{"id":51297,"date":"2023-06-28T17:00:45","date_gmt":"2023-06-28T20:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=51297"},"modified":"2025-05-21T05:52:46","modified_gmt":"2025-05-21T08:52:46","slug":"como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho\/","title":{"rendered":"Como falar sobre drogas com meu filho?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem tem filho sabe: existem perguntas que s\u00e3o dif\u00edceis, mas que n\u00e3o podem ficar sem resposta. \u201cO que \u00e9 droga?\u201d \u00e9 um bom exemplo disso. <strong>Mesmo que possamos explicar de forma did\u00e1tica, \u00e9 necess\u00e1rio considerar alguns fatores ao formular a resposta, como a idade, maturidade e contexto da crian\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho-meio3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-51311\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho-meio3.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho-meio3-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 natural que mesmo pequenos na primeira inf\u00e2ncia, que nunca tiveram contato com drogas, sintam <strong>curiosidade sobre o assunto<\/strong>. Afinal, eles podem ter ouvido falar em not\u00edcias de TV, escutado coment\u00e1rios de outras pessoas, assistido a v\u00eddeos na internet ou at\u00e9 presenciado algu\u00e9m embriagado ou fumando ao seu redor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pediatra Jo\u00e3o Paulo Lotufo, presidente do N\u00facleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crian\u00e7as e Adolescentes, da Sociedade de Pediatria de S\u00e3o Paulo (SPSP), e coordenador do Grupo de Trabalho de Drogas e Viol\u00eancia na Adolesc\u00eancia, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), orienta que <strong>devemos iniciar a conversa justamente pelas drogas l\u00edcitas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPara crian\u00e7as pequenas at\u00e9 o Ensino Fundamental I, vamos falar sobre \u00e1lcool e o tabaco, e para as crian\u00e7as do Fundamental II, j\u00e1 podemos falar das drogas il\u00edcitas. <strong>Tudo tem a sua idade, mas tamb\u00e9m a maneira de se comunicar<\/strong>\u201d, diz ele, idealizador do personagem Dr. Bart\u00f4 e os Doutores da Sa\u00fade, um m\u00e9dico que ajuda crian\u00e7as a entenderem sobre as drogas por meio de uma s\u00e9rie de livretos informativos. \u201cUm dos livros que distribuo com mais frequ\u00eancia nas minhas consultas \u00e9 <em>Meu tio ficou banguela<\/em>, que aborda as les\u00f5es na boca causadas pelo cigarro, feito em parceria com a Faculdade de Odontologia da USP\u201d, conta Jo\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A seguir, vamos ajudar voc\u00ea a descobrir um caminho para melhor sanar a d\u00favida do seu pequeno ou pequena. Mas tenha em mente que esse <strong>\u00e9 um assunto que n\u00e3o se esgota em uma \u00fanica conversa<\/strong>, ok? \u00c0 medida que a crian\u00e7a cresce, \u00e9 necess\u00e1rio abordar outras drogas, alertar sobre os danos e at\u00e9 lidar com embates mais complexos na adolesc\u00eancia, mas <strong>gradualmente <\/strong>e de maneira cont\u00ednua, <strong>respeitando o entendimento da crian\u00e7a<\/strong>. Vamos l\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Come\u00e7ando desde cedo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHum, mas ser\u00e1 que j\u00e1 \u00e9 a hora de falar sobre drogas com meu filho?\u201d, voc\u00ea pode estar se perguntando. E o especialista aponta que, com o uso cada vez mais precoce de drogas l\u00edcitas e il\u00edcitas, \u00e9 esperado que alguns pais sintam a necessidade de adiantar um pouco a conversa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (PeNSE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), mostram que a exposi\u00e7\u00e3o ao uso de drogas <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/34340-ibge-divulga-uma-decada-de-informacoes-sobre-a-saude-dos-escolares\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">cresceu em 10 anos<\/a>, passando de 8,2% em 2009 para 12,1% em 2019. O n\u00famero de estudantes de escolas p\u00fablicas e particulares, com idades entre 13 e 17 anos, que afirmaram j\u00e1 ter experimentado bebida alco\u00f3lica, por exemplo, cresceu