{"id":52252,"date":"2023-07-28T10:23:46","date_gmt":"2023-07-28T13:23:46","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=52252"},"modified":"2025-05-21T05:52:39","modified_gmt":"2025-05-21T08:52:39","slug":"presencas-negras-no-livro-para-as-infancias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/presencas-negras-no-livro-para-as-infancias\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o \u201cKaringana \u2013 Presen\u00e7as Negras no Livro para as Inf\u00e2ncias\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um ato de exist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra<\/strong>. \u00c9 assim que a curadora Ananda Luz descreve a import\u00e2ncia da exposi\u00e7\u00e3o \u201cKaringana \u2013 Presen\u00e7as Negras no Livro para as Inf\u00e2ncias\u201d, em cartaz no Sesc Bom Retiro, em S\u00e3o Paulo. L\u00e1 est\u00e1 um recorte da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira feita por ilustradores negros e negras. <strong>S\u00e3o 92 trabalhos de 47 artistas, que marcam um momento hist\u00f3rico na literatura, de celebra\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia de autores historicamente invisibilizados<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exposi\u00e7\u00e3o integra a programa\u00e7\u00e3o de atividades do Omod\u00e9: Festival Sesc de Arte e Cultura Negra para a Molecada e poder\u00e1 ser vista <strong>at\u00e9 28 de janeiro de 2024<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta entrevista, Ananda nos conta o que significa a palavra karingana, detalha os princ\u00edpios que nortearam sua curadoria, tra\u00e7a o panorama hist\u00f3rico que possibilizou a abertura de uma exposi\u00e7\u00e3o com artistas-ilustradores negros e fala sobre a import\u00e2ncia de leitores negros se verem representados nas hist\u00f3rias, entre outros temas. Leia a seguir:<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">Bia Reis: <strong>Ananda, gostaria come\u00e7ar te perguntando o que \u00e9 \u201ckaringana\u201d, a palavra que d\u00e1 nome \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ananda Luz:<\/strong> Karingana \u00e9 uma palavra de origem ronga, de l\u00edngua mo\u00e7ambicana. \u00c9 um di\u00e1logo entre quem conta a hist\u00f3ria e quem vai escut\u00e1-la. A pessoa que conta a hist\u00f3ria fala: karingana ua karingana. E quem recebe a hist\u00f3ria autoriza essa hist\u00f3ria a acontecer exclamando: karingana! N\u00e3o \u00e9 pergunta e resposta, \u00e9 um di\u00e1logo mesmo para que as hist\u00f3rias, que s\u00e3o vivas, possam acontecer e fazer parte das pessoas que ali est\u00e3o. Quando a gente escolhe o que seria a permiss\u00e3o, o karingana, \u00e9 exatamente para permitir que essas hist\u00f3rias passem a existir nas pessoas que entrarem ali. \u00c9 uma exposi\u00e7\u00e3o sobre ilustra\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o das ilustra\u00e7\u00f5es que existem nos livros, da arte que existe nos livros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">BR: <strong>Pensando no seu trabalho de curadoria, quais foram os princ\u00edpios que nortearam a escolha dos trabalhos que est\u00e3o expostos?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AL:<\/strong> Alguns elementos conduziram a curadoria. Um primeiro \u00e9 a diversidade \u2013 de autores e tamb\u00e9m de t\u00e9cnicas e suportes que esses artistas apresentam. S\u00e3o 47 ilustradores e ilustradoras negros e negras, e pensamos que eles tinham de representar uma pluralidade de percep\u00e7\u00e3o \u2013 <strong>modo de ver, de sentir, de perceber esse mundo e de receber as hist\u00f3rias, as culturas e os personagens negros do livro para a inf\u00e2ncia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensamos tamb\u00e9m na quest\u00e3o geogr\u00e1fica. Quisermos trazer gente de todo o Brasil, das cinco regi\u00f5es. Temos, por exemplo, o Josias Marinho, que \u00e9 de Roraima e mora em Rond\u00f4nia, a Paty Wolff, de Cuiab\u00e1, a Fl\u00e1via Carvalho, da Bahia; no Sudeste temos alguns, como a Carol Fernandes, em Minas Gerais, o Rodrigo Andrade, em S\u00e3o Paulo; no Sul, a Fernanda Rodrigues.