{"id":54810,"date":"2023-10-25T11:58:40","date_gmt":"2023-10-25T14:58:40","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=54810"},"modified":"2025-05-21T05:52:14","modified_gmt":"2025-05-21T08:52:14","slug":"onde-vivem-os-monstros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/onde-vivem-os-monstros\/","title":{"rendered":"Marco da literatura mundial, &#8220;Onde Vivem os Monstros&#8221; \u00e9 relan\u00e7ado no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de um v\u00e1cuo de quase dez anos e exemplares negociados por uma fortuna em sebos, o livro <em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/onde-vivem-os-monstros\/maurice-sendak\/9786581776763\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Onde Vivem os Monstros<\/a><\/em>, do autor norte-americano Maurice Sendak, est\u00e1 de volta ao Brasil, em edi\u00e7\u00e3o da Companhia das Letrinhas. <strong>A obra \u00e9 um marco na literatura mundial<\/strong>. Fundou, para pesquisadores da \u00e1rea, o livro ilustrado contempor\u00e2neo. Assinantes do <a href=\"http:\/\/quindim.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Clube de Leitura Quindim<\/a> receberam o lan\u00e7amento neste m\u00eas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"185\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/assine-clube-quindim.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-60083\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/assine-clube-quindim.jpg 800w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/assine-clube-quindim-768x178.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/assine-clube-quindim-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Onde Vivem os Monstros<\/em> foi lan\u00e7ado pela primeira vez em 1963, nos Estados Unidos. Nele, Sendak conta a hist\u00f3ria de Max, um menino que se veste de lobo, apronta at\u00e9 tirar a m\u00e3e do s\u00e9rio e \u00e9 mandado para o quarto sem comer. L\u00e1, uma floresta nasce e cresce. Max pega um barquinho e vai para onde vivem os monstros, onde \u00e9 coroado rei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A obra \u00e9 um livro ilustrado porque palavras e imagens se interrelacionam para contar a hist\u00f3ria<\/strong>, como em uma dan\u00e7a, conta o escritor, ilustrador e pesquisador Odilon Moraes. Soma-se a isso o livro como suporte, essencial para a narrativa. Se n\u00e3o bastasse, o Sendak tamb\u00e9m <strong>inovou na forma como tratou a inf\u00e2ncia e as contradi\u00e7\u00f5es humanas<\/strong> <em>(leia mais abaixo)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, <em>Onde Vivem os Monstros<\/em> foi lan\u00e7ado pela primeira vez em 2009, pela editora Cosac Naify, que encerrou os trabalhos em 2015. Houve, ainda, uma segunda edi\u00e7\u00e3o, em 2014. Desde ent\u00e3o, o livro s\u00f3 era encontrado em sebos e sempre a pre\u00e7os alt\u00edssimos. O motivo para o livro n\u00e3o ter entrado em outro cat\u00e1logo: o rigor com que, primeiro Sendak e agora a Sendak Foundation, tratam as publica\u00e7\u00f5es das obras <em>(leia mais abaixo)<\/em>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1120\" height=\"420\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/406551010157.jpg\" alt=\"Marco da literatura mundial, &quot;Onde Vivem os Monstros&quot; \u00e9 relan\u00e7ado no Brasil\" class=\"wp-image-54823\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/406551010157.jpg 1120w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/406551010157-768x288.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/406551010157-150x56.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1120px) 100vw, 1120px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9dito: Maurice Sendak &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junto do cl\u00e1ssico da literatura infantil, a Companhia das Letrinhas traz outras duas obras de Sendak: <em>Na<\/em> <em>Cozinha Noturna<\/em> e <em>L\u00e1 Fora, Logo Ali<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confira, a seguir, a conversa com Odilon Moraes sobre a obra <em>Onde Vivem os Monstros:<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Bia Reis: Por que <em>Onde Vivem os Monstros<\/em> \u00e9 considerado um marco na literatura?