de 52,9% em 2012 para 63,2% em 2019. Isso \u00e9 preocupante, uma vez que o uso precoce de bebidas pode aumentar o risco de v\u00edcio e est\u00e1 associado a problemas de sa\u00fade na vida adulta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao tabaco, embora haja uma leve queda na propor\u00e7\u00e3o de jovens fumantes (de 16,8% em 2009 para 13,1% em 2019), cerca de 22,6% dos estudantes na mesma faixa et\u00e1ria afirmaram j\u00e1 ter experimentado cigarro pelo menos uma vez na vida. Ainda segundo a pesquisa do IBGE, estudos demonstraram que adolescentes que come\u00e7am a fumar aos 15 ou menos t\u00eam o dobro do risco de desenvolver c\u00e2ncer de pulm\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com aqueles que iniciam ap\u00f3s os 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para agravar o cen\u00e1rio, <strong>o cigarro eletr\u00f4nico se tornou moda em v\u00e1rios pa\u00edses<\/strong>. Embora a importa\u00e7\u00e3o, propaganda e venda desses produtos sejam proibidas no Brasil pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), 16,8% dos escolares de 13 a 17 anos j\u00e1 haviam experimentado o cigarro eletr\u00f4nico pelo menos uma vez.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho-meio4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-51493\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho-meio4.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho-meio4-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 no cen\u00e1rio das drogas il\u00edcitas \u2013 e aqui estamos falando de subst\u00e2ncias psicoativas cuja produ\u00e7\u00e3o, venda ou uso s\u00e3o proibidos no Brasil, como maconha, coca\u00edna, crack e ecstasy, por exemplo \u2013 a pesquisa do IBGE mostra que <strong>13% dos escolares de 13 a 17 anos j\u00e1 experimentaram algum tipo delas<\/strong>. Hoje em dia tamb\u00e9m \u00e9 importante ressaltar o avan\u00e7o das drogas sint\u00e9ticas, como o fentanil, um opi\u00f3ide muito consumido nos EUA, e as chamadas \u201cK\u201d (K2, K4, K9), canabinoides sint\u00e9ticos, que, no Brasil, est\u00e3o se espalhando principalmente entre jovens em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO uso de drogas se inicia muito precocemente, aos 9 ou 10 anos as crian\u00e7as j\u00e1 est\u00e3o fumando, e a idade m\u00e9dia de experimenta\u00e7\u00e3o de maconha \u00e9 por volta dos 13 e 14 anos. O c\u00e9rebro se desenvolve at\u00e9 os 21 anos e amadurece at\u00e9 os 25, ou seja, <strong>qualquer droga utilizada antes da forma\u00e7\u00e3o cerebral aumenta as chances de les\u00e3o<\/strong>. Portanto, um surto psic\u00f3tico aos 17 anos \u00e9 mais lesivo do que aos 30 e esse \u00e9 o grande problema\u201d, aponta Lotufo, autor do livro t\u00e9cnico <em>\u00c1lcool, Tabaco e Maconha: drogas pedi\u00e1tricas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados mostram ent\u00e3o que, embora n\u00e3o haja idade certa para abordar o assunto, <strong>\u00e9 melhor conversar antes que chegue \u00e0 fase da experimenta\u00e7\u00e3o<\/strong>. Pode ser interessante aproveitar situa\u00e7\u00f5es oportunas para discutir com naturalidade sobre as drogas e seus efeitos desde cedo, mas sem for\u00e7ar a barra com os menorzinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs crian\u00e7as observam tudo o que acontece ao redor. Podem ver algu\u00e9m fumando e \u00e9 natural surgir o interesse. Nesse momento, voc\u00ea pode iniciar essa conversa. E pode ser desde cedo, porque <strong>a experimenta\u00e7\u00e3o da droga em si est\u00e1 ocorrendo muito precocemente<\/strong>. N\u00e3o adianta esperar para falar sobre \u00e1lcool quando o filho j\u00e1 estiver com 14 anos\u201d, explica o pediatra.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/conteudo.quindim.com.br\/assinar-newsletter-banner-blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"810\" height=\"189\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg\" alt=\"Assine o clube quindim\" class=\"wp-image-38121\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim.jpg 810w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-768x179.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Assine-o-clube-quindim-150x35.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>O que uma boa resposta deve conter?