{"id":55645,"date":"2023-11-24T12:13:54","date_gmt":"2023-11-24T15:13:54","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=55645"},"modified":"2025-05-21T05:52:07","modified_gmt":"2025-05-21T08:52:07","slug":"protagonismo-preto-na-literatura-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/protagonismo-preto-na-literatura-infantil\/","title":{"rendered":"Protagonismo preto na literatura: entenda a import\u00e2ncia de apresentar livros com diversidade para as crian\u00e7as desde cedo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora de Hist\u00f3ria St\u00e9fanie Fanelli Casellato lembra que, na inf\u00e2ncia, <strong>nunca lhe faltaram livros.<\/strong> \u201cCresci numa fam\u00edlia leitora, minha m\u00e3e \u00e9 professora e sempre estimulou a leitura. Ela dizia, \u2018olha, a mam\u00e3e pode n\u00e3o ter dinheiro para algumas coisas, mas se voc\u00eas me pedirem livros, eu compro\u2019. Era uma regra na nossa casa\u201d, lembra ela, que hoje tenta manter a mesma atitude com as filhas Sofia, de 2 anos e 5 meses, e Laura, de 2 meses.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Protagonismo-preto-na-literatura-entenda-a-importancia-de-apresentar-livros-com-diversidade-para-as-criancas-desde-cedo-meio1-1.jpg\" alt=\"Protagonismo preto na literatura: entenda a import\u00e2ncia de apresentar livros com diversidade para as crian\u00e7as desde cedo\nUma mulher adulta sentada em uma cadeira de rodas e segurando um livro, o mostrando para uma crian\u00e7a pr\u00e9-adolescente.\" class=\"wp-image-55657\" style=\"width:570px;height:auto\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Protagonismo-preto-na-literatura-entenda-a-importancia-de-apresentar-livros-com-diversidade-para-as-criancas-desde-cedo-meio1-1.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Protagonismo-preto-na-literatura-entenda-a-importancia-de-apresentar-livros-com-diversidade-para-as-criancas-desde-cedo-meio1-1-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>cr\u00e9dito: Canva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora esse est\u00edmulo positivo existisse quando crian\u00e7a, <strong>St\u00e9fanie recorda que nunca tinha lido um livro com uma protagonista negra como ela<\/strong>. \u201cCresci com muitos livros, mas mesmo assim n\u00e3o me enxergava ali. Na TV, tamb\u00e9m eram t\u00e3o raros os personagens que me apeguei, um ou dois durante a minha inf\u00e2ncia inteirinha. Ent\u00e3o eu sei como isso faz diferen\u00e7a, sabe? Essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que eu tenho com as minhas filhas e tenho certeza que ter\u00e1 um impacto imenso na forma\u00e7\u00e3o delas\u201d, acredita. \u201cPara mim, foi muito dif\u00edcil. S\u00f3 entendi a minha hist\u00f3ria e minha identidade depois dos 20 anos, j\u00e1 na universidade e com a ajuda do movimento negro\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relato da professora coincide com tantos outros de pais e m\u00e3es pretos que compartilham essa lacuna que vivenciaram na inf\u00e2ncia e que, hoje, tentam evitar que os filhos tenham. <strong>St\u00e9fanie diz estar sempre atenta para oferecer livros com diversidade de protagonismo, capazes de aumentar o repert\u00f3rio de mundo de suas filhas, mas, sobretudo, para que elas possam se enxergar na hist\u00f3ria<\/strong>. Por isso, hoje St\u00e9fanie \u00e9 assinante do Clube de Leitura Quindim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afinal, sabemos que o que as crian\u00e7as consomem tamb\u00e9m influencia na forma\u00e7\u00e3o de sua autoimagem. \u201c<strong>\u00c9 fundamental que elas se enxerguem ali<\/strong>, que vejam a m\u00e3e, a diversidade. Faz muita diferen\u00e7a, porque \u00e9 muito traum\u00e1tico viver num mundo em que voc\u00ea n\u00e3o se enxerga. Voc\u00ea n\u00e3o existe nos livros, voc\u00ea n\u00e3o existe nas hist\u00f3rias\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/escritores\/carol-fernandes\/?livro=9786586666267\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">escritora e ilustradora Carol Fernandes<\/a> acrescenta que, por isso, \u00e9 fundamental se amparar em conte\u00fados de qualidade. \u201c\u00c9 