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m tivemos como elemento pensar esse livro como corpo-territ\u00f3rio, um territ\u00f3rio de muitos encontros. O que eu quero dizer com isso \u00e9 que muitas pessoas habitam o livro. Quando a gente pensa, por exemplo, no Rodrigo Andrade, que traz junto muita gente, um aquilombamento mesmo. No livro \u201cDo \u00d2run ao \u00c0iy\u00e9 \u2013 A Cria\u00e7\u00e3o do Mundo\u201d, por exemplo, ele traz a escritora Waldete Trist\u00e3o e a Aziza, editora que tem em seu cat\u00e1logo ilustradores e escritores negros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E n\u00e3o posso esquecer de falar da perspectiva que tivemos de apresentar o livro para as diferentes inf\u00e2ncias, que vai desde as crian\u00e7as, que est\u00e3o nessa fase vivendo esse momento, mas tamb\u00e9m as inf\u00e2ncias dos adultos, alguns com as lacunas de quem n\u00e3o teve essas representa\u00e7\u00f5es quando pequeno. E tamb\u00e9m temos as pessoas que estar\u00e3o passeando e resgatar\u00e3o mem\u00f3rias de um tempo, poder\u00e3o refletir, problematizar a literatura. A gente sabe que <strong>a literatura historicamente invisibilizava os personagens negros, ou seja, n\u00e3o havia personagens negros e, quando tinha, eles eram estereotipados<\/strong>. Viviam situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, n\u00e3o tinham narrativas, eram jogados na hist\u00f3ria \u2013 e ainda s\u00e3o, ainda encontramos isso \u2013 s\u00f3 para dizer que havia um personagem negro, mas ele n\u00e3o tinha nem nome. Tamb\u00e9m queremos apresentar essas muitas bonitezas que temos nas hist\u00f3rias e nos personagens negros. <strong>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o personagem negro como protagonista, mas ele tendo uma hist\u00f3ria para ser contada<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"563\" height=\"293\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias.-Rodrigo-Andrade-Com-que-penteado-eu-vou.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52259\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias.-Rodrigo-Andrade-Com-que-penteado-eu-vou.jpg 563w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias.-Rodrigo-Andrade-Com-que-penteado-eu-vou-150x78.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 563px) 100vw, 563px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Rodrigo Andrade para o livro <em>Com qual penteado eu vou?<\/em>, escrito por Kiusam de Oliveira (Editora Melhoramentos, 2021)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">br: <strong>E quanto tempo durou esse seu processo de pesquisa para a exposi\u00e7\u00e3o? Porque imagino que uma boa parte s\u00e3o de livros, ilustradores e editoras que voc\u00ea j\u00e1 conhecia, mas que voc\u00ea tamb\u00e9m deve ter feito descobertas&#8230;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AL:<\/strong> Eu brinco que eu tenho uma tabela de Excel que me acompanha desde que eu descobri os livros para a inf\u00e2ncia de tem\u00e1tica africana, afro-brasileira e de autoria negra. Todos os livros que eu leio, acesso e fa\u00e7o an\u00e1lise est\u00e3o l\u00e1. Eu estou h\u00e1 muito tempo nesse caminho. Primeiro de forma aut\u00f4noma, pesquisando como professora que fui, principalmente quando entrei na educa\u00e7\u00e3o infantil e percebi a lacuna: <strong>n\u00e3o havia personagens que se parecessem com meus alunos.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu trabalhei em uma escola municipal no Rio de Janeiro onde quase todas as crian\u00e7as eram negras, mas eu j\u00e1 vinha de estudo, de milit\u00e2ncia na educa\u00e7\u00e3o antirracista. Era 2010, 2011, quando eu percebi que precisava procurar e da\u00ed comecei a mapear essa literatura e a abastecer a minha tabela. Tamb\u00e9m passei a pesquisar autores que se debru\u00e7aram a entender a literatura infantil sob o ponto de vista das aus\u00eancias e das presen\u00e7as de negros e negras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sesc come\u00e7ou a sonhar com essa exposi\u00e7\u00e3o no ano passado e tamb\u00e9m passou a se debru\u00e7ar sobre o estudo dos livros para a inf\u00e2ncia de autoria negra, quem s\u00e3o esses ilustradores, que ilustra\u00e7\u00e3o \u00e9 essa. Nesse processo de estudar, formar equipe e ouvir alguns autores, eles me chamaram. Eu apresentei meu mapeamento, minha pesquisa e eles me convidaram para fazer parte da curadoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa minha pesquisa est\u00e1 sempre em movimento, ent\u00e3o a lista cresce, mesmo depois da exposi\u00e7\u00e3o. Hoje n\u00e3o consigo mapear tudo o que \u00e9 lan\u00e7ado. Antes, eu sabia exatamente qual livro havia sido lan\u00e7ado. Agora n\u00e3o mais \u2013 e tem muita coisa boa. Isso me deixa muito feliz. E sobre as descobertas, eu moro no Rec\u00f4ncavo Baiano, e me surpreendeu ter encontrado um selo editorial da Bahia que n\u00e3o conhecia e que publicou Aline Bispo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">BR: <strong>A exposi\u00e7\u00e3o ocorre em um momento hist\u00f3rico importante, com aumento de publica\u00e7\u00e3o de autores negros e autoras negras, que trazem hist\u00f3rias, personagens e est\u00e9ticas diversas, e tamb\u00e9m um crescente interesse do p\u00fablico leitor pela tem\u00e1tica. O que possibilitou esse cen\u00e1rio?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AL: <\/strong>\u00c9 imposs\u00edvel citar apenas uma coisa. A gente vem de muitos anos com muitas vozes ecoando em muitos espa\u00e7os, que \u00e9 o movimento negro, ou melhor, os movimentos negros, no plural. Eles v\u00eam numa perceptiva de discutir tudo o que pode ser feito para uma educa\u00e7\u00e3o antirracista, voltada para a diversidade. E n\u00e3o estou falando s\u00f3 na educa\u00e7\u00e3o escolar, mas sim em todos os espa\u00e7os. Os movimentos negros fazem isso h\u00e1 muito tempo e isso se fortaleceu com pesquisa, com a\u00e7\u00e3o, para que se possa existir muitos ilustradores e essa exposi\u00e7\u00e3o, em que muitos autores nos acompanharam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paralelo a isso, a gente n\u00e3o pode esquecer a<strong> Lei 10.639 <em>(de 2003, que estabeleceu a obrigatoriedade do ensino de Hist\u00f3ria da \u00c1frica em todo o curr\u00edculo escolar do Brasil)<\/em>, que impactou o mercado editorial.<\/strong> Esse impacto teve um lado positivo e outro negativo: muitos livros come\u00e7aram a ser publicados, mas alguns s\u00e3o problem\u00e1ticos, criados para atender editais, sem pesquisa, envolvimento nem seriedade no fazer. Eles acabam, muitas vezes, reproduzindo a estrutura racista. Com a lei, tivemos uma abertura para pesquisadores, escritores e ilustradores negros entrarem no mercado editorial e fazerem seus livros.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias.-17.-Juliana-Barbosa-Pereira-O-pequeno-principe-preto.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52256\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias.-17.-Juliana-Barbosa-Pereira-O-pequeno-principe-preto.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias.-17.-Juliana-Barbosa-Pereira-O-pequeno-principe-preto-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Juliana Barbosa Pereira para o livro <em>O pequeno pr\u00edncipe preto<\/em>, escrito por Rodrigo Fran\u00e7a (Editora Nova Fronteira, 2020)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E n\u00e3o podemos deixar de falar das leis de cotas, as pol\u00edticas p\u00fablicas de a\u00e7\u00f5es afirmativas. Elas abriram para que entrasse nos espa\u00e7os universit\u00e1rios toda a discuss\u00e3o dessa outra narrativa em que os negros n\u00e3o s\u00e3o mais objetos de pesquisas, mas sim sujeitos. Como dizia bell hooks <em>(professora, escritora, te\u00f3rica feminista e ativista antirracista norte-americana)<\/em>, \u00e9 a possibilidade de investiga\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Isso fez com que <strong>muitas pesquisas avan\u00e7assem, muitos debates na sociedade ganhassem for\u00e7a e diversas narrativas fossem visibilizadas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/protagonismo-negro-nos-livros-infantis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Podemos falar de protagonismo negro nos livros infantis?