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o existe uma resposta \u00fanica para todas as crian\u00e7as: \u00e9 preciso conhecer o seu filho e progredir conforme a compreens\u00e3o dele sobre o tema, <strong>acolhendo as d\u00favidas que surgirem<\/strong>. Afinal, fazer um serm\u00e3o sobre drogas il\u00edcitas para algu\u00e9m de 6 anos provavelmente n\u00e3o ter\u00e1 muito efeito, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pois bem, vamos aos poucos. Se, por exemplo, a crian\u00e7a viu algu\u00e9m fumando e n\u00e3o entendeu, os pais podem explicar de forma clara que \u00e9 um objeto contendo folhas secas de tabaco e outras subst\u00e2ncias, que as pessoas acendem e puxam o ar pela boca, soltando fuma\u00e7a. Por\u00e9m, \u00e9 importante destacar que, embora pare\u00e7a divertido, <strong>\u00e9 um h\u00e1bito que pode prejudicar muito a sa\u00fade<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio fornecer detalhes aprofundados ou mencionar que causa c\u00e2ncer, por exemplo, pois <strong>a crian\u00e7a muito pequena n\u00e3o compreende a gravidade da doen\u00e7a em si<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao \u00e1lcool, podemos explicar que algumas bebidas cont\u00eam essa subst\u00e2ncia que, quando consumida em grande quantidade, pode afetar nosso comportamento e pensamento, nos prejudicar ou deixar doentes. <strong>Ressalte que n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel e pode representar perigo para a sa\u00fade<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa primeira conversa, o foco \u00e9 explicar o que \u00e9, informar que causa danos e garantir que ela entenda que \u00e9 proibido para crian\u00e7as. Sempre, claro, adaptando o vocabul\u00e1rio para que seja compreens\u00edvel e de acordo com o repert\u00f3rio que o filho tem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais adiante, quando a crian\u00e7a estiver mais velha, a\u00ed sim voc\u00ea poder\u00e1 aprofundar um pouco mais a conversa, trazendo outras informa\u00e7\u00f5es sobre os efeitos de cada droga no corpo, as <strong>consequ\u00eancias para a sa\u00fade mental<\/strong> e tamb\u00e9m responder a novas perguntas, que com certeza surgir\u00e3o. Dessa forma, voc\u00eas estabelecer\u00e3o bases de conhecimento mais estruturadas em cada etapa da vida, ampliando a compreens\u00e3o do tema aos poucos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 preciso saber se a crian\u00e7a est\u00e1 apta a compreender o que eu estou falando. Mesmo crian\u00e7as da mesma faixa et\u00e1ria <strong>podem ser abordadas de maneiras diferentes<\/strong>. \u00c9 preciso sentir e isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel estando presente com os filhos\u201d, diz Lotufo, que tamb\u00e9m \u00e9 Diretor Cl\u00ednico do Hospital Universit\u00e1rio da USP. Por isso, a import\u00e2ncia de manter um ambiente familiar onde a crian\u00e7a ou adolescente se sinta \u00e0 vontade para fazer perguntas e compartilhar suas experi\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Sem demonizar: conversa cont\u00ednua, clara e coerente<\/strong><\/h3>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho-meio1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-51309\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho-meio1.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Como-falar-sobre-drogas-com-meu-filho-meio1-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Respeitar a particularidade de cada crian\u00e7a \u00e9, portanto, fundamental para uma conversa mais efetiva e contextualizada. Existem fam\u00edlias em que, por exemplo, h\u00e1 fumantes, usu\u00e1rios de drogas ou alco\u00f3latras; em outras, no entanto, as drogas n\u00e3o fazem parte do cotidiano imediato. \u00c9 importante ter isso em mente ao formular a conversa, pois <strong>ser\u00e3o abordagens diferentes para cada realidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E muito cuidado, porque, por mais assustados que alguns pais fiquem diante do tema, \u00e9 preciso cautela com o que voc\u00ea mostra ou conta para seus filhos<\/strong>. Muitas vezes, na inten\u00e7\u00e3o de retratar a \u201crealidade como ela \u00e9\u201d, <strong>os pais podem