como se fiz\u00e9ssemos a nossa poupan\u00e7a subjetiva de imagens de um acervo simb\u00f3lico e vamos nos fortalecendo a partir dele. E n\u00e3o s\u00f3 pelo livro, mas tamb\u00e9m por filmes, m\u00fasicas, arte. Uma boa linguagem art\u00edstica, que permita a participa\u00e7\u00e3o do outro, \u00e9 sempre um exerc\u00edcio de fortalecimento, n\u00e3o apenas individualmente, mas tamb\u00e9m coletivamente\u201d, diz ela e completa: <strong>\u201cNa constru\u00e7\u00e3o da autoimagem, preciso de representa\u00e7\u00f5es dignas, positivas e reais, n\u00e3o estereotipadas e reducionistas\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64970\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong><em>\u201c<\/em>Eu sou mais do que a minha dor<em>\u201d<\/em><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora haja pautas fundamentais que precisam ser continuamente discutidas \u2013 inclusive com as crian\u00e7as \u2013, como ancestralidade, resgate cultural e preconceito, as narrativas com protagonismo negro costumam, historicamente, ficar restritas \u00e0s quest\u00f5es raciais ou apenas quando o livro aborda a pluralidade, sem uma narrativa pr\u00f3pria desenvolvida para o personagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, <strong>\u00e9 essencial que existam mais livros com protagonismo negro que apresentem situa\u00e7\u00f5es do cotidiano<\/strong>, que dialoguem com a complexidade do crescimento dos pequenos e que mostrem sentimentos comuns a todas as crian\u00e7as, como parte dessa busca por uma narrativa verdadeiramente inclusiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 fundamental ter hist\u00f3rias de personagens negros em diferentes contextos. Existem v\u00e1rias maneiras de dizer a uma crian\u00e7a negra que o cabelo dela \u00e9 lindo. Sim, voc\u00ea pode ter um livro sobre o cabelo em si, mas quando apresenta <strong>uma narrativa de uma crian\u00e7a brincando, se divertindo, explorando uma cidade fant\u00e1stica e ela tem o cabelo crespo, voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 comunicando para a sua filha que o cabelo dela \u00e9 lindo, que o cabelo dela \u00e9 o de uma crian\u00e7a que viaja o mundo, sabe?<\/strong>\u201d, destaca a professora St\u00e9fanie.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Protagonismo-preto-na-literatura-entenda-a-importancia-de-apresentar-livros-com-diversidade-para-as-criancas-desde-cedo-meio2.jpg\" alt=\"Protagonismo preto na literatura: entenda a import\u00e2ncia de apresentar livros com diversidade para as crian\u00e7as desde cedo\nCrian\u00e7a sorrindo.\" class=\"wp-image-55661\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Protagonismo-preto-na-literatura-entenda-a-importancia-de-apresentar-livros-com-diversidade-para-as-criancas-desde-cedo-meio2.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Protagonismo-preto-na-literatura-entenda-a-importancia-de-apresentar-livros-com-diversidade-para-as-criancas-desde-cedo-meio2-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>cr\u00e9dito: Canva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto a ser considerado para fortalecer a mudan\u00e7a desse cen\u00e1rio \u00e9 que as editoras n\u00e3o devem se limitar a convidar ilustradores ou autores negros apenas para livros com tem\u00e1ticas sobre cultura africana. Essa pr\u00e1tica, por si s\u00f3, j\u00e1 seria question\u00e1vel, pois implicaria assumir que h\u00e1 apenas um olhar negro, ignorando a imensa diversidade presente na cultura africana e ancestralidade negra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cExistem boas editoras que j\u00e1 se preocupam em ter um cat\u00e1logo que represente personagens negros de forma m\u00faltipla e n\u00e3o reduzido \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o racial. Mas eu, como uma autora negra, me pergunto se, \u00e0s vezes, sou convidada apenas por ser negra para trabalhar em livros com tem\u00e1tica racial. Mas n\u00e3o vou ousar responder, porque quem tem que se perguntar isso s\u00e3o as pr\u00f3prias editoras, n\u00e9?\u201d, aponta Carol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E aqui cabe tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o complementar: para al\u00e9m dos livros, <strong>\u00e9 igualmente crucial n\u00e3o convocar pessoas negras exclusivamente para discutir preconceito e viol\u00eancia<\/strong>. \u201cA gente n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dor. Claro que \u00e9 importante falar do racismo, mas \u00e9 fundamental n\u00e3o reduzir os indiv\u00edduos negros \u00e0 dor. Acabo falando muito sobre isso, mas tamb\u00e9m estudei hist\u00f3ria da arte&#8230; Por que n\u00e3o podemos falar disso? \u00c0s vezes, n\u00e3o quero discutir a dor negra; posso tamb\u00e9m falar sobre rococ\u00f3, sabe?\u201d, diz St\u00e9fanie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 importante falar da tem\u00e1tica racial sim, pois <strong>o racismo na nossa sociedade ainda n\u00e3o foi superado<\/strong>. No entanto, acredito que parte da supera\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m nos compreender de forma integral. Embora a quest\u00e3o racial seja bastante central para mim, eu vivo muitas outras coisas, n\u00e9? Sou mulher, filha, irm\u00e3, namorada, trabalhadora, sou uma amante da natureza\u2026 Em breve, vou lan\u00e7ar um livro que n\u00e3o ter\u00e1 personagem humano, ser\u00e3o aves! Quero falar sobre tudo, n\u00e3o s\u00f3 sobre o racismo que me atravessa\u201d, conclui Carol.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Um mundo todo para contar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como St\u00e9fanie, foi tamb\u00e9m na faculdade que Carol ampliou sua consci\u00eancia racial. J\u00e1 o interesse pela literatura surgiu como uma resposta a essa lacuna que ela sentia desde pequena. \u201cMeu pai tinha uma trajet\u00f3ria acad\u00eamica, mas n\u00e3o tinha essa cultura (de comprar livros infantis) e eles eram caros, n\u00e9? Ent\u00e3o, durante a minha inf\u00e2ncia eu n\u00e3o tinha acesso \u00e0 literatura adequada para mim\u201d, conta ela, lembrando que sempre foi uma pessoa muito interessada pelas narrativas das mulheres e dos mais velhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAcho que se eu tivesse tido contato com uma literatura com a qual me identificasse, sem d\u00favida, isso teria me ajudado muito, porque eu <strong>sinto essa lacuna at\u00e9 hoje na minha forma\u00e7\u00e3o leitora<\/strong>. Ter acesso hoje a livros, por exemplo, da Concei\u00e7\u00e3o Evaristo e da Maya Angelou, responde muita coisa dentro de mim\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dona de obras infantis bel\u00edssimas \u2013 e j\u00e1 distribu\u00eddas pelo Quindim, como <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/fevereiro\/carol-fernandes\/9786586666267\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Fevereiro<\/em><\/a> e <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/se-eu-fosse-uma-casa\/carol-fernandes\/9786587573038\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Se eu fosse uma casa<\/em><\/a> \u2013, a artista mineira lembra que a partir desse movimento de amplia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia racial e do contato com a literatura para as inf\u00e2ncias, algo mudou dentro dela. Depois de estagiar com curadoria de livros na biblioteca e dar aulas para crian\u00e7as, percebeu que seu caminho estava se formando. Sem pr\u00e1tica em escrita ou desenho, ela decidiu dar vaz\u00e3o \u00e0 sua inspira\u00e7\u00e3o e, aos poucos, foi encontrando sua linguagem. Carol conta que, a cada livro, seu tra\u00e7ado se transforma. Tudo isso, claro, sem perder de vista as viv\u00eancias pessoais que d\u00e3o estofo ao seu trabalho. O resultado s\u00e3o 8 livros (por enquanto!), entre os de sua autoria solo e os realizados em parceria com outros escritores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSendo uma pessoa que compreende a import\u00e2ncia dessa representa\u00e7\u00e3o m\u00faltipla, diversa e positiva de um personagem que faz sentido na narrativa e n\u00e3o est\u00e1 ali apenas como uma pe\u00e7a curinga, para mim, representar a pessoa negra, \u00e9 representar o meu mundo, dos meus familiares, das pessoas com as quais convivo, da pessoa