{"id":4888,"date":"2020-01-02T15:12:00","date_gmt":"2020-01-02T18:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/?p=4888"},"modified":"2023-11-23T16:36:50","modified_gmt":"2023-11-23T19:36:50","slug":"odilon-moraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/odilon-moraes\/","title":{"rendered":"Quindim entrevista Odilon Moraes: autor fala sobre sua obra e a inf\u00e2ncia hoje"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma princesinha que tem medo de tudo, um menino que se afei\u00e7oa a uma tartaruga que se parece com a Lua. Esses personagens marcantes da literatura infantil brasileira s\u00e3o fruto da cria\u00e7\u00e3o do autor Odilon Moraes. Nascido em S\u00e3o Paulo e formado arquiteto, Odilon j\u00e1 ilustrou mais de cinquenta livros e recebeu pr\u00eamios como o Jabuti e o Adolfo Aizen (Uni\u00e3o Brasileira de Escritores). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uso de espa\u00e7os em branco, a inser\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio no meio da obra, um tom melanc\u00f3lico e po\u00e9tico, al\u00e9m da abordagem de temas muito sens\u00edveis s\u00e3o tra\u00e7os presentes em seu trabalho. Odilon \u00e9 capaz de comover leitores de gera\u00e7\u00f5es distintas e de suscitar uma s\u00e9rie de reflex\u00f5es. Enfim, trata-se de uma produ\u00e7\u00e3o consagrada entre os especialistas, que com frequ\u00eancia aparece na sele\u00e7\u00e3o do <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Clube Quindim (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/www.clubequindim.com.br\/\" target=\"_blank\">Clube Quindim<\/a> \u2013 <em><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"A princesinha medrosa (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/medo-na-infancia\/\" target=\"_blank\">A princesinha medrosa<\/a><\/em>, <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Pedro e Lua e Bia e o elefante (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/livros-infantis-relacoes-humanas\/\" target=\"_blank\"><em>Pedro e Lua<\/em> e <em>Bia e o elefante<\/em><\/a> s\u00e3o alguns exemplos de t\u00edtulos que levamos aos nossos assinantes. