{"id":54584,"date":"2023-10-11T15:01:06","date_gmt":"2023-10-11T18:01:06","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=54584"},"modified":"2025-05-21T05:52:17","modified_gmt":"2025-05-21T08:52:17","slug":"nise-da-silveira-medica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/nise-da-silveira-medica\/","title":{"rendered":"Nise da Silveira: a m\u00e9dica que desafiou a crueldade da psiquiatria do s\u00e9culo XX"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Filha de Lampi\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nascida em Olinda, capital de Alagoas, em 15 de fevereiro de 1905, Nise Magalh\u00e3es da Silveira era filha \u00fanica de um jornalista e professor e de uma pianista. Sua casa era um centro permanente de reuni\u00f5es de pessoas ligadas \u00e0 cultura local. Nise recebeu uma educa\u00e7\u00e3o fora dos padr\u00f5es de sua \u00e9poca, e foi, <strong>desde muito cedo, incentivada por seus pais a se dedicar a atividades criativas, de cunho art\u00edstico ou acad\u00eamico<\/strong>. Muito em fun\u00e7\u00e3o disso, aos 15 anos entrou para a Escola de Medicina da Bahia, localizada em Salvador. Formou-se em 1926, e a fotografia de formatura impressiona: ela \u00e9 a \u00fanica mulher entre 75 formandos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"503\" height=\"340\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Nise-da-Silveira-a-medica-que-desafiou-a-crueldade-da-psiquiatria-do-seculo-XX-meio2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54588\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Nise-da-Silveira-a-medica-que-desafiou-a-crueldade-da-psiquiatria-do-seculo-XX-meio2.jpg 503w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Nise-da-Silveira-a-medica-que-desafiou-a-crueldade-da-psiquiatria-do-seculo-XX-meio2-150x101.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 503px) 100vw, 503px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9dito: Gazeta Vargas<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nise resolve mudar-se para o Rio de Janeiro ap\u00f3s o falecimento de seu pai e especializa-se em Neurologia. Presta concurso e passa a ser funcion\u00e1ria p\u00fablica do Hospital da Praia Vermelha, como era conhecido o Hospital Pedro II, localizado no bairro da Urca. Ali, no ano de 1936, Nise foi v\u00edtima de uma dela\u00e7\u00e3o. Os livros que deixara sobre sua mesa de trabalho chamaram a aten\u00e7\u00e3o de uma das enfermeiras, e ela foi denunciada, indiciada e presa pela pol\u00edcia pol\u00edtica do governo ditatorial de Get\u00falio Vargas. Seu crime foi possuir volumes sobre o regime comunista. Por esse suposto delito, Nise foi detida primeiro no Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social, o DEOPS, e depois, no Pres\u00eddio Lemos de Brito, na rua Frei Caneca, Rio de Janeiro. Com outros cientistas, professores e intelectuais, Nise ficou presa por 455 dias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Mem\u00f3rias do C\u00e1rcere<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Graciliano Ramos e Olga Ben\u00e1rio Prestes tamb\u00e9m estiveram ali. Essa \u00faltima, gr\u00e1vida de Anita Leoc\u00e1dia Prestes, e que foi deportada para Alemanha nazista, escoltada por oficiais da GESTAPO, vindo a dar \u00e0 luz numa pris\u00e3o em Berlim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses 455 dias, embora tenham sido muito pouco referidos pela pr\u00f3pria Nise, acabaram <strong>tema de duas publica\u00e7\u00f5es important\u00edssimas<\/strong>, de cunho biogr\u00e1fico: <em>Mem\u00f3rias do C\u00e1rcere<\/em>, de Graciliano Ramos, e <em>Olga<\/em>, do jornalista Fernando de Morais. Graciliano fala em Nise 46 vezes no decorrer da hist\u00f3ria, registrando a serena resist\u00eancia, a disposi\u00e7\u00e3o permanente de auxiliar os demais detentos com seu conhecimento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao ser recolhida \u00e0 pris\u00e3o, Nise ficou numa sala imunda, na companhia de homens detidos por latroc\u00ednio e outros crimes nada pol\u00edticos, e confrontou seus carcereiros, perguntando por que estava ali, se havia espa\u00e7os naquela deten\u00e7\u00e3o para mulheres na mesma situa\u00e7\u00e3o obscura de terem cometido \u201ccrime de subvers\u00e3o\u201d. Foi assim que Nise foi parar na Sala 4, tamb\u00e9m conhecida como Sala das Damas, onde conheceu Olga Ben\u00e1rio Prestes, Elise Ewert, e reencontrou a amiga Maria Werneck.