que vejo no espelho. Vou te dar um exemplo: chega uma premissa do livro de um menino que \u00e9 apaixonado pela lua, como foi com o <em>Cosmonauta<\/em>. Eu nem vou me questionar: vai ser um menino negro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E isso refor\u00e7a a necessidade do que j\u00e1 dissemos acima, de <strong>abordar hist\u00f3rias com personagens negras em situa\u00e7\u00f5es rotineiras, que tragam conforto, empatia, afetividade e proje\u00e7\u00e3o na mente da crian\u00e7a que est\u00e1 lendo<\/strong>. Carol lembra, por exemplo, que um pequeno leitor, quando viu o \u201cCosmonauta\u201d comentou: \u201cEi, como \u00e9 que ela sabe que eu sou assim? Ela me ilustrou!\u201d. J\u00e1 outra leitora mirim, batizou sua boneca de Carol Fernandes. \u201cEu, enquanto autora, entro na casa das pessoas e isso tem muito significado, assim como grandes autores entraram na minha casa e me permitiram enxergar que eu tamb\u00e9m poderia escrever, que eu tamb\u00e9m poderia ilustrar\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora diz que em <em>Fevereiro<\/em>, por exemplo, a ideia era focar no olhar de um menino acompanhando a fam\u00edlia se organizar para uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural. \u201cInevitavelmente, estou trazendo as refer\u00eancias de uma fam\u00edlia negra, porque \u00e9 isso que eu vivo. \u00c9 isso que eu sou, s\u00e3o as refer\u00eancias que me permeiam. J\u00e1 o <em>Se eu fosse uma casa<\/em> n\u00e3o \u00e9 um livro especificamente sobre tem\u00e1tica racial, mas, como diz a Ananda Luz, \u00e9 um livro de escreviv\u00eancia, porque quem cria \u00e9 uma autora negra. Ent\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio que existe uma leitura racial para ser feita, n\u00e9?\u201d, diz.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64971\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_LivrosTransformadores-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Quanto mais livros (de qualidade) melhor!<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferentemente da inf\u00e2ncia das entrevistadas, as crian\u00e7as de hoje j\u00e1 encontram mais facilmente livros de qualidade, como os de Carol e outros autores importantes contempor\u00e2neos (<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/representatividade-negra-na-literatura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">confira 10 livros com representatividade negra<\/a>). No entanto, foi um longo caminho at\u00e9 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) mostra que, entre 2004 e 2014, <strong>somente 2,5% dos autores publicados n\u00e3o eram brancos e que apenas 4,5% dos personagens negros eram protagonistas das hist\u00f3rias<\/strong>. Hoje, dez anos depois, embora n\u00e3o haja dados comparativos atualizados, \u00e9 poss\u00edvel perceber a amplia\u00e7\u00e3o do cat\u00e1logo e dos autores em uma simples visita \u00e0 livraria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As raz\u00f5es dessa melhora s\u00e3o resultado de m\u00faltiplas a\u00e7\u00f5es vindas das demandas dos movimentos sociais que buscam fortalecer a cultura negra no pa\u00eds e ressaltar sua import\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das cotas nas universidades \u2013 que ampliaram o leque da discuss\u00e3o e a presen\u00e7a negra nos meios acad\u00eamicos \u2013, a<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2003\/l10.639.htm#:~:text=LEI%20No%2010.639%2C%20DE%209%20DE%20JANEIRO%20DE%202003.&amp;text=Altera%20a%20Lei%20no,%22%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\"> Lei 10.639<\/a>, de 2003, estabeleceu a obrigatoriedade do ensino de Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira no curr\u00edculo e a inclus\u00e3o no calend\u00e1rio escolar do dia 20 de novembro como \u201cDia Nacional da Consci\u00eancia Negra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O impacto da lei foi sentido pelas editoras que modificaram seus materiais did\u00e1ticos e passaram a incluir mais conte\u00fados voltados \u00e0 tem\u00e1tica racial<\/strong>. Al\u00e9m disso, houve o surgimento de novas editoras e selos