acabar expondo as crian\u00e7as a imagens ou hist\u00f3rias que elas ainda n\u00e3o est\u00e3o preparadas emocionalmente para lidar<\/strong>. Isso apenas causa mais d\u00favidas e temor infundado, o que n\u00e3o ajuda em nada. E atualmente, j\u00e1 se sabe, demonizar as drogas n\u00e3o \u00e9 o caminho. Informa\u00e7\u00e3o de qualidade, di\u00e1logo cont\u00ednuo e acompanhamento ativo dos pais, sim, s\u00e3o essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, \u00e9 necess\u00e1rio falar a verdade, ser honesto e claro nas explica\u00e7\u00f5es que vamos dar aos pequenos, por\u00e9m, mais uma vez, \u00e9 necess\u00e1rio entender que tudo tem o seu tempo e <strong>utilizar termos adequados para cada crian\u00e7a especificamente<\/strong>. Para al\u00e9m do medo e preconceito que os pais possam ter, \u00e9 preciso se informar para poder transmitir verdades baseadas em fatos e fugir do que apenas \u201cchoca\u201d, como imagens de crian\u00e7as entorpecidas ou em coma alco\u00f3lico, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro erro \u00e9 simplificar e dizer que \u201cdroga mata\u201d. Os entorpecentes n\u00e3o s\u00e3o iguais, oferecem diferentes riscos e podem ter efeitos diversos em cada indiv\u00edduo (que, por sua vez, podem apresentar particularidades de sa\u00fade f\u00edsica e mental que aumentam o risco no uso de determinada droga).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse momento, a literatura, v\u00eddeos e a escola tamb\u00e9m podem ajudar na forma\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, j\u00e1 que podem abordar o conte\u00fado de maneira l\u00fadica. \u201cN\u00e3o adianta dar aquele serm\u00e3o na aula, porque isso vai entrar por um ouvido e sair pelo outro. Mas \u00e9 poss\u00edvel falar toda semana um pouquinho\u201d, indica o pediatra Jo\u00e3o Paulo, <strong>sugerindo que as escolas promovam pequenas discuss\u00f5es em v\u00e1rias disciplinas e de diferentes maneiras<\/strong>. \u201cS\u00f3 precisa ter const\u00e2ncia no trabalho de preven\u00e7\u00e3o, tanto na escola quanto em casa. N\u00e3o podemos resolver o problema das drogas em uma \u00fanica bronca quando um adolescente volta de uma festa cheirando \u00e1lcool. <strong>A conversa precisa acontecer antes e ser cont\u00ednua<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>\u00c9 preciso dar o exemplo!<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, por mais que a conversa esteja alinhada, sabemos muito bem o impacto que o exemplo dos pr\u00f3prios pais t\u00eam, j\u00e1 que, <strong>na primeira inf\u00e2ncia, eles costumam ser modelos dos filhos<\/strong>. Dados da pesquisa do IBGE mostram que 58,9% dos estudantes de 13 a 17 anos responderam que o pai, a m\u00e3e ou ambos consomem bebidas alco\u00f3licas. \u201cComo voc\u00ea vai falar para um filho n\u00e3o fumar se voc\u00ea fuma? Ou vai dizer pro filho n\u00e3o beber, se nas suas festas de fam\u00edlia, voc\u00ea tem 40 latas de cerveja na mesa? O menininho de 6 anos vendo o pai bebendo e fumando cigarro eletr\u00f4nico vai ficar motivado a fazer o mesmo\u201d, acredita o presidente do N\u00facleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas para Crian\u00e7as e Adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que as crian\u00e7as compreendam a no\u00e7\u00e3o do risco, diz o pediatra, os pais tamb\u00e9m precisam entender que ele existe. \u00c9 comum acreditar que perigos relacionados ao \u00e1lcool, como dirigir embriagado ou ainda quadros severos relacionados \u00e0s drogas s\u00e3o realidades distantes. \u00c9 o famoso \u201ccomigo n\u00e3o acontece\u201d, onde os adultos ignoram sinais de que o consumo de \u00e1lcool, tabaco ou outras drogas possam estar prejudicando a vida \u2013 e que podem, sim, influenciar nas escolhas dos filhos no futuro. Afinal, <strong>a crian\u00e7a pode normalizar o uso (ou mesmo os excessos dos pais) e achar que tudo bem agir assim<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, al\u00e9m do exemplo, o apoio da fam\u00edlia tamb\u00e9m pode ter desdobramentos nos h\u00e1bitos futuros da crian\u00e7a. \u00c9 o que <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2352853222000438\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">mostra um