{"id":51319,"date":"2023-06-30T17:30:34","date_gmt":"2023-06-30T20:30:34","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=51319"},"modified":"2025-05-21T05:52:45","modified_gmt":"2025-05-21T08:52:45","slug":"bumba-meu-boi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/bumba-meu-boi\/","title":{"rendered":"Bumba meu boi: conhe\u00e7a a hist\u00f3ria deste tradicional folguedo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bumba meu boi, um dos <strong>mais tradicionais folguedos do Nordeste<\/strong>, \u00e9 celebrado entre meados de dezembro e o dia de Reis, 6 de janeiro, como parte das tradi\u00e7\u00f5es do ciclo natalino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Animal introduzido no Brasil pelos colonos portugueses, o boi \u00e9 personagem de contos, como o do <em>Boi Lei\u00e7\u00e3o<\/em>, lendas e romances de cordel, onde t\u00eam, por vezes, uma aura sobrenatural. Como <em>boi bento<\/em>, figura no pres\u00e9pio, tendo sido testemunha do nascimento de Jesus Cristo, como retratado no afresco Natividade, do pintor italiano Giotto di Bodone (1303-1305) e em outras representa\u00e7\u00f5es da mesma cena.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"619\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Bumba-meu-boi-conheca-a-historia-deste-tradicional-folguedo-meio3-Copy.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-51330\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Bumba-meu-boi-conheca-a-historia-deste-tradicional-folguedo-meio3-Copy.jpg 619w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Bumba-meu-boi-conheca-a-historia-deste-tradicional-folguedo-meio3-Copy-150x99.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns estudiosos do folclore, a exemplo de Pereira da Costa, <strong>consideram o Estado de Pernambuco o ber\u00e7o da brincadeira, dali se irradiando por todo o Brasil, onde \u00e9 encenado com varia\u00e7\u00f5es no texto e nas personagens<\/strong>. Mant\u00e9m-se, contudo, uma estrutura b\u00e1sica: o boi do fazendeiro \u00e9 morto por seu vaqueiro fiel \u2014 Pai Francisco ou Mateus \u2014 para atender ao desejo de Catirina. As tentativas de ressurrei\u00e7\u00e3o do boi, ao lado das palha\u00e7adas de Mateus, arrancam risos da audi\u00eancia. H\u00e1, ainda, um testamento em que partes do boi morto s\u00e3o simbolicamente deixadas para os moradores do local em que se d\u00e1 a encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/5-personagens-do-folclore-que-as-criancas-vao-amar-conhecer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">5 personagens do folclore que as crian\u00e7as v\u00e3o amar conhecer!<\/a><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64970\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_IdadeFilho-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>O bumba meu boi em outras regi\u00f5es brasileiras<\/strong><\/h3>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"679\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Bumba-meu-boi-conheca-a-historia-deste-tradicional-folguedo-meio2-Copy.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-51331\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Bumba-meu-boi-conheca-a-historia-deste-tradicional-folguedo-meio2-Copy.jpg 679w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Bumba-meu-boi-conheca-a-historia-deste-tradicional-folguedo-meio2-Copy-150x91.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 679px) 100vw, 679px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arma\u00e7\u00e3o de madeira coberta por tecidos coloridos, o boi traz em seu bojo um homem que diverte a multid\u00e3o com dan\u00e7as, trejeitos e amea\u00e7as que simulam chifradas. <strong>A palavra <em>bumba <\/em>vem de <em>zabumba<\/em>, instrumento de percuss\u00e3o, mas tamb\u00e9m representa pancada, batida<\/strong>, e \u00e9 essa a gra\u00e7a do brinquedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/diversidade-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">regi\u00e3o amaz\u00f4nica<\/a>, \u00e9 conhecido como <em>boi-bumb\u00e1 <\/em>e encenado durante as festas juninas; no Maranh\u00e3o, chama-se <em>bumba meu boi<\/em> e <em>boi de reis<\/em>; no Cear\u00e1, al\u00e9m de <em>boi de reis <\/em>e <em>boi surubi<\/em>, tamb\u00e9m recebe a interessante denomina\u00e7\u00e3o de <em>reisado cearense<\/em>, tendo o Mestre Aldenir do Crato como figura emblem\u00e1tica; em Pernambuco e na Para\u00edba, \u00e9 chamado tamb\u00e9m <em>cavalo-marinho <\/em>e, no Paran\u00e1 e em Santa Catarina, <em>boi de mam\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A encena\u00e7\u00e3o prescinde de uma grande \u00e1rea para o desfile dos muitos personagens, que representam seres humanos (engenheiro, capit\u00e3o, padre, mestre do tear), animais (ema, burrinha, cobra etc.) e criaturas m\u00edticas (a caipora, o morto-carregando-o-vivo, o Man\u00e9 Pequenino \u2013 que, ao contr\u00e1rio do nome, tem mais de tr\u00eas metros \u2013 e o Jaragu\u00e1 \u2013 esp\u00e9cie de cavalo-fantasma que amea\u00e7a a plateia com coices). Tradicionalmente todos os pap\u00e9is, incluindo os femininos, s\u00e3o representados por homens. No entorno, por\u00e9m, ficam as pastorinhas, que entoam cantos relativos ao nascimento de Cristo em meio \u00e0s presepadas de Mateus e Basti\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/personagens-do-folclore-em-cidade-invisivel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">De onde v\u00eam os personagens do folclore brasileiro representados na s\u00e9rie Cidade Invis\u00edvel da Netflix?