especializados. E, aqui, h\u00e1 um lado positivo e um negativo: se por um lado, o mercado foi se abrindo a novos autores pretos e os conte\u00fados foram repensados, gerando material de di\u00e1logo mais rico com novas publica\u00e7\u00f5es e novos pesquisadores, <strong>por outro lado, houve tamb\u00e9m levas de materiais criados apenas para cumprir a nova lei, sem qualidade, envolvimento ou estudo apropriado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAt\u00e9 tem crian\u00e7as de diferentes cores (no material did\u00e1tico), mas \u00e9 por conta da lei. Isso \u00e9 muito cansativo. \u00c0s vezes, \u00e9 apenas para cumprir, e isso n\u00e3o deveria ser algo protocolar. Deveria fazer parte da agenda o ano inteiro e, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 o que a gente v\u00ea\u201d, conta St\u00e9fanie, que d\u00e1 aulas no ensino m\u00e9dio e lida com esses materiais diariamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pais e professores atentos conseguem diferenciar e compreender a import\u00e2ncia de um conte\u00fado que n\u00e3o apenas segue a diretriz da lei, mas que tamb\u00e9m contribui para a discuss\u00e3o. \u201cAs fam\u00edlias que se preocupam com uma educa\u00e7\u00e3o antiracista, que est\u00e3o envolvidas com esses novos projetos de sociedade, sempre estar\u00e3o de olho nessa produ\u00e7\u00e3o, se interessam em conhecer novos autores, querem saber o que vem por a\u00ed e tamb\u00e9m sabem o que n\u00e3o \u00e9 legal e por que n\u00e3o \u00e9 legal\u201d, diz a ilustradora Carol.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>\u00c9 preciso furar a bolha e ter mais visibilidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E se aqui no <a href=\"http:\/\/quindim.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quindim<\/a> costumamos dialogar justamente com esses pais atentos, sabemos tamb\u00e9m que essa n\u00e3o \u00e9 a realidade de todo o pa\u00eds. Se nem o h\u00e1bito da leitura \u00e9 difundido, quem dir\u00e1 se preocupar se os livros trazem diversidade com qualidade. Por isso, <strong>\u00e9 importante furar a bolha, uma vez que comprar livros ainda \u00e9 inacess\u00edvel para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o IBGE, sete em cada 10 trabalhadores t\u00eam renda de at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos, ou seja, <strong>o livro ainda \u00e9 um artigo de luxo para a maioria<\/strong>. \u201cAs pessoas que j\u00e1 t\u00eam a literatura em seu cotidiano e que se atentam a ela, sem d\u00favidas isso as fortalece, mas eu acho que, de modo geral, as pol\u00edticas p\u00fablicas precisam garantir uma dissemina\u00e7\u00e3o da literatura e das artes para todos\u201d, aponta Carol.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Protagonismo-preto-na-literatura-entenda-a-importancia-de-apresentar-livros-com-diversidade-para-as-criancas-desde-cedo-meio3.jpg\" alt=\"Protagonismo preto na literatura: entenda a import\u00e2ncia de apresentar livros com diversidade para as crian\u00e7as desde cedo\nDuas crian\u00e7as lendo um livro, o menino abra\u00e7ado \u00e0 menina que conta a hist\u00f3ria.\" class=\"wp-image-55667\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Protagonismo-preto-na-literatura-entenda-a-importancia-de-apresentar-livros-com-diversidade-para-as-criancas-desde-cedo-meio3.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Protagonismo-preto-na-literatura-entenda-a-importancia-de-apresentar-livros-com-diversidade-para-as-criancas-desde-cedo-meio3-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>cr\u00e9dito: Canva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela acredita que avan\u00e7amos bastante, mas que ainda falta um tanto para caminhar. \u201cEu percebo que os selos, no geral, t\u00eam uma amplia\u00e7\u00e3o de livros com esses protagonismos e mais diversidade. Mas d\u00e1 para melhorar muito! Ainda existem editoras onde t\u00eam apenas um autor negro no cat\u00e1logo e, normalmente, com um livro de uma tem\u00e1tica racial especificamente. <strong>Por que n\u00e3o refletir sobre uma equidade de autores e de tem\u00e1ticas?