<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">BR: <strong>Estudiosos da literatura t\u00eam apontado com certa frequ\u00eancia que o livro ilustrado \u00e9 produzido da classe m\u00e9dia para consumo\/utiliza\u00e7\u00e3o da classe m\u00e9dia. Os negros est\u00e3o chegando \u00e0 classe m\u00e9dia ou estamos come\u00e7ando a ter uma pluralidade de vozes?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AL: <\/strong>Eu, como professora de educa\u00e7\u00e3o infantil da escola p\u00fablica, n\u00e3o consigo n\u00e3o pensar na import\u00e2ncia de os livros serem produzidos <em>(por negros)<\/em> e as pol\u00edticas p\u00fablicas fazerem com que esses livros cheguem at\u00e9 as escolas. Sabemos que o pre\u00e7o, em m\u00e9dia R$ 60, e na compara\u00e7\u00e3o com o sal\u00e1rio m\u00ednimo, torna o livro inacess\u00edvel em um pa\u00eds onde a fome e a viol\u00eancia aumentaram muito por causa dos retrocessos no \u00faltimo governo federal. N\u00e3o temos como fugir: a compra do livro \u00e9 acess\u00edvel para poucos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas temos, por outro lado, os espa\u00e7os p\u00fablicos, as bibliotecas comunit\u00e1rias, municipais e estaduais. <strong>Temos de pensar na import\u00e2ncia das pol\u00edticas p\u00fablicas de aquisi\u00e7\u00e3o de livros para a escola para que eles possam chegar a todos<\/strong>. \u00c9 importante as pessoas comprarem livros e terem suas bibliotecas em casa, mas mais importante s\u00e3o os espa\u00e7os p\u00fablicos terem livros e que eles sejam diversos. Agora, paralelo a isso tudo, a literatura de autoria negra para crian\u00e7as est\u00e1 crescendo, est\u00e1 chegando em muitos espa\u00e7os, diversas publica\u00e7\u00f5es e hoje esses livros tamb\u00e9m est\u00e3o nas grandes editoras e nas independentes tamb\u00e9m, como j\u00e1 existia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">BR: <strong>As editoras est\u00e3o atentas \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o de autores em seu portf\u00f3lio?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AL: <\/strong>Est\u00e3o mais atentas, porque \u00e9 preciso estar. \u00c9 urgente. Precisaria de uma pesquisa para dizer, com certeza, se elas est\u00e3o atentas ao ponto de a produ\u00e7\u00e3o refletir a sociedade brasileira \u2013 56% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra \u2013 mas posso dizer que provavelmente n\u00e3o. Mas editoras est\u00e3o avan\u00e7ando nesse di\u00e1logo. Na exposi\u00e7\u00e3o temos, por exemplo, Companhia das Letrinhas, Caixote, Salamandra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/educacao-diversidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A import\u00e2ncia do protagonismo negro na literatura infantil<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">BR: <strong>A Regi\u00e3o Sudeste ainda concentra boa parte da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira. Isso prejudica a diversidade da literatura? De que maneira?<\/strong> <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AL: <\/strong>O Sudeste concentra a maioria das editoras, mas n\u00e3o necessariamente dos autores. A Paty Wolff, por exemplo, nasceu em Rond\u00f4nia, est\u00e1 em Cuiab\u00e1 e \u00e9 publicada pela Caixote<em> (em S\u00e3o Paulo)<\/em>. Isso traz uma perspectiva do Sudeste para as publica\u00e7\u00f5es, e \u00e9 onde a maioria das editoras vai estar porque S\u00e3o Paulo \u00e9 um grande centro comercial. Mas n\u00e3o podemos ignorar que as editoras pequenas, como a Ereginga e a \u00c1frica e Africanidades, no Brasil afora fazem com que as publica\u00e7\u00f5es locais possam existir. Precisamos <strong>construir formas de circula\u00e7\u00e3o mais horizontalizada<\/strong> para que uma editora possa chegar tanto quanto a Companhia das Letras em diferentes espa\u00e7os, possa concorrer nos editais e entrar nas escolas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">BR: <strong>Para quais temas os ilustradores negros e negras t\u00eam sido convidados a produzir? H\u00e1 ainda uma restri\u00e7\u00e3o de temas?