<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>As ra\u00edzes m\u00edticas do folguedo do bumba meu boi<\/strong><\/h3>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"679\" height=\"382\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Bumba-meu-boi-conheca-a-historia-deste-tradicional-folguedo-meio1-Copy.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-51332\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Bumba-meu-boi-conheca-a-historia-deste-tradicional-folguedo-meio1-Copy.jpg 679w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Bumba-meu-boi-conheca-a-historia-deste-tradicional-folguedo-meio1-Copy-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 679px) 100vw, 679px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Nordeste, a divis\u00e3o simb\u00f3lica do boi entre os expectadores ou apoiadores do folguedo, evoca o mito grego do deus Dion\u00edsio-Zagreus, que, metamorfoseado em touro, foi perseguido, morto e despeda\u00e7ado pelos tit\u00e3s. No Egito, o deus solar Os\u00edris desempenha um papel semelhante, ligado aos mist\u00e9rios de morte e renascimento na natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No folguedo popular do Nordeste, h\u00e1, ainda, semelhan\u00e7as com espet\u00e1culos de outros pa\u00edses, como os Chevallets da Fran\u00e7a, Cheval Bayard da B\u00e9lgica e Wilde Horse, na Inglaterra, todos eles, no entanto, dando proemin\u00eancia ao cavalo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desejo de Catirina de comer uma parte do boi do fazendeiro (f\u00edgado, cora\u00e7\u00e3o, l\u00edngua etc.), tema central do auto popular, \u00e9 antiqu\u00edssimo e figura no conto popular eg\u00edpcio <em>Os Dois Irm\u00e3os<\/em>, de cerca de 3.200 anos. Anup ressuscita seu irm\u00e3o Bata, que se transforma em touro, repondo-lhe o cora\u00e7\u00e3o, exatamente como faz Mateus em algumas vers\u00f5es do Bumba meu boi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 essa tentativa de ressurrei\u00e7\u00e3o do boi, com a ajuda de personagens reduzidos a caricaturas, como padres, doutores, feiticeiros, al\u00e9m da presen\u00e7a sempre jocosa do sobrenatural, faz do <strong>bumba meu boi um espet\u00e1culo inesquec\u00edvel para quem assiste e, principalmente, para os atores e as pastorinhas<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"200\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64972\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas.jpg 770w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-768x199.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/BannerConteudo_RecebaDicas-150x39.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo. Verbete \u201cbumba meu boi\u201d, <em>Dicion\u00e1rio do Folclore Brasileiro<\/em>, Rio de Janeiro, INL, 1962.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Hermilo Borba Filho.&nbsp; <em>Espet\u00e1culos Populares do Nordeste<\/em>, S\u00e3o Paulo: Buriti, 1966.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh3 has-text-color\" style=\"color:#404040\"><strong>Na literatura infantil<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Adivinhe quem foi o miolo do boi<\/em>, de Wilson Marques e Luciana Grether. Editora do Brasil, 2018.<\/li>\n\n\n\n<li><em>Bumba-meu-boi<\/em>, de Stela Barbieri e Fernando Vilela. WMF Martins Fontes Ltda, 2014.<\/li>\n\n\n\n<li><em>Bumba-meu-boi<\/em>, de Toni Brand\u00e3o e Denise Rochael. Est\u00fadio Nobel, 2005.<\/li>\n\n\n\n<li><em>Bumba meu boi bumb\u00e1, de Roger Mello<\/em>. Global Editora; 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2018.<\/li>\n\n\n\n<li><em>Cora\u00e7\u00e3o musical de bumba meu boi<\/em>, de Helo\u00edsa Prieto e J\u00f4 Oliveira. Estrela Cultural, 2018.<\/li>\n\n\n\n<li><em>Festa de bois<\/em>, de Lenice Gomes, Arlene Holanda e Claudia Cascarelli. IMEPH, 2012.<\/li>\n\n\n\n<li><em>Mateus, esse boi \u00e9 seu<\/em>, de Marco Haur\u00e9lio e J\u00f4 Oliveira. DCL, 2014.<\/li>\n\n\n\n<li><em>Pula, boi!<\/em>, de Marilda Castanha. Scipione, 2019.<\/li>\n<\/ul>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradicional celebra\u00e7\u00e3o do folclore brasileiro, o bumba meu boi \u00e9 conhecido nacionalmente, contudo com seu grande destaque na regi\u00e3o Nordeste surgido no s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n","protected":false},"author":41,"featured_media":51328,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[509],"tags":[],"class_list":["post-51319","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":{"posts_relacionados":[2841,22377,33988]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51319","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51319"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51319\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33988"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22377"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2841"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}