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A tortura f\u00edsica era bastante comum nos por\u00f5es da ditadura Vargas<\/strong>, e algumas das v\u00edtimas que estiveram encarceradas na Frei Caneca foram atendidas por Nise ali mesmo, nas celas apertadas, infestadas por ratazanas, percevejos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Elise Ewert foi duramente torturada, e nunca se recuperou daquelas sess\u00f5es de horror, sendo acareada <a href=\"https:\/\/webcache.googleusercontent.com\/search?q=cache:sR4VfC3bUe8J:https:\/\/revistas.marilia.unesp.br\/index.php\/aurora\/article\/view\/1250\/1117&amp;cd=13&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;gl=br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">por policiais treinados pelos oficiais da GESTAPO<\/a> que o regime Vargas convidou a treinar os agentes do DEOPS. Nise recorda com horror dos relatos da jovem militante, que voltava dessas sess\u00f5es, que aconteciam com hora marcada, sempre no meio da noite, com marcas de queimaduras, hematomas e outros ferimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os alimentos servidos eram preparados pelos presos, mas Nise mal comia. Feij\u00e3o velho, arroz com vermes, carne estragada. A manuten\u00e7\u00e3o e limpeza desses espa\u00e7os degradantes eram providenciadas pelos pr\u00f3prios detentos. <strong>Nise e outras presas organizavam atividades f\u00edsicas, grupos de estudo e de conversa, para manter elevada a moral do grupo, e usavam dos poucos recursos de que dispunham para tornar a vida na pris\u00e3o mais humanizada<\/strong>. Entretanto, nada disso foi capaz de manter sua sa\u00fade e ela chegou a escrever uma carta ao diretor da pris\u00e3o, solicitando ser transferida, nem que fosse para um hospital para indigentes, pois sua sa\u00fade se deteriorava cada vez mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De Nise, sobre esses 455 dias de pris\u00e3o brutal e injusta, ficou uma frase: \u201cna cadeia desenvolvi a mania da liberdade\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"810\" height=\"189\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg\" alt=\"Assine o clube quindim\" class=\"wp-image-38121\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg 810w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-768x179.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Liberdade vigiada<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 21 de junho de 1937, finalmente, Nise foi libertada, pois contra ela pesava apenas a den\u00fancia vaga de subvers\u00e3o, sem quaisquer provas corroboradoras. Nise n\u00e3o chegou a filiar-se ao Partido Comunista, no breve per\u00edodo em que este ganhou legalidade no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabe-se hoje que ela continuou sendo investigada pelo DEOPS por muitos anos, mesmo ap\u00f3s a soltura por falta de provas. Abaixo, trechos do relat\u00f3rio sobre ela:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-vertical is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-4fc3f8e1 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Psiquiatra, foi signat\u00e1ria do apelo das mulheres da Am\u00e9rica Latina ao dar seu apoio e colabora\u00e7\u00e3o \u00e0 \u2018Confer\u00eancia Latino-Americana de Mulheres\u2019, que se realizaria em 27 de agosto de 1954, na Capital Federal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>M\u00e9dica psiquiatra que, segundo a \u2018Imprensa Popular\u2019 de 17 de abril de 1955, foi uma das signat\u00e1rias da \u2018Convoca\u00e7\u00e3o do Congresso Internacional de M\u00e3es<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>M\u00e9dica que, segundo a \u2018Imprensa Popular\u2019 de 25 de mar\u00e7o de 1956, foi uma das signat\u00e1rias da \u2018Mensagem\u2019 lan\u00e7ada pela \u2018Comiss\u00e3o Nacional Feminina pela Anistia\u2019, conclamando a mulher brasileira a apoiar o projeto de anistia<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o sem motivos, portanto, Nise optou por fazer uma esp\u00e9cie de autoex\u00edlio, saindo do Rio de Janeiro, onde era constantemente vigiada, para voltar ao Nordeste, tendo passado tamb\u00e9m um per\u00edodo no Norte do pa\u00eds, inc\u00f3gnita, e aproveitando o per\u00edodo para se dedicar ao estudo da filosofia de Spinoza.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1170\" height=\"730\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Nise-da-Silveira-a-medica-que-desafiou-a-crueldade-da-psiquiatria-do-seculo-XX-meio3-1170x730.