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Odilon Moraes<\/strong>: Esse livro \u00e9 considerado um paradigma porque \u00e9 um encontro de v\u00e1rios pensamentos. Primeiro, o pensamento do objeto, quer dizer, do livro ilustrado como suporte. Depois, pela forma como texto e imagem se relacionam, como caminham juntos em uma esp\u00e9cie de dan\u00e7a, que \u00e9 uma caracter\u00edstica do livro ilustrado. E tem ainda uma terceira quest\u00e3o, que \u00e9 a pr\u00f3pria literatura infantil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gera\u00e7\u00e3o da qual fazia parte o Sendak n\u00e3o entendia de crian\u00e7as e passou a escrever para elas \u2013 e essa contribui\u00e7\u00e3o acho particularmente incr\u00edvel. At\u00e9 ent\u00e3o, a literatura infantil tinha um porqu\u00ea, seja para o bem ou para o mal. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No s\u00e9culo 17, com Perrault <em>(Charles Perrault, 1628-1703)<\/em>, a literatura infantil come\u00e7ou j\u00e1 fazendo um recorte: isso \u00e9 para crian\u00e7a, isso n\u00e3o \u00e9 para crian\u00e7a; isso \u00e9 adequado, isso n\u00e3o \u00e9 adequado. Era uma literatura que sempre passava por um filtro, fossem os pais, professores ou educadores. Havia um padr\u00e3o que ditava as regras. A turma do Sendak, e ele especificamente, dizia que n\u00e3o sabia o que era trabalhar para crian\u00e7a. E \u2013 olha que incr\u00edvel \u2013 o fato de n\u00e3o saber trouxe de alguma maneira uma inoc\u00eancia, porque n\u00e3o havia julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livro-ilustrado-palavras-imagens-objeto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Livro ilustrado: uma mistura entre palavras, imagens e objeto<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">BR: De que forma o Sendak desafiou a literatura infantil?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OM<\/strong>:<em> Onde Vivem os Monstros<\/em> e os outros dois livros da trilogia desafiaram v\u00e1rios c\u00e2nones da literatura infantil, e um deles \u00e9 n\u00e3o assustar a crian\u00e7a, n\u00e3o falar sobre o medo. Em <em>L\u00e1 Fora, Logo Ali<\/em>, Sendak traz para a hist\u00f3ria um fato real que o atormentou quando crian\u00e7a. Ele lembra de um menino que foi raptado e encontrado morto na floresta. Durante dias, a not\u00edcia foi reportada pelos jornais, e ele se perguntava se isso havia ocorrido com um menino loiro o que poderia acontecer com ele. Sendak era um t\u00edpico garoto do sub\u00farbio, filho de imigrantes. Em seus livros, ele fala sobre a falta de espa\u00e7o para expor os seus medos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>BR: Quero voltar para a dan\u00e7a entre imagens e palavras. Voc\u00ea pode contar como isso acontece em <em>Onde Vivem os Monstros<\/em>?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OM<\/strong>:<em> Onde Vivem os Monstros<\/em> \u00e9 a hist\u00f3ria de um menino muito ativo, que est\u00e1 na fase de querer aprontar, e a m\u00e3e, n\u00e3o aguentando, o manda para o quarto sem comida. Ela diz: vira bicho a\u00ed, para de aprontar. Nesse instante, a crian\u00e7a \u00e9 deixada sozinha com seus conflitos e tem de dar conta, e esse processo tamb\u00e9m ocorre nos dois outros livros da trilogia. Sendak dizia que, na inf\u00e2ncia, n\u00e3o tinha um adulto com quem pudesse conversar. E as coisas que os adultos achavam que n\u00e3o eram coisas de crian\u00e7as simplesmente n\u00e3o eram faladas. Mas as crian\u00e7as sabiam que existiam e iam atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1086\" height=\"652\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Marco-da-literatura-mundial-Onde-Vivem-os-Monstros-e-relancado-no-Brasil-meio1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54831\" style=\"aspect-ratio:1.665644171779141;width:653px;height:auto\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Marco-da-literatura-mundial-Onde-Vivem-os-Monstros-e-relancado-no-Brasil-meio1.jpg 1086w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Marco-da-literatura-mundial-Onde-Vivem-os-Monstros-e-relancado-no-Brasil-meio1-768x461.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Marco-da-literatura-mundial-Onde-Vivem-os-Monstros-e-relancado-no-Brasil-meio1-150x90.