<\/strong>\u201d, questiona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, embora alguns livros infantis hoje tenham mais divulga\u00e7\u00e3o e visibilidade, como \u00e9 o caso de obras de personalidades famosas como L\u00e1zaro Ramos e o rapper Emicida, ainda s\u00e3o os selos independentes que trazem mais diversidade de autoria e ilustra\u00e7\u00e3o, porque dialogam justamente com essas vozes que ainda n\u00e3o est\u00e3o dentro do circuito, mas que t\u00eam muito a dizer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cS\u00e3o trabalhos que eu admiro muito<em> (do L\u00e1zaro e do Emicida)<\/em>, porque dialogam com a verdade desses autores. Mas falando sobre o movimento do mercado propriamente, \u00e9 ficar ali na zona de conforto atuando com pessoas que j\u00e1 s\u00e3o muito consagradas. E a\u00ed ca\u00edmos de novo numa outra armadilha racista que \u00e9 a de massificar e de homogeneizar. <strong>A popula\u00e7\u00e3o negra brasileira n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o homem negro da zona urbana. Ela \u00e9 muito diversa, tem muita coisa para ser contada a partir de muitas perspectivas<\/strong>. Por isso que eu n\u00e3o posso virar a voz \u00fanica, n\u00e9?\u201d, diz Carol e completa o recado: \u201cO mercado ainda precisa se esfor\u00e7ar muito e isso n\u00e3o vai ser feito de forma pac\u00edfica. Vai ser sempre uma resposta de uma cobran\u00e7a: \u2018vamos nos atualizar, vamos trazer outras vozes, vamos abrir espa\u00e7o para quem est\u00e1 chegando\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Educa\u00e7\u00e3o antirracista \u00e9 todo dia!<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As crian\u00e7as negras, brancas, ind\u00edgenas e amarelas s\u00f3 t\u00eam a ganhar com a pluralidade \u00e9tnico-racial na literatura infantil. Compreender que esta tamb\u00e9m pode ser uma maneira de construir e apoiar uma <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/educacao-antirracista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">educa\u00e7\u00e3o antirracista<\/a> pode ajudar os pais a dialogar com as crian\u00e7as desde cedo atrav\u00e9s das hist\u00f3rias. Por isso, a import\u00e2ncia de buscar livros com qualidade editorial, que n\u00e3o estereotipam e que ampliam as no\u00e7\u00f5es de mundo e de diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, claro, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as crian\u00e7as que aprendem. Enquanto alguns pais t\u00eam a chance de revisitar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria e finalmente preencher as lacunas da inf\u00e2ncia, como as nossas entrevistadas, outros est\u00e3o passando por um <strong>letramento racial e aprendendo a n\u00e3o perpetuar o racismo, olhando com mais aten\u00e7\u00e3o para suas falas e a\u00e7\u00f5es diariamente e sistematicamente<\/strong>. E, olha, isso \u00e9 fundamental! Afinal, os filhos est\u00e3o sim muito atentos ao que falamos e como agimos, por isso, o exemplo tem que ser constante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cA literatura infantil pode ajudar a resgatar muito da nossa dor. J\u00e1 para aqueles pais que n\u00e3o est\u00e3o nesse lugar, ajuda a refletir com os pequenos. <\/strong>\u00c0s vezes, palavras que podem parecer aleat\u00f3rias e inofensivas, t\u00eam um peso importante, ainda mais na forma\u00e7\u00e3o dessas crian\u00e7as, n\u00e9? R\u00f3tulos ou a forma como falamos de um cabelo, de um lugar\u2026 \u00c9 preciso procurar usar as palavras certas, porque a crian\u00e7a vai absorver isso\u201d, diz a professora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 importante uma alfabetiza\u00e7\u00e3o racial nesse debate e n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 negritude, mas para todas as etnias. Ainda estamos muito aqu\u00e9m. Por isso que essas leituras tamb\u00e9m s\u00e3o para n\u00f3s <em>(os pais)<\/em>, porque n\u00e3o adianta nada a crian\u00e7a ter um acesso a essa narrativa, mas ver os pais reproduzindo um outro mundo, n\u00e3o \u00e9?\u201d, completa St\u00e9fanie.