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54590\" style=\"width:547px;height:341px\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9dito: autores desconhecidos\/arquivo Nise da Silveira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final do per\u00edodo ditatorial da Era Vargas, Nise foi anistiada e p\u00f4de retomar seu trabalho no hospital, que j\u00e1 n\u00e3o mais estava funcionando na Praia Vermelha. A presen\u00e7a de um hospital para \u201calienados\u201d como aquele num bairro cada vez mais gentrificado, como foi o caso da Urca, acabou por se tornar um problema, e em 1943 a transfer\u00eancia foi efetivada para o Engenho de Dentro, em Jacarepagu\u00e1, e foi l\u00e1 que Nise reassumiu o cargo anterior.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>A psiquiatria no s\u00e9culo XX<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os problemas, entretanto, n\u00e3o paravam de se acumular, pois <strong>Nise foi exposta \u00e0s novas tend\u00eancias de tratamento, consideradas por seus colegas o suprassumo da modernidade<\/strong>. No Engenho de Dentro estavam internados cerca de 2.500 pacientes, muitos destes considerados incur\u00e1veis, pessoas internadas h\u00e1 tempo demais numa institui\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica. Do exterior, vinham not\u00edcias de novos protocolos, como o eletrochoque terap\u00eautico e a lobotomia, utilizados sobretudo em pacientes cr\u00f4nicos. O eletrochoque surgiu como uma forma de destruir mem\u00f3rias consideradas perniciosas, das quais os pacientes n\u00e3o eram capazes de se desvencilhar, e que potencialmente conduziriam ao del\u00edrio ou ao surto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ser submetido ao eletrochoque, o paciente era imobilizado em uma maca, tinha a l\u00edngua protegida por uma tira de pano ou um peda\u00e7o de madeira e era exposto por alguns segundos a um choque de voltagem alta. Al\u00e9m da dor, ocorre a perda da mem\u00f3ria, comprometimento cognitivo, e o pior: n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o de que esses efeitos n\u00e3o se tornem permanentes. <a href=\"https:\/\/cee.fiocruz.br\/?q=Nova-revisao-destaca-os-perigos-da-terapia-eletroconvulsiva\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">A FIOCRUZ publicou artigo, em 2019<\/a>, destacando os riscos e a aus\u00eancia de efic\u00e1cia comprovada do tratamento, mas, em 1944, tratava-se de uma condu\u00e7\u00e3o un\u00e2nime entre m\u00e9dicos psiquiatras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a lobotomia, que foi largamente utilizada nos Estados Unidos e no Reino Unido durante as d\u00e9cadas de 40 e 50 do s\u00e9culo passado, consistia numa interven\u00e7\u00e3o em que o m\u00e9dico utilizava um objeto pontiagudo para inutilizar os lobos frontais do paciente. A terapia foi incensada n\u00e3o apenas por m\u00e9dicos e outros profissionais da sa\u00fade mental, mas foi proclamada tamb\u00e9m pela m\u00eddia como uma <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-56147209\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">\u201ccura da alma\u201d, como sugeriu o prestigiado jornal americano The New York Times.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O procedimento foi registrado in\u00fameras vezes, e \u00e9 f\u00e1cil acessar online imagens de como era conduzido, sem quaisquer cuidados de assepsia. As imagens mostram os profissionais empunhando a ferramenta sem luvas, e na presen\u00e7a de grupos de estudantes de medicina, enfermeiros e curiosos sem m\u00e1scara. Apenas um m\u00e9dico, o norte americano Walter Freeman, que ficou famoso por usar picadores de gelo para lobotomizar seus pacientes, foi respons\u00e1vel pela realiza\u00e7\u00e3o da lobotomia em cerca de 3.500 pacientes, incluindo 19 crian\u00e7as, sendo que a mais jovem delas contava com apenas 4 anos de idade no momento da interven\u00e7\u00e3o. Para que se tenha no\u00e7\u00e3o da proje\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada por esse m\u00e9dico, at\u00e9 mesmo Rosemary Kennedy, irm\u00e3 de John e Robert Fitzgerald Kennedy, futuros presidente e senador da Rep\u00fablica dos Estados Unidos, foi lobotomizada por Freeman.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/saude-mental-infantil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A import\u00e2ncia da sa\u00fade mental infantil: como est\u00e3o seus pequenos?<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Rebeldia<\/strong><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"860\" height=\"570\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Nise-da-Silveira-a-medica-que-desafiou-a-crueldade-da-psiquiatria-do-seculo-XX-meio1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54586\" style=\"width:520px;height:345px\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Nise-da-Silveira-a-medica-que-desafiou-a-crueldade-da-psiquiatria-do-seculo-XX-meio1.jpeg 860w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Nise-da-Silveira-a-medica-que-desafiou-a-crueldade-da-psiquiatria-do-seculo-XX-meio1-768x509.jpeg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Nise-da-Silveira-a-medica-que-desafiou-a-crueldade-da-psiquiatria-do-seculo-XX-meio1-150x99.