{"id":53579,"date":"2023-09-12T16:48:58","date_gmt":"2023-09-12T19:48:58","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=53579"},"modified":"2025-05-21T05:52:25","modified_gmt":"2025-05-21T08:52:25","slug":"conto-popular-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/conto-popular-no-brasil\/","title":{"rendered":"O conto popular no Brasil: a extraordin\u00e1ria Luzia Teresa e os autores contempor\u00e2neos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste artigo, o pesquisador Marco Haur\u00e9lio traz a hist\u00f3ria do conto popular brasileiro ao s\u00e9culo 20. Confira tamb\u00e9m a <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/conto-popular-no-brasil-primeiros-registros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">primeira parte do artigo<\/a> para entender toda a trajet\u00f3ria desse g\u00eanero liter\u00e1rio em nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>A for\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o <\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No campo da pesquisa e divulga\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o oral, a partir da d\u00e9cada de 1950, sobressa\u00edram-se o padre Alu\u00edsio de Almeida, pseud\u00f4nimo de Lu\u00eds Castanho de Almeida (1904-1981), com <em>50 Contos de S\u00e3o Paulo<\/em> (1947), <em>142 Hist\u00f3rias Brasileiras<\/em> (1951) e <em>Contos do Povo Brasileiro<\/em>, e Waldemar Igl\u00e9sias Fernandez (?-1998), <em>82 Est\u00f3rias Populares Colhidas em Piracicaba<\/em> (1967), Oswaldo Elias Xidieh (1915-2001), <em>Narrativas Pias Populares<\/em> (1967), al\u00e9m do precursor Amadeu Amaral (1875-1929), com <em>Tradi\u00e7\u00f5es Populares<\/em>, livro publicado postumamente, que traz um alentado estudo sobre Pedro Malasartes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda em S\u00e3o Paulo, ressalta-se Ruth Guimar\u00e3es (1920-2014), que reuniu alguns contos populares em seu erudito estudo <em>Os Filhos do Medo<\/em> (1950), sobre a presen\u00e7as de entidades malfazejas no folclore vale-paraibano. <strong>Ruth escreveu ainda uma colet\u00e2nea de hist\u00f3rias infantojuvenis, <\/strong><em>Lendas e F\u00e1bulas do Brasil<\/em><strong>, mas, nesta obra, \u00e9 percept\u00edvel a reelabora\u00e7\u00e3o dos contos, talvez recolhidos por ela ou reescritos a partir das colet\u00e2neas de Alu\u00edsio de Almeida e Jo\u00e3o da Silva Campos<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ruth-guimaraes-foto-arquivo-pessoal.webp\" alt=\"Conto popular no Brasil: Mulher ao ar livre sorrindo.\" class=\"wp-image-53581\" style=\"width:570px;height:351px\" width=\"570\" height=\"351\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ruth-guimaraes-foto-arquivo-pessoal.webp 774w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ruth-guimaraes-foto-arquivo-pessoal-768x473.webp 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ruth-guimaraes-foto-arquivo-pessoal-150x92.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ruth Guimar\u00e3es. Cr\u00e9dito: Terra\/Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta lista n\u00e3o entra Monteiro Lobato (1882-1948), com as <em>Est\u00f3rias de Tia Nast\u00e1cia<\/em>, quase todas copiadas de S\u00edlvio Romero, mantendo-se inclusive os t\u00edtulos, mesmo de contos incomuns como <em>Doutor Botelho<\/em>, <em>A Fonte das Tr\u00eas Comadres<\/em>, <em>A Rainha que Saiu do Mar <\/em>etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra obra que raspa o tacho de S\u00edlvio Romero, embora as atribua a uma narradora de carne e osso, e n\u00e3o uma personagem fict\u00edcia, \u00e9 <em>Hist\u00f3rias da Velha Tot\u00f4nia<\/em>, do consagrado escritor paraibano Jos\u00e9 Lins do Rego (1901-1957). Embora alongadas e floreadas, percebe-se, de cara, que <em>O Macaco M\u00e1gico<\/em> \u00e9 um aproveitamento do <em>Doutor Botelho<\/em> (inclusive, \u00e9 assim nomeado na hist\u00f3ria); <em>A Cobra Que Era uma Princesa<\/em> (<em>Dona Labismina<\/em>), <em>O Pr\u00edncipe Pequeno<\/em> (<em>O Homem Pequeno<\/em> em Romero, com o nome da hero\u00edna mudado de Guimara para Guimarra) e <em>O Sargento Verde<\/em>, que mant\u00e9m o t\u00edtulo original, s\u00e3o prova de que Velha Tot\u00f4nia, como se diz por a\u00ed, entrou no livro \u201ccomo Pilatos no <em>Credo<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existiu, no entanto, uma