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carol acredita que \u00e9 poss\u00edvel ensinar isso de maneira honesta e clara para as crian\u00e7as: \u201cN\u00f3s somos uma sociedade m\u00faltipla. N\u00e3o temos uma \u00fanica apar\u00eancia, uma \u00fanica cren\u00e7a, uma \u00fanica cultura e isso pode ser muito bom! N\u00e3o precisa ser motivo de sofrimento, mas, para isso, precisamos realmente mudar a forma como enxergamos. <strong>A literatura contribui muito \u00e0 medida que ela apresenta mundos diversos e possui a capacidade de nos despertar para quest\u00f5es existenciais. \u00c9 um investimento na nossa forma\u00e7\u00e3o para o sens\u00edvel e isso nos fortalece, na medida que nos ajuda a compreender a n\u00f3s mesmos e aos outros<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fica a\u00ed a tarefa, fam\u00edlia: vamos fazer ressoar a maior quantidade de vozes diversas dentro de casa, seja atrav\u00e9s dos livros, seja por outros caminhos. E s\u00e3o muitos! <strong>Se desde cedo as crian\u00e7as tiverem proximidade com a diversidade e entenderem que n\u00e3o existe apenas uma maneira de ver e viver o mundo, mais internalizado esse conceito fica e, assim, maiores as chances de estarmos criando indiv\u00edduos que v\u00e3o replicar esses ensinamentos no futuro.<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>INDICA\u00c7\u00d5ES DE LIVROS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E se voc\u00ea est\u00e1 em busca de livros com mais diversidade, confira esta sele\u00e7\u00e3o feita pelas entrevistadas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As escolhas de Carol Fernandes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>Benedito<\/em>, Josias Marinho &#8211;<\/strong> \u201cUm livro que sempre vai me emocionar. Ele est\u00e1 narrando a experi\u00eancia de uma crian\u00e7a pequena que est\u00e1 aprendendo sobre o congado mineiro. \u00c9 um livro ilustrado sofisticad\u00edssimo com t\u00e9cnicas gr\u00e1ficas de carimbo, de pintura. \u00c9 um cl\u00e1ssico.\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>Omo-oba: Hist\u00f3rias de princesas e pr\u00edncipes<\/em>, Kiusam de Oliveira &#8211; <\/strong>\u201cUm livro muito importante para o meu processo como professora antirracista. Eles fazem a representa\u00e7\u00e3o de orix\u00e1s femininos na sua condi\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, ent\u00e3o a possibilidade da gente enxergar deusas nas suas condi\u00e7\u00f5es infantis \u00e9 um neg\u00f3cio muito afetuoso e potente.\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><em>S\u00e1bado<\/em>, Oge Mora &#8211;<\/strong> \u201c\u00c9 uma fam\u00edlia afrocentrada, mas a tem\u00e1tica racial n\u00e3o \u00e9 o cerne. Ele fala de uma experi\u00eancia muito comum de nos organizarmos para passar um dia maravilhoso e v\u00e1rios imprevistos acontecerem, e a gente ter que replanejar e aprender a lidar. \u00c9 um livro muito bonito, que traz como pano de fundo uma narrativa sobre rede de apoio. O debate racial n\u00e3o \u00e9 o objetivo, mas se a gente olhar bem est\u00e1 ali, sabe?\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As escolhas de St\u00e9fanie Fanelli<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/a-travessia-de-anatole\/gilles-eduar--9786589173021\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>A travessia de Anatole<\/em><\/strong><\/a><strong>, Gilles Eduar: <\/strong>\u201cUm dos nossos favoritos aqui em casa. Gosto muito do fato de haver um menino negro num contexto de sonhos, aventuras e leitura, longe do estere\u00f3tipo da pobreza e sofrimento. Um doce de hist\u00f3ria!\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/redondeza\/daniel-munduruku--9786588098028\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Redondeza<\/em><\/strong><\/a><strong>, <\/strong><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/daniel-munduruku-o-poder-do-entorno\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Daniel Munduruku<\/strong><\/a><strong> e Roberta Asse: <\/strong>\u201cO cotidiano e a paisagem que cerca crian\u00e7as em uma aldeia ind\u00edgena s\u00e3o expostos de forma natural e po\u00e9tica. As ilustra\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito lindas e minha filha ama observar os detalhes. A gente j\u00e1 leu v\u00e1rias vezes e a cada vez eu vou acrescentando algo sobre as crian\u00e7as ind\u00edgenas. \u00c9 gostoso ver que estamos dando a oportunidade de mostrar a realidade pra ela, mesmo que s\u00f3 ali no livro.