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9dito: Arquivo Nise da Silveira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voltando ao trabalho no hospital, Nise deparou-se com esse quadro sinistro, e recusou-se terminantemente a tomar parte, qualquer que fosse, daquilo que considerava tortura<\/strong>. A m\u00e9dica chegou a referir-se ao procedimento da lobotomia como uma decapita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao ser instada pela primeira vez a pressionar o bot\u00e3o da m\u00e1quina de indu\u00e7\u00e3o de choque, Nise externou sua opini\u00e3o e recusou obedecer, e foi essa atitude que a levou a ser transferida para o setor de Terapia Ocupacional do hospital, o que era considerado um castigo por seus superiores, dado o abandono do departamento. As atividades que eram desenvolvidas at\u00e9 a chegada de Nise resumiam-se a limpeza de latrinas, lavagem de roupas e outras tarefas de autoconsumo, ligadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do hospital, e os pacientes envolvidos nessas tarefas eram \u201crecompensados\u201d com pequenas quantias em dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A presen\u00e7a de Nise tudo mudou.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>A revolu\u00e7\u00e3o pelo afeto<\/strong> de Nise da Silveira<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste departamento, com pessoas consideradas irrecuper\u00e1veis, desprovidas de intelig\u00eancia, incapazes de quaisquer realiza\u00e7\u00f5es, <strong>Nise construiu a revolu\u00e7\u00e3o pelo afeto<\/strong>. Come\u00e7ou por amealhar com amigos e funcion\u00e1rios do hospital materiais que pudessem ser usados pela sua <em>clientela<\/em>, como passou a cham\u00e1-los: tinta, pinc\u00e9is, l\u00e1pis, telas, pap\u00e9is, tecidos e fios, argila e ferramentas para modelagem, e <strong>criou, a partir de sua vontade e do p\u00f3 da ala de Terapia Ocupacional, nada menos que 17 oficinas de cria\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra ferramenta utilizada por Nise no Engenho de Dentro foi oportunizar a seus clientes o contato cotidiano com os gatos que viviam no hospital. Convencida de que a cura t\u00e3o buscada n\u00e3o poderia prescindir do aporte do afeto, Nise considerou que o contato com os mansos gatinhos que frequentavam os ateli\u00eas seria um excelente ensaio para o <strong>estabelecimento de relacionamentos afetivos complexos<\/strong>. Os gatos faziam parte do ambiente do hospital, e funcionavam como catalizadores de afeto, assim como os monitores, os t\u00e9cnicos e a pr\u00f3pria Nise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os clientes que frequentavam a ala de Terapia Ocupacional passaram a ser observados cotidianamente por ela, durante o processo criativo de desenhos, pinturas, esculturas e bordados. Ela os arguia a respeito de suas produ\u00e7\u00f5es, incentivando-os e demonstrando imenso interesse naquele discurso visual, que partia de indiv\u00edduos embrutecidos pelo encarceramento, pela inatividade e pela conviv\u00eancia degradada no hospital. Sua primeir\u00edssima conclus\u00e3o foi a de que, de fato, n\u00e3o eram pacientes, mas indiv\u00edduos cujo potencial criativo havia sido estra\u00e7alhado pela dureza do tratamento psiqui\u00e1trico, mas que ao menor est\u00edmulo mostravam-se prontos a desvelar-se. <strong>Esquizofr\u00eanicos catat\u00f4nicos, pessoas que n\u00e3o eram capazes de elaborar um discurso verbal que elucidasse os muitos estados do ser, produziam ali um discurso visual <\/strong>cuja beleza chamou a aten\u00e7\u00e3o de artistas pl\u00e1sticos como Almir Mavignier, cr\u00edticos de arte do peso de M\u00e1rio Pedrosa e Ferreira Gullar. A leitura dessas imagens possibilitou a Nise a oportunidade de estudar o inconsciente que o hosp\u00edcio calava. Atrav\u00e9s dessa pesquisa, Nise teve acesso \u00e0quilo que denominava os inumer\u00e1veis estados do ser.