narradora que n\u00e3o goza da mesma fama da inventada Tia Nast\u00e1cia ou da reinventada Tot\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/conto-popular-no-brasil-primeiros-registros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O conto popular no Brasil: influ\u00eancias estrangeiras e os primeiros registros brasileiros<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>A extraordin\u00e1ria Luzia Teresa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Luzia Teresa dos Santos nasceu e morreu pobre e, n\u00e3o fosse o feliz acaso de ser \u201cdescoberta\u201d pelos pesquisadores do N\u00facleo de Pesquisa e Documenta\u00e7\u00e3o da Cultura Popular, da Universidade Federal da Para\u00edba, sob coordena\u00e7\u00e3o de Altimar de Alencar Pimentel (1936-2008), jamais saber\u00edamos de sua exist\u00eancia. H\u00e1 discrep\u00e2ncias sobre a data de seu nascimento. Na carteira de identidade, consta 18 de mar\u00e7o de 1911, mas ela, em depoimento a Myrian Gurgel, afirma ter nascido em 1909.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"http:\/\/quindim.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"810\" height=\"189\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.jpg\" alt=\"Assine o Clube de Leitura Quindim\" class=\"wp-image-36644\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.jpg 810w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-768x179.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo de trabalhar desde os oito anos, assumindo, depois da morte da m\u00e3e, a responsabilidade de ajudar seu pai a criar 15 filhos, n\u00e3o teve propriamente uma inf\u00e2ncia. Ainda assim, durante os trabalhos coletivos, como por ocasi\u00e3o das debulhas de feij\u00e3o e das farinhadas, na zona rural de Guarabira, no brejo paraibano, ouvia, enlevada, as hist\u00f3rias de trancoso, os contos velhos de origem variada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A morte do pai durante a revolu\u00e7\u00e3o de 1930 foi um duro baque para Luzia, pois, na mesma ocasi\u00e3o, sua irm\u00e3 Ant\u00f4nia havia fugido de casa com um rapaz de Campina Grande. Casou-se, aos 25 anos, com Luiz, seu \u201cprimeiro e \u00fanico namorado\u201d, vi\u00favo e pai de quatro filhos, e mudou-se para a capital paraibana. <strong>Foi com ele que aprendeu a maior parte das hist\u00f3rias que viriam a compor o seu vasto repert\u00f3rio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00fanico filho de Luzia, ainda jovem, viajou para S\u00e3o Paulo, a terra do vai-n\u00e3o-torna, e dele n\u00e3o se teve mais not\u00edcia. Trabalhou muitos anos como empregada dom\u00e9stica e, com o apurado, ajudou o marido a construir uma casa modesta. O terreno n\u00e3o pertencia a eles e o propriet\u00e1rio exigiu a desocupa\u00e7\u00e3o, indenizando o casal. Com o dinheiro, constru\u00edram uma casa modesta em Bayeux. A mesma casa na qual ela acolhera um rapaz que, por ocasi\u00e3o da doen\u00e7a, atiraria fora todos os seus pertences.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Altimar Pimentel, descrevendo-a, d\u00e1-nos <strong>uma ideia da grande contadora de hist\u00f3rias que foi Luzia Teresa<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cImpressiona em Luzia Teresa a expressividade do rosto, dos bra\u00e7os magros e longos, das m\u00e3os que se erguiam ou que ela utilizava em gesticula\u00e7\u00f5es t\u00e3o precisas. <strong>A express\u00e3o corporal compunha com as varia\u00e7\u00f5es vocais, as inflex\u00f5es apropriadas os momentos m\u00e1gicos e cativantes em que narrava<\/strong>. <strong>Os gestos desenhavam personagens e situa\u00e7\u00f5es, evocavam imagens, delineavam seres e coisas<\/strong>. A velhinha calada, acanhada, t\u00edmida, transmudava-se narrando est\u00f3rias de pr\u00edncipes, princesas, fadas; vivia cada personagem e colhia exemplos locais para melhor visualiza\u00e7\u00e3o da narrativa.\u201d (<em>Est\u00f3rias de Luzia Teresa<\/em>, vol. 1, p. 399. Bras\u00edlia, Thesaurus, 1995.