\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/amoras\/emicida\/9788574068367\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Amoras<\/em><\/strong><\/a><strong>, Emicida e Aldo Fabrini: <\/strong>\u201cEste livro \u00e9 muito sens\u00edvel e potente! Possibilita iniciar muitas reflex\u00f5es sobre identidade negra e \u00e9 inspirador!\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">Estante Quindim<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a mais livros infantis com protagonismo negro j\u00e1 selecionados pelo Clube Quindim.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"447\" height=\"443\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/DengosMoringaVoinha_CapaTransparente-e1704741861465.png\" alt=\"Os dengos na moringa de voinha (escritora Ana F\u00e1tima, ilustradora Fernanda Rodrigues, editora Brinque-Book)\" class=\"wp-image-56909\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/DengosMoringaVoinha_CapaTransparente-e1704741861465.png 447w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/DengosMoringaVoinha_CapaTransparente-e1704741861465-150x149.png 150w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/DengosMoringaVoinha_CapaTransparente-e1704741861465-100x100.png 100w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/DengosMoringaVoinha_CapaTransparente-e1704741861465-24x24.png 24w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/DengosMoringaVoinha_CapaTransparente-e1704741861465-48x48.png 48w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/DengosMoringaVoinha_CapaTransparente-e1704741861465-96x96.png 96w\" sizes=\"(max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/os-dengos-na-moringa-de-voinha\/ana-fatima\/9786556540429\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Os dengos na moringa de Voinha<\/a><\/em>, de Ana F\u00e1tima e Fernanda Rodrigues<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"445\" height=\"444\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/AquiEAqui_CapaTransparente-e1702413699998.png\" alt=\"Aqui e aqui (autor Caio Zero, editora Companhia das letrinhas)\" class=\"wp-image-56303\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/AquiEAqui_CapaTransparente-e1702413699998.png 445w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/AquiEAqui_CapaTransparente-e1702413699998-300x300.png 300w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/AquiEAqui_CapaTransparente-e1702413699998-150x150.png 150w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/AquiEAqui_CapaTransparente-e1702413699998-100x100.png 100w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/AquiEAqui_CapaTransparente-e1702413699998-24x24.png 24w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/AquiEAqui_CapaTransparente-e1702413699998-48x48.png 48w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/AquiEAqui_CapaTransparente-e1702413699998-96x96.png 96w\" sizes=\"(max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/aqui-e-aqui\/caio-zero\/9786554850094\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Aqui e aqui<\/a><\/em>, de Caio Zero<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"314\" height=\"437\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/OPenalti_CapaTransparente-e1702415126690.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-56316\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/OPenalti_CapaTransparente-e1702415126690.png 314w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/OPenalti_CapaTransparente-e1702415126690-150x209.png 150w\" sizes=\"(max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/o-penalti\/geni-guimaraes\/9788592736620\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O p\u00eanalti<\/a><\/em>, de Geni Guimar\u00e3es<br>Ilustra\u00e7\u00e3o: Robson Ara\u00fajo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis 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