estudo<\/a> da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, publicado em 2022 na revista Addictive Behavior. Nele, os pesquisadores associam a solid\u00e3o na inf\u00e2ncia a um n\u00edvel elevado de estresse, o que resultaria em um consumo abusivo de \u00e1lcool na vida adulta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa contou com a participa\u00e7\u00e3o de 310 universit\u00e1rios que responderam a question\u00e1rios sobre sua inf\u00e2ncia. <strong>Os resultados mostraram que aqueles que relataram sentir-se mais sozinhos antes dos 12 anos tamb\u00e9m apresentaram um consumo mais frequente e em maior quantidade de \u00e1lcool na adolesc\u00eancia e na vida adulta, em compara\u00e7\u00e3o com crian\u00e7as que n\u00e3o se sentiam solit\u00e1rias<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso apenas refor\u00e7a o que os pediatras de todo mundo j\u00e1 enfatizam: o acolhimento familiar e das pessoas ao redor da crian\u00e7a \u00e9 de extrema import\u00e2ncia na preven\u00e7\u00e3o do abuso de drogas em seu futuro. E n\u00e3o apenas a presen\u00e7a dos pais \u00e9 importante no cotidiano infantil, mas seu <strong>olhar atento para o filho, buscando incentivar sua socializa\u00e7\u00e3o e notando desvios comportamentais<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"http:\/\/quindim.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"1170\" height=\"405\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.png\" alt=\"Assine o Clube de Leitura Quindim\" class=\"wp-image-41460\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.png 1170w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-768x266.png 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-150x52.png 150w\" sizes=\"(max-width: 1170px) 100vw, 1170px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><strong>Confian\u00e7a \u00e9 a base!<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acompanhar os filhos em suas jornadas de entendimento pode n\u00e3o ser uma tarefa f\u00e1cil. \u00c9 necess\u00e1rio cultivar a escuta atenta, atualizar-se e dialogar com base em evid\u00eancias, acompanhando de perto cada fase. Tamb\u00e9m \u00e9 importante estimular o conv\u00edvio social e o lazer, mas estabelecer combinados (e reavali\u00e1-los, quando necess\u00e1rio), al\u00e9m de oferecer suporte diante de d\u00favidas e poss\u00edveis deslizes. E tudo isso <strong>revendo os pr\u00f3prios h\u00e1bitos para servir de exemplo<\/strong>. Quanto menos tabu existir nos papos com os nossos filhos e quanto mais aberto e franco for o di\u00e1logo ao longo da vida, maiores ser\u00e3o as chances de que a orienta\u00e7\u00e3o seja efetiva e valiosa na forma\u00e7\u00e3o desse indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o muitos desafios, bem sabemos, mas vale a pena encar\u00e1-los, viu? <strong>Ao crescerem cientes dos riscos e amparados por essa base de confian\u00e7a com os pais, as crian\u00e7as tendem a chegar \u00e0 adolesc\u00eancia com autoestima, sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento e com maior tranquilidade para lidar com a press\u00e3o social<\/strong>. Essa combina\u00e7\u00e3o geralmente resulta em uma base de seguran\u00e7a que permite que, diante da fase de curiosidade e experimenta\u00e7\u00e3o \u2013 que \u00e9 natural e esperado que aconte\u00e7a! \u2013, nossos filhos possam fazer escolhas mais conscientes. Essa \u00e9 a verdadeira preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 essencial informar as crian\u00e7as sobre as drogas, mas \u00e9 importante respeitar o tempo e a maturidade de cada uma, combinado? Al\u00e9m disso, lembre-se de que essa conversa deve ser constante e cont\u00ednua. <\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":51308,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[2608,4],"tags":[],"class_list":["post-51297","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude","category-educacao"],"acf":{"posts_relacionados":[46235,46558,45916]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51297"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51297\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45916"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46558"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}