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Instada pela professora Myrian Gurgel, que integrava o NUPPO, a dizer, em entrevista, qual era o seu conto popular favorito, Luzia afirmou ser <em>O pr\u00edncipe encantado num pombinho<\/em>. E reiterou que o pr\u00edncipe se desencanta, mas n\u00e3o sofre. Quem sofre \u00e9 a princesa, verdadeira protagonista da hist\u00f3ria que ela, a pedido de Altimar Pimentel, teve de repetir duas vezes. Esse conto n\u00e3o aparece entre os arrolados por Altimar nos tr\u00eas volumes lan\u00e7ados pela Thesaurus nem entre os contos in\u00e9ditos, do quarto e quinto volumes, n\u00e3o lan\u00e7ados, mas sumarizados no segundo volume da cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Imagem1-505x730.jpg\" alt=\"Conto popular no Brasil: Mulher sentada em cadeira com a m\u00e3o espalmada \u00e0 frente, fazendo gesto.\" class=\"wp-image-53583\" style=\"width:244px;height:352px\" width=\"244\" height=\"352\" title=\"\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Luzia Teresa. Cr\u00e9dito: Sementeira.net<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00faltima hist\u00f3ria de Luzia Teresa, registrada por Myrian e Altimar, foi <em>A menina do cabelo de ouro<\/em>, narrada no hospital Padre Z\u00e9, no dia 26 de janeiro de 1983. <strong>Durante o per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o, que se estendeu at\u00e9 31 de maio de 1983, ela entreteve os enfermos com o seu dom maravilhoso<\/strong>. A mais conhecida colet\u00e2nea de contos populares, <em>Os contos infantis e dom\u00e9sticos<\/em> dos Irm\u00e3os Grimm, trazia, na s\u00e9tima e \u00faltima edi\u00e7\u00e3o em vida dos autores, de 1957, 200 hist\u00f3rias, entre contos e lendas. <strong>De Luzia Teresa, sozinha, foram registrados 242 contos populares<\/strong>, a maior parte pertencente ao rol dos contos maravilhosos, sendo a informante, sem d\u00favida, a maior das maravilhas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>O conto popular na contemporaneidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhe\u00e7amos, enfim, Luzia Teresa! Reconhe\u00e7amos ainda a contribui\u00e7\u00e3o da saudosa Doralice Alcoforado (1937-2007), autora de <em>Belas e Feras Baianas<\/em>, recolha acompanhada de um estudo sobre a presen\u00e7a do tema do \u201cnoivo animal\u201d no imagin\u00e1rio baiano. Importante destacar a cole\u00e7\u00e3o <em>Contos Populares Brasileiros<\/em> que, infelizmente, s\u00f3 teve quatro volumes, com contos recolhidos na Para\u00edba (Osvaldo Trigueiro e Altimar Pimentel), Pernambuco (Roberto Benjamim), Cear\u00e1 (Francisco Assis de Souza Lima) e Bahia (Doralice Alcoforado e Maria del Ros\u00e1rio Suarez Alb\u00e1n), embora pretendesse abarcar todos os estados brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/entrevista-ricardo-azevedo-cultura-popular\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Entrevista com Ricardo Azevedo: a import\u00e2ncia de valorizar a cultura popular<\/a>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Doralice-Alcoforado.jpg\" alt=\"Conto popular no Brasil: Mulher de chap\u00e9u e bolsa sorrindo discretamente.\" class=\"wp-image-53584\" style=\"width:646px;height:485px\" width=\"646\" height=\"485\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Doralice-Alcoforado.jpg 480w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Doralice-Alcoforado-150x113.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 646px) 100vw, 646px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Doralice Alcoforado. Cr\u00e9dito: Cordel Atemporal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso mostra a import\u00e2ncia de recolhas regionais, como a feita em 1961, pelo Major Calvet Fagundes (1912-2000) no Rio Grande do Sul, <em>Est\u00f3rias da Figueira Marcada<\/em>, trazendo, no t\u00edtulo, o nome do local da recolha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Altimar Pimentel, filho da primeira romancista da literatura de cordel brasileira, Maria das Neves Batista Pimentel (1913-1994), e neto do cordelista pioneiro Francisco das Chagas Batista, \u00e9 o respons\u00e1vel pela maior quantidade de obras publicadas no Brasil. Al\u00e9m dos tr\u00eas volumes de Luzia Teresa, temos <em>Est\u00f3rias do Diabo<\/em>, <em>Est\u00f3rias de Cabedelo<\/em>, <em>Contos Populares de Bras\u00edlia<\/em>, entre outros. Edil Costa, professora da Universidade do Estado da Bahia, al\u00e9m de colaborar com Doralice Alcoforado em <em>Vozes do Ouro<\/em>, coletou, entre 1984 e 1995, hist\u00f3rias do ciclo da Cinderela, reunindo tipos e subtipos, tema de sua tese, publicada em livro com o t\u00edtulo <em>Cinderela nos entrelaces da tradi\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra obra relevante \u00e9 <em>Calidosc\u00f3pio, a Saga de Pedro Malasartes<\/em>, de Ruth Guimar\u00e3es, lan\u00e7ada em 2006, em edi\u00e7\u00e3o independente, e relan\u00e7ada este ano, pela Madamu. <strong>Trata-se de um alentado estudo, o maior at\u00e9 ent\u00e3o feito no Brasil, e talvez no mundo, sobre o famoso p\u00edcaro<\/strong>, abarcando todas as suas facetas: c\u00f4mica, heroica, m\u00edtica, com notas eruditas em di\u00e1logo aberto com tradi\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas e liter\u00e1rias do mundo inteiro. No campo da pesquisa, a contribui\u00e7\u00e3o de Braulio do Nascimento (1924-2016) \u00e9 gigantesca. Dois de seus livros, <em>Estudos sobre o Conto Popular<\/em> (2005) e <em>Cat\u00e1logo do Conto Popular Brasileiro<\/em> (2009) s\u00e3o refer\u00eancias obrigat\u00f3rias sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;J\u00e1 <em>Minhas Hist\u00f3rias de Trancoso<\/em> (2017) re\u00fane 42 contos, de tem\u00e1tica variada, recontados pela cearense de Acopiara Djanira Feitosa, professora aposentada e cordelista, em edi\u00e7\u00e3o independente, preparada pelos filhos da autora, Nabucodonosor e Nabupolasar Feitosa. Os destaques s\u00e3o <em>A Hist\u00f3ria do Verdelim<\/em> e <em>A Hist\u00f3ria do Reino da \u00c1gua Azul<\/em>, ambos j\u00e1 vertidos em cordel pela autora. Um pouco antes, em 2014, organizada por Giba Pedroza e Henry Durante, saiu a colet\u00e2nea <em>Assim me Contaram, Assim vos Contei<\/em>, com hist\u00f3rias paulistas do saudoso Geraldo Alves da Silveira, o Geraldo Tartaruga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que dependeu de mim, contribu\u00ed com v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es, a partir do sert\u00e3o baiano onde nasci e passei boa parte de minha vida, mas tamb\u00e9m de outros estados. Os primeiros livros, <em>Contos Folcl\u00f3ricos Brasileiros<\/em> (2010) e <em>Contos e F\u00e1bulas do Brasil<\/em> (2011), ainda traziam contos ouvidos na inf\u00e2ncia, narrados por minha av\u00f3 paterna, Luzia Josefina de Farias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguiram-se <em>O Pr\u00edncipe Tei\u00fa e Outros Contos Brasileiros<\/em> (2012), <em>Vozes da Tradi\u00e7\u00e3o<\/em> (2017, em parceria com Luc\u00e9lia Borges), <em>Contos e Lendas da Terra do Sol<\/em> (parceria com Wilson Marques, 2019), <em>Contos Encantados do Brasil<\/em> (2022) e <em>No Tempo dos Encantos<\/em> (in\u00e9dito, parceria com Rog\u00e9rio Soares).&nbsp; <strong>Todos os contos est\u00e3o classificados de acordo com o Cat\u00e1logo Internacional do Conto Popular<\/strong>, o&nbsp;Sistema ATU, e parte deles figura no&nbsp;<em>Cat\u00e1logo do Conto Tradicional Portugu\u00eas<\/em> (com vers\u00f5es an\u00e1logas dos pa\u00edses lus\u00f3fonos), de Isabel David Cardigos e Paulo Jorge Correia, publicado em 2015.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"810\" height=\"189\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg\" alt=\"Assine o clube quindim\" class=\"wp-image-38121\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg 810w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-768x179.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mercado editorial brasileiro, com certa relut\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m com not\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es, <strong>vem abrindo espa\u00e7os a textos coligidos da tradi\u00e7\u00e3o oral (contos, lendas, adivinhas e a poesia tradicional)<\/strong>. \u00c9 preciso enaltecer, ainda, os autores que, mesmo n\u00e3o sendo folcloristas, bebem da mesma fonte e divulgam o trabalho de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s. H\u00e1 muitos, mas o nome de Ricardo Azevedo, tamb\u00e9m estudioso das tradi\u00e7\u00f5es populares, d\u00e1 a melhor ideia do conjunto. Um salve para ele!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E um salve para Jos\u00e9 Alexandrino de Souza, que me forneceu mais de 50 hist\u00f3rias, grande parte j\u00e1 publicada, grande mestre da tradi\u00e7\u00e3o oral de Serra do Ramalho, Bahia!&nbsp; <strong>Em nome dele, sa\u00fado os mestres e mestras, os vivos e os mortos, semeadores de sonhos desde que o mundo \u00e9 mundo<\/strong>.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ruth Guimar\u00e3es, Luzia Teresa e Doralice Alcoforado. 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