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/a-importancia-do-tedio-para-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A import\u00e2ncia do t\u00e9dio para a sa\u00fade e a criatividade<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os raros pesquisadores que se debru\u00e7aram sobre a produ\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/a-importancia-da-pintura-na-educacao-infantil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">desenhos, pinturas e outras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas<\/a> de pessoas em sofrimento mental n\u00e3o registraram o desenvolvimento gr\u00e1fico desses processos de cria\u00e7\u00e3o. Nise realizou no Engenho de Dentro a comprova\u00e7\u00e3o material de que a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 capaz de promover processos de cura, de autocompreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros s\u00e3o impactantes. Adelina Gomes, considerada agressiva e de alta periculosidade, exposta ao tratamento na ala de terapia ocupacional, produziu 17.500 obras, entre desenhos, pinturas e modelagens. <strong>O caso dela \u00e9 considerado um dos casos mais bem estudados pela Psiquiatria em todo o mundo. Adelina saiu de uma reclus\u00e3o em solit\u00e1ria para ser uma das estrelas do departamento conduzido por Nise<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo observado que alguns de seus clientes estavam produzindo imagens circulares semelhantes \u00e0s mandalas das religi\u00f5es orientais, Nise enviou uma carta ao Dr. Carl Gustav Jung, que pesquisava aspectos do inconsciente coletivo, e que se repetiam em muitas culturas. <strong>A carta de Nise causou perplexidade, mas sobretudo muita curiosidade sobre o m\u00e9todo interdisciplinar que estava sendo criado no Brasil, e Nise foi convidada a participar do II Congresso de Psiquiatria, que aconteceu na Su\u00ed\u00e7a em 1957, e a trazer para expor os trabalhos de seus clientes<\/strong>. Mais de 200 obras foram expostas nessa ocasi\u00e3o, e causaram grande como\u00e7\u00e3o entre os participantes. <strong>Carl Jung afirmou que Nise tinha sido capaz de registrar, atrav\u00e9s das propostas das oficinas de terapia ocupacional, imagens do inconsciente de seus clientes, oportunizando a eles a possibilidade de sair da passividade de um sofrimento mental, de uma conten\u00e7\u00e3o hospitalar muitas vezes mantida por d\u00e9cadas, para a liberdade do movimento criador<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi para dar abrigo a milhares de trabalhos realizados no hospital que foi criado o Museu do Inconsciente. A institui\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela prote\u00e7\u00e3o e curadoria de exposi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o realizadas ali. Nenhum dos trabalhos dos clientes jamais foi posto a venda, e Nise afirmava a cada vez que surgia uma inten\u00e7\u00e3o de mercantilizar essa produ\u00e7\u00e3o que jamais permitiria que deixassem o Museu, pois ali poder\u00e3o ser sempre visitados por m\u00e9dicos psiquiatras, psic\u00f3logos e outros profissionais interessados em compreender como podem se expressar os m\u00faltiplos estados do ser, e como o contato com a Arte e suas linguagens pode constituir um movimento potente no sentido da cura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nise criou tamb\u00e9m um espa\u00e7o fora do hospital para que egressos do Engenho de Dentro pudessem ter acesso a oficinas de cria\u00e7\u00e3o, pois percebeu que muitos daqueles que recebiam alta por conta de melhoras em seu quadro cl\u00ednico, em fun\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia interdisciplinar criada por ela acabavam por ter recidivas, sendo novamente conduzidos ao hospital. A Casa das Palmeiras nasceu em 1956, para que <strong>mesmo ap\u00f3s a alta, esses egressos pudessem continuar<\/strong> <strong>participando de oficinas de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, vivendo com seus familiares, fora do ambiente do hospital<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/defenda-o-sus-importancia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Defenda o SUS: 12 motivos para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade ser indispens\u00e1vel<\/a>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"http:\/\/quindim.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"1170\" height=\"405\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.png\" alt=\"Assine o Clube de Leitura Quindim\" class=\"wp-image-41460\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.png 1170w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-768x266.png 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-150x52.png 150w\" sizes=\"(max-width: 1170px) 100vw, 1170px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Legado: a arteterapia como possibilidade terap\u00eautica<\/strong> <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A leitura das imagens produzidas pelos clientes de Nise deram acesso \u00e0 psiqu\u00ea de pessoas