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1086px) 100vw, 1086px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Maurice Sendak. Cr\u00e9dito: Foto: James Keyser \/ Divulga\u00e7\u00e3o\/ James Keyser<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No quarto, o menino vai virando uma fera e, a medida em que isso acontece, as imagens v\u00e3o crescendo, ganhando o espa\u00e7o at\u00e9 preencher as p\u00e1ginas duplas, e as palavras v\u00e3o desaparecendo \u2013 \u00e9 como se elas pertencessem ao universo da civiliza\u00e7\u00e3o. Os monstros que aparecem s\u00e3o o pr\u00f3prio Max e, por isso, mesmo com os monstros, ele est\u00e1 sozinho. As p\u00e1ginas da floresta, apesar de n\u00e3o terem texto, s\u00e3o as mais barulhentas. Na hora em que Max deixa de ser monstro ele precisa do outro, e nesse momento a palavra come\u00e7a a voltar. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um livro sobre a rela\u00e7\u00e3o humana. E tem uma coisa bonita \u2013 e isso foi a Carolina <em>(Carolina Moreyra, escritora de livros infantis e esposa do Odilon)<\/em> que percebeu. Voc\u00ea acha que a m\u00e3e est\u00e1 fora da hist\u00f3ria, mas ela n\u00e3o est\u00e1. No final, \u00e9 ela quem deixa o prato de comida quentinha para o filho. A m\u00e3e tamb\u00e9m explodiu, tamb\u00e9m virou bicho e tamb\u00e9m sentiu a falta dele. E, assim como o Max volta para a m\u00e3e, a m\u00e3e tamb\u00e9m volta para o filho. Olha que bonita \u00e9 essa separa\u00e7\u00e3o e esse encontro. Em uma entrevista, Sendak disse que os adultos tamb\u00e9m erram, tamb\u00e9m sofrem com isso e tamb\u00e9m podem voltar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-de-monstros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">9 livros de monstros que as crian\u00e7as precisam conhecer<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>BR: <em>Onde Vivem os Monstros<\/em> foi lan\u00e7ado pela primeira vez em 1963, nos Estados Unidos. Como o livro foi recebido na \u00e9poca?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OM<\/strong>: Ao mesmo tempo em que ganhou a Medalha <em>Caldecott (criada em homenagem ao ilustrador brit\u00e2nico Randolph Caldecott, do s\u00e9culo 19)<\/em>, o livro foi trucidado pelos pares. Uma parte dos autores conhecidos na \u00e9poca dizia que o livro n\u00e3o era para crian\u00e7as, que era um absurdo, que era horr\u00edvel do ponto de vista da rela\u00e7\u00e3o do menino com a m\u00e3e. Como uma m\u00e3e poderia prender um filho e deix\u00e1-lo sem comer?<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"http:\/\/quindim.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"810\" height=\"189\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.jpg\" alt=\"Assine o Clube de Leitura Quindim\" class=\"wp-image-36644\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.jpg 810w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-768x179.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>BR: Apesar de ter sido escrito em um per\u00edodo hist\u00f3rico em que havia poucos estudos sobre o livro ilustrado, Sendak conseguiu fazer um livro t\u00e3o sofisticado&#8230;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OM<\/strong>: N\u00e3o havia, mas, como o pr\u00f3prio Sendak diz, o Caldecott j\u00e1 tinha inventado. Nos anos 1980, o Sendak virou um estudioso do assunto e publicou um livro te\u00f3rico chamado <em>Caldecott e Companhia<\/em> <em>(Caldecott and Co: Notes on Books and Pictures, de 1989)<\/em>, em que ele escreve sobre todos os seus \u00eddolos na ilustra\u00e7\u00e3o. E voc\u00ea v\u00ea como ele j\u00e1 tinha uma perspectiva do trabalho da ilustra\u00e7\u00e3o como escrita. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele fala sobre sequ\u00eancia, sobre como fazer um livro ilustrado \u00e9 pensar num arranjo de sequ\u00eancias, \u00e9 dar ritmo. Quando a ilustra\u00e7\u00e3o vai crescendo em <em>Onde Vivem os Monstros<\/em>, ele est\u00e1 usando essa teoria. O livro ilustrado \u00e9 tempo, n\u00e3o \u00e9 espa\u00e7o. A hist\u00f3ria dura o tempo do livro, ent\u00e3o as imagens tamb\u00e9m v\u00e3o criando o ritmo dentro dessa conta\u00e7\u00e3o. Os primeiros te\u00f3ricos come\u00e7aram a escrever sobre isso nos anos 1970, 80. Mas para o Sendak as aulas j\u00e1 haviam sido dadas pelo Caldecott.