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AL: <\/strong>Precisaria fazer uma an\u00e1lise para dizer com certeza, mas <strong>a exposi\u00e7\u00e3o mostra que o ilustrador negro pode falar sobre qualquer assunto<\/strong>. H\u00e1 uma variedade de temas abordados, mas, do ponto de vista de uma perspectiva antirracista, as editoras precisam estar atentas para ver se s\u00f3 est\u00e3o convidando o ilustrador negro para falar sobre cabelo, \u00c1frica, cultura africana. Uma editora antirracista vai convidar um ilustrador negro pela t\u00e9cnica, pela qualidade de ilustra\u00e7\u00e3o, para ilustrar qualquer tema que for. Ele vai imprimir sua vis\u00e3o de mundo e toda a hist\u00f3ria que carrega, a pr\u00f3pria e dos ancestrais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">BR: <strong>Dentro do recorte da exposi\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea v\u00ea a t\u00e9cnica e a linguagem utilizada pelo grupo de ilustradores?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AL: <\/strong>\u00c9 bem diversa. Por mais que a exposi\u00e7\u00e3o tenha trazido as impress\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel perceber a diversidade \u2013 s\u00f3 temos tr\u00eas originais ali \u2013, temos a Carol Fernandes, que trabalha com acr\u00edlico, a Ani Ganzala, com aquarela, o Rodrigo Andrade que faz ilustra\u00e7\u00e3o digital, a diversidade vai nisso tudo. E tamb\u00e9m de suporte: a Paty Wolff pinta no papel\u00e3o e brinca com a textura.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias.-Carol-Fernandez-Fevereiro.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52258\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias.-Carol-Fernandez-Fevereiro.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias.-Carol-Fernandez-Fevereiro-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Carol Fernandes para o livro <em><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/selecoes\/livro\/fevereiro\/carol-fernandes\/9786586666267\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fevereiro<\/a> <\/em>(Editora Caixote, 2023)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">BR: <strong>Por fim, gostaria que voc\u00ea falasse um pouco sobre a import\u00e2ncia dos leitores negros se verem representados nas hist\u00f3rias contadas tamb\u00e9m por autores negros. E na import\u00e2ncia de leitores brancos tamb\u00e9m terem acesso a essas hist\u00f3rias.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AL: <\/strong>Gosto de falar que <strong>a exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato de exist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra, que por tanto TEMPO foi invisibilizada em diferentes narrativas, inclusive no livro para a inf\u00e2ncia.<\/strong> A crian\u00e7a e o adulto negros que forem \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ver\u00e3o as m\u00faltiplas hist\u00f3rias contadas sobre eles, ir\u00e3o acessar muitos modos de representa\u00e7\u00e3o de si. H\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de que o negro \u00e9 \u00fanico, mas as pessoas negras s\u00e3o muitas, s\u00e3o plurais, as belezas e as hist\u00f3rias s\u00e3o diversas. Ver\u00e3o, principalmente, o quanto h\u00e1 de boniteza nessas hist\u00f3rias. E para as pessoas brancas \u00e9 um convite para a reflex\u00e3o, para conhecer essas hist\u00f3rias e ver, de fato, beleza nelas. Essa \u00e9 uma grande discuss\u00e3o.<strong> Uma sociedade antirracista vai existir tamb\u00e9m quando todos passarem a ver beleza na hist\u00f3ria, na cultura negra, quando passarem a amar pessoas negras.