que durante toda a hist\u00f3ria da psiquiatria n\u00e3o tiveram voz para colocar-se enquanto sujeitos de seus processos mentais. Suas falas, truncadas pela confus\u00e3o e transtorno do surto e do del\u00edrio, frequentemente eram consideradas in\u00fateis ao processo de tratamento. <strong>A possibilidade da cura, de uma retomada da vida em sociedade, era considerada uma utopia<\/strong>. Somente a manuten\u00e7\u00e3o da exclus\u00e3o, nos dep\u00f3sitos de gente em que se transformaram os manic\u00f4mios e os hosp\u00edcios, era considerada a \u00fanica possibilidade para eles. <strong>Nise, com sua rebeldia e com sua mania de liberdade, salvou e salva todos os dias, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas no mundo todo, pessoas que adoecem e carregam o estigma da doen\u00e7a mental<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hoje, a arteterapia e a leitura das imagens produzidas em oficinas, em departamentos de terapia ocupacional, em consult\u00f3rios psiqui\u00e1tricos e ambulat\u00f3rios para a sa\u00fade mental s\u00e3o uma realidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2022\/05\/25\/bolsonaro-veta-titulo-de-heroina-da-patria-para-nise-da-silveira\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">O nome de Nise da Silveira foi vetado pelo ex-presidente, agora ineleg\u00edvel, Jair Bolsonaro, para compor a lista dos her\u00f3is da p\u00e1tria, publicada em livro no ano passado<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Seu legado, entretanto, segue intocado, imenso e avan\u00e7ando para al\u00e9m dos limites dos hospitais psiqui\u00e1tricos em todo o mundo<\/strong>. A arteterapia \u00e9 uma ferramenta cientificamente validada, utilizada em institui\u00e7\u00f5es para promover o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida em todo o mundo, e essa possibilidade s\u00f3 p\u00f4de ser materializada porque essa alagoana magn\u00edfica, que n\u00e3o se deixou abater pela ditadura, pela misoginia, por preconceitos e ignor\u00e2ncia, insistiu na ci\u00eancia e nas possibilidades da cura atrav\u00e9s do afeto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">Estante Quindim<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a 2 livros para refletir sobre a loucura:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"260\" height=\"184\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Livros-maravilhosos-para-ler.-Capa-do-livro-Ismalia.jpg\" alt=\"Ism\u00e1lia (escritor Alphonsus de Guimaraens, ilustrador Odilon Moraes, editora SESI-SP)\" class=\"wp-image-25053\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain;width:294px;height:undefinedpx\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/ismalia\/alphonsus-de-guimaraens\/9788550405612\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Ism\u00e1lia<\/em><\/a><\/em>, de Alphonsus de Guimaraens e Odilon Moraes<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"473\" height=\"462\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ARainhaLouca_CapaTransparente-e1697026763499.png\" alt=\"A rainha louca! louca! louca! (autora Anabella L\u00f3pez, editora Aletria)\" class=\"wp-image-54607\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:contain;width:283px;height:undefinedpx\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ARainhaLouca_CapaTransparente-e1697026763499.png 473w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ARainhaLouca_CapaTransparente-e1697026763499-24x24.png 24w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ARainhaLouca_CapaTransparente-e1697026763499-48x48.png 48w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ARainhaLouca_CapaTransparente-e1697026763499-150x147.png 150w\" sizes=\"(max-width: 473px) 100vw, 473px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A rainha louca! louca! louca! <\/em>de Anabella L\u00f3pez<\/figcaption><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saiba quem foi Nise da Silveira, criadora de uma metodologia interdisciplinar para o tratamento de pessoas em sofrimento mental cr\u00f4nico, e que fundou a arteterapia como ferramenta terap\u00eautica no Brasil e no mundo.<\/p>\n","protected":false},"author":76,"featured_media":54586,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[509,514],"tags":[],"class_list":["post-54584","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-educacao-familia"],"acf":{"posts_relacionados":""},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/76"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54584"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54584\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}