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>BR: Apesar de ter sido publicado nos Estados Unidos nos anos 1960, o livro s\u00f3 chegou ao Brasil em 2009. Como foi a repercuss\u00e3o de uma obra t\u00e3o importante por aqui?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OM<\/strong>: Eu tenho uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s disso, de bastidores. O livro chegou pela Cosac<em> (editora Cosac Naify, 1996-2015)<\/em> em uma \u00e9poca em que eu estava muito pr\u00f3ximo do Augusto <em>(Augusto Massi, editor-chefe)<\/em>. Eles iam publicar o livro<em> Para Ler o Livro Ilustrado<\/em>, da Sophie Van der Linden, e foram me consultar. Falei que o livro era maravilhoso, mas havia um problema: usava como exemplos livros que n\u00e3o t\u00ednhamos no Brasil. Como a gente iria publicar um livro sobre livros usando exemplos que n\u00e3o temos, que a gente n\u00e3o conhece? Augusto me disse ent\u00e3o: vamos publicar os cl\u00e1ssicos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma esp\u00e9cie de consultoria, fiz uma lista de autores estrangeiros importantes para o livro ilustrado e de suas principais obras. Coloquei v\u00e1rios, e <em>Onde Vivem os Monstros<\/em> estava nessa lista. Contei tamb\u00e9m que uma amiga havia traduzido o livro para a Companhia das Letrinhas, mas que a publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o sa\u00edra por causa do papel. O Sendak n\u00e3o havia aceitado o papel. A Cosac ent\u00e3o foi atr\u00e1s para publicar. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E houve ent\u00e3o uma grande coincid\u00eancia. Chegou a not\u00edcia de que haveria a estreia do filme <em>Onde Vivem os Monstros<\/em> no Brasil, no mesmo ano. Pode parecer que o livro foi publicado para aproveitar a chegada do filme, mas n\u00e3o foi isso. Fizeram uma grande tiragem, de 15 mil exemplares \u2013 o comum eram 3 mil \u2013, e esgotou. A Bel <em>(Isabel Lopes Coelho, ent\u00e3o editora do n\u00facleo infantil e juvenil da Cosac)<\/em> brinca que a gente publicou um livro do Sendak e que precisar\u00edamos fazer um livro sobre como publicar um livro do Sendak <em>(risos)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>BR: Por fim, Odilon, qual livro ilustrado brasileiro teve aqui um papel t\u00e3o importante como <em>Onde Vivem os Monstros<\/em>?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OM<\/strong>: Na l\u00edngua inglesa, o livro ilustrado tem dois importantes marcos: o primeiro boom, no s\u00e9culo 19, e o segundo, nos anos 1960. \u00c9 como se fossem duas \u00e9pocas de ouro. Sendak disse uma das coisas mais bonitas que j\u00e1 ouvi de um autor. Ele descobriu que o livro ilustrado era o seu territ\u00f3rio, era onde ele ganhava ou perdia suas guerras. Para alguns, o territ\u00f3rio de batalha, de resist\u00eancia, \u00e9 a fotografia, a dan\u00e7a; para ele, era o livro ilustrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, eu destacaria o Ziraldo, com <em>Flicts (1969)<\/em>, embora ele n\u00e3o tenha uma consci\u00eancia desse territ\u00f3rio, como o Sendak teve. Ziraldo nunca se denominou como autor de livros ilustrados, mas sim cartunista. Mas, para mim, o <em>Flicts<\/em> foi uma experi\u00eancia fundante. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m coloco como fundamental no Brasil <em>o Ida e Volta<\/em> <em>(1976)<\/em>, do Juarez Machado, um livro s\u00f3 de imagens. Mais para frente temos muitos outros livros, muitos outros autores:<em> Vizinho, Vizinha (Roger Mello, Gra\u00e7a Lima e Mariana Massarani, 2002)<\/em>, o <em>B\u00e1rbaro (Renato Moriconi, 2013)<\/em>, muitas obras da Angela-Lago. H\u00e1 cl\u00e1ssicos contempor\u00e2neos como temos os cl\u00e1ssicos dos anos 1960. O que ainda n\u00e3o temos \u00e9 essa hist\u00f3ria escrita. Talvez a hist\u00f3ria do livro no Brasil ainda tenha de apontar esses marcos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"810\" height=\"189\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg\" alt=\"Assine o clube quindim\" class=\"wp-image-38121\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg 810w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-768x179.