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\">Sobre a Exposi\u00e7\u00e3o \u201cKaringana \u2013 Presen\u00e7as Negras no Livro para as Inf\u00e2ncias\u201d<\/h3>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"664\" height=\"332\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Abertura-Exposicao-Karingana-Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias-664x332-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-52260\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Abertura-Exposicao-Karingana-Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias-664x332-1.png 664w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Abertura-Exposicao-Karingana-Presencas-Negras-no-Livro-para-as-Infancias-664x332-1-150x75.png 150w\" sizes=\"(max-width: 664px) 100vw, 664px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Karingana \u2013 Presen\u00e7as Negras no Livro para as Inf\u00e2ncias&#8221;. Divulga\u00e7\u00e3o: Sesc S\u00e3o Paulo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Local: <a href=\"https:\/\/www.sescsp.org.br\/karingana-presencas-negras-no-livro-para-as-infancias-celebra-ilustradores-negros-e-negras-no-sesc-bom-retiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Sesc Bom Retiro<\/a><br>Endere\u00e7o: Alameda Nothmann, 185 \u2013 Campos El\u00edseos, S\u00e3o Paulo &#8211; SP<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Visita\u00e7\u00e3o: at\u00e9 28 de janeiro de 2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hor\u00e1rio: Ter\u00e7a a sexta, das 9h \u00e0s 20h (exceto 21 de novembro)<br>S\u00e1bado, das 10h \u00e0s 20h.<br>Domingo e feriado, das 10h \u00e0s 18h<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Espa\u00e7o Expositivo. Gr\u00e1tis. Livre<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curadoria de Ananda Luz, projeto expogr\u00e1fico da arquiteta Francine Moura, coordena\u00e7\u00e3o educativa de Iliriana Rodrigues, acessibilidade de Karen Montija e design gr\u00e1fico desenvolvido por Will Nunes e Rodrigo Andrade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agendamento de Grupos<br>agendamento.bomretiro@sescsp.org.br<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recursos de acessibilidade<br>Audiodescri\u00e7\u00e3o, Recursos T\u00e1teis e Libras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cr\u00e9ditos: imagem de capa do artigo \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o de B\u00e1rbara Quintino para o livro <em>Meu nome \u00e9 Raquel Trindade, mas pode me chamar de Rainha Kambinda<\/em>, escrito por Sonia Rosa (Editora Pequena Zahar, 2023) <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"1170\" height=\"273\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-clube-de-leitura-quindim.png\" alt=\"Assine clube de leitura quindim\" class=\"wp-image-41477\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-clube-de-leitura-quindim.png 1170w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-clube-de-leitura-quindim-768x179.png 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-clube-de-leitura-quindim-150x35.png 150w\" sizes=\"(max-width: 1170px) 100vw, 1170px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exposi\u00e7\u00e3o Karingana, em cartaz no Sesc Bom Retiro, apresenta obras de 47 artistas negros, que marcam um momento hist\u00f3rico na literatura infantil.<\/p>\n","protected":false},"author":69,"featured_media":52257,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[509,686,499,497],"tags":[],"class_list":["post-52252","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-entrevista","category-literatura-infantil","category-livros-infantis"],"acf":{"posts_relacionados":[36181,12261,49640]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/69"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52252\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49640"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12261"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36181"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}