viu envolvida em rumores que a ligavam com um ex-aluno de Pierre, o f\u00edsico Paul Langevin. Suas filhas, Ir\u00e8ne e Eve, estavam \u00e0 \u00e9poca com 13 e 8 anos, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tabl\u00f3ide L\u2019Oeuvre publicou cartas de Mania a Paul, e em novembro, uma mat\u00e9ria intitulada <em>Uma hist\u00f3ria de amor: Mme Curie e o Professor Langevin<\/em> foi publicada, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o de ordem \u00e9tica, sem consultar os envolvidos, ou qualquer cuidado com a reputa\u00e7\u00e3o da cientista. A essa mat\u00e9ria, outros peri\u00f3dicos sensacionalistas deram eco, publicando entrevistas com a sogra de Langevin, acusando Mania de roubar o pai de seus netos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1170\" height=\"730\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Mae-cientista-mulher-a-historia-de-Marie-Curie-meio2-1170x730.jpg\" alt=\"M\u00e3e, cientista, mulher: a hist\u00f3ria de Marie Curie\nFoto antiga de classe de estudantes universit\u00e1rios composta por apenas uma mulher dentre dezenas de homens.\" class=\"wp-image-56263\" style=\"aspect-ratio:1.6027397260273972;width:553px;height:auto\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9dito: Wikipedia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O esc\u00e2ndalo foi tamanho que ofuscou a cria\u00e7\u00e3o do Instituto do R\u00e1dio, em 1909, a cria\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o internacional de emiss\u00f5es radioativas e o refino do r\u00e1dio puro em 1910. O que realmente importava \u00e0 sociedade francesa era o suposto <em>affair <\/em>com um homem mais jovem, casado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mania estava numa confer\u00eancia em Bruxelas quando <strong>o rumor se transformou em mat\u00e9rias publicadas em jornais sensacionalistas<\/strong>, e quando chegou a sua casa em Paris, havia uma turba na cal\u00e7ada, uivando obscenidades contra ela. Mania e suas filhas tiveram de mudar para a casa de Camille Marbo, escritora amiga da fam\u00edlia Curie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa hist\u00f3ria, a que Eve Curie n\u00e3o se refere em sua biografia, \u00e9 conhecida e citada em muitos artigos sobre a cientista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 5 de novembro, o autor da mat\u00e9ria do Le Journal, que acusava Mania sem qualquer prova, resolveu voltar atr\u00e1s e pedir desculpas a ela, <strong>afirmando ter cometido um ato detest\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mania foi laureada com o segundo Nobel no mesmo ano, dessa vez em Qu\u00edmica, por ter isolado r\u00e1dio puro.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"http:\/\/quindim.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"1170\" height=\"405\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.png\" alt=\"Assine o Clube de Leitura Quindim\" class=\"wp-image-41460\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.png 1170w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-768x266.png 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-150x52.png 150w\" sizes=\"(max-width: 1170px) 100vw, 1170px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poucas semanas depois de receber o pr\u00eamio, teve de ser internada por sintomas associados \u00e0 depress\u00e3o e a uma doen\u00e7a renal. Mania s\u00f3 retornou ao trabalho no laborat\u00f3rio 14 meses ap\u00f3s o esc\u00e2ndalo inventado por tabl\u00f3ides sensacionalistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pubs.aip.org\/physicstoday\/article\/58\/1\/17\/398459\/Albert-Einstein-to-Marie-Curie-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Sobre esse caso, Albert Einstein, amigo de Mania h\u00e1 tempos, escreveu a ela uma carta<\/a> que come\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;<em>Estimada Mme Curie,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;<em>N\u00e3o ria de mim por escrever sem nada interessante a dizer. Mas estou t\u00e3o furioso com a forma vil como tem sido tratada, como esta s\u00facia se atreve a intimid\u00e1-la que precisei dar vaz\u00e3o a esse sentimento. Estou, no entanto, convencido de que voc\u00ea os despreza, quando est\u00e3o fingindo adora\u00e7\u00e3o ou quando est\u00e3o usando voc\u00ea para saciar sua sede por sensacionalismo!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Em meio a essa situa\u00e7\u00e3o, devo dizer que passei a admirar seu esp\u00edrito, sua criatividade e sua honestidade. Eu me considero um homem de sorte por t\u00ea-la conhecido em Bruxelas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Qualquer um que n\u00e3o seja um desses r\u00e9pteis h\u00e1 de estar certamente feliz, agora como antes, por termos pessoas eminentes como voc\u00ea e Langevin entre n\u00f3s &#8211; pessoas reais, com quem \u00e9 sempre um privil\u00e9gio ter contato. Se essa s\u00facia continuar a se ocupar de voc\u00ea, apenas n\u00e3o leia suas mentiras. Melhor deixar esse lixo para os r\u00e9pteis a quem foram produzidas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Com minhas mais amig\u00e1veis lembran\u00e7as a voc\u00ea, Langevin e Jean Perrin,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Seu, verdadeiramente, Albert Einstein.