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>\u201cEra como uma cartinha em uma garrafa jogada ao oceano\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Limita\u00e7\u00e3o de papel, em qualidade e quantidade, e padr\u00e3o de impress\u00e3o das ilustra\u00e7\u00f5es. Essas foram algumas das dificuldades enfrentadas pelas editoras Cosac Naify e Companhia das Letrinhas, que trouxeram as obras de Maurice Sendak para o Brasil. Relatos de rigor na aprova\u00e7\u00e3o s\u00e3o comuns. E a alegria de publicar livros de um autor t\u00e3o importante tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Publisher <\/em>de conte\u00fado da \u00e1rea de Literatura na FTD Educa\u00e7\u00e3o, Isabel Lopes Coelho era editora do n\u00facleo infantil e juvenil da Cosac quando <em>Onde Vivem os Monstros<\/em> foi publicado pela primeira vez, em 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHavia o mito de que o autor era muito exigente, que selecionava as editoras que iriam publicar seus livros. Falei, bom, vamos arriscar. Tinha um contato na editora dele e passamos a conversar. Ficou claro no in\u00edcio que n\u00e3o era uma quest\u00e3o financeira, o quanto pagar\u00edamos pela licen\u00e7a, mas sim de qualidade\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isabel percebeu que Sendak teria de conhecer a Cosac, os livros publicados, e entender por que o dele era importante para a editora. \u201cA cada seis meses eu fazia uma caixa com as obras publicadas, escrevia uma carta e mandava para ele. Era como uma cartinha em uma garrafa jogada ao oceano. Nunca tive resposta. Esse de seis em seis meses demorou quatro anos. Um dia cheguei para trabalhar e abri um e-mail que dizia que o Sendak tinha topado iniciar uma negocia\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi f\u00e1cil. Ele queria que todo o processo gr\u00e1fico fosse acompanhado e que a Cosac usasse o material original, um papel espec\u00edfico, lombada da capa em tecido<\/strong>. \u201cIsso foi bem dif\u00edcil. \u00c9ramos uma editora brasileira com recursos limitados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra dificuldade \u00e9 que a editora de Sendak n\u00e3o enviou o arquivo digital \u2013 forma como as editoras brasileiras j\u00e1 trabalhavam na \u00e9poca. Resolvida a quest\u00e3o, ap\u00f3s indas e vindas e provas, a edi\u00e7\u00e3o foi aprovada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFoi uma satisfa\u00e7\u00e3o muito grande para toda a equipe da Cosac. Foi um investimento de tempo e recursos, especialmente a primeira tiragem. <strong>Eu ficava torcendo para que as pessoas entendessem o que significava o livro e gostassem da leitura, porque, no fim, \u00e9 isso que importa<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">Estante Quindim<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a a nova edi\u00e7\u00e3o do livro <em>Onde Vivem os Monstros<\/em> j\u00e1 enviada pelo Clube Quindim.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/OndeVivemMonstros_CapaTransparente-e1701709912660-300x300.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-55929\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/OndeVivemMonstros_CapaTransparente-e1701709912660-300x300.png 300w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/OndeVivemMonstros_CapaTransparente-e1701709912660-150x150.png 150w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/OndeVivemMonstros_CapaTransparente-e1701709912660-100x100.png 100w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/OndeVivemMonstros_CapaTransparente-e1701709912660-24x24.png 24w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/OndeVivemMonstros_CapaTransparente-e1701709912660-48x48.png 48w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/OndeVivemMonstros_CapaTransparente-e1701709912660-96x96.png 96w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/onde-vivem-os-monstros\/maurice-sendak\/9786581776763\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Onde Vivem os Monstros<\/a><\/em>, de Maurice Sendak<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grande cl\u00e1ssico &#8220;Onde Vivem os Monstros&#8221; conta com nova edi\u00e7\u00e3o no Brasil. 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