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como se v\u00ea, <strong>nem uma mulher da estatura de Mania, cientista \u00fanica na Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia, a que recebeu dois pr\u00eamios Nobel em \u00e1reas distintas do conhecimento, rec\u00e9m vi\u00fava e m\u00e3e de duas crian\u00e7as ainda pequenas, nem mesmo ela foi capaz de viver sua vida fora da misoginia que atravessa a sociedade ocidental.<\/strong> Todo o esfor\u00e7o realizado em prol da Ci\u00eancia, o legado inestim\u00e1vel que deixou, anos de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, e a emula\u00e7\u00e3o de uma vida inteira, nada disso foi capaz de mant\u00ea-la fora do alcance da barb\u00e1rie.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"395\" height=\"512\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Mae-cientista-mulher-a-historia-de-Marie-Curie-meio4.jpg\" alt=\"M\u00e3e, cientista, mulher: a hist\u00f3ria de Marie Curie\nFoto antiga de mulher sentada com duas crian\u00e7as a seu lado.\" class=\"wp-image-56265\" style=\"aspect-ratio:0.771484375;width:336px;height:auto\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Mae-cientista-mulher-a-historia-de-Marie-Curie-meio4.jpg 395w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Mae-cientista-mulher-a-historia-de-Marie-Curie-meio4-150x194.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 395px) 100vw, 395px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9dito: AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio do que muitos de seus bi\u00f3grafos deixam impl\u00edcito, Marie Curie nada tinha de hero\u00edna. Sua vida foi duramente marcada pela opress\u00e3o em um estado de exce\u00e7\u00e3o, pela mis\u00e9ria, pelo machismo e pelo preconceito de g\u00eanero e, no final, ela morreu em fun\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o que descobriu, e que abriu caminhos para a medicina diagn\u00f3stica, para o tratamento do c\u00e2ncer, para a F\u00edsica, para a Qu\u00edmica, \u00e0 ci\u00eancia em geral. <strong>E, se n\u00e3o nos ativermos a esse aspecto verdadeiramente humano de sua trajet\u00f3ria, estaremos diminuindo o portento que foi essa mulher.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mania Sklodowska Curie tornou-se Marie Curie no imagin\u00e1rio mundial. \u00c9 preciso trazer Mania para a luz, sempre.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">Estante Quindim<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a 3 livros que contam a hist\u00f3ria de mulheres cujos trabalhos contribu\u00edram em diversas \u00e1reas:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"179\" height=\"281\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Bertha-Lutz-e-a-carta-da-onu.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-56258\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain;width:247px;height:auto\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Bertha-Lutz-e-a-carta-da-onu.jpeg 179w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Bertha-Lutz-e-a-carta-da-onu-150x235.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 179px) 100vw, 179px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/bertha-lutz-e-a-carta-da-onu\/angelica-kalil\/9788595711761\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bertha Lutz e a carta da ONU<\/a><\/em>, de Ang\u00e9lica Kalil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"522\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Malala.jpg\" alt=\"Malala, a menina que queria ir para a escola (escritora Adriana Carranca, ilustradora Bruna Assis Brasil, editora Companhia das Letras)\" class=\"wp-image-32776\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/malala%2C-a-menina-que-queria-ir-para-a-escola\/adriana-carranca\/9788574066707\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Malala, a menina que queria ir para a escola<\/a><\/em>, de Adriana Carranca<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"811\" height=\"730\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Nina-Uma-historia-de-Nina-Simone-811x730.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-56257\" style=\"object-fit:contain;width:264px;height:264px\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/nina%3A-uma-historia-de-nina-simone\/traci-n.-todd\/9786588899335\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nina: uma hist\u00f3ria de Nina Simone<\/a><\/em>, de Traci N. Todd<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marie Curie foi uma pioneira cientista que galgou seu lugar de destaque como grande pesquisadora em uma \u00e9poca que as oportunidades eram estritamente voltadas aos homens.<\/p>\n","protected":false},"author":76,"featured_media":56378,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[509,4,1],"tags":[],"class_list":["post-56252","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-educacao","category-sem-categoria"],"acf":{"posts_relacionados":[34783,54618,54584]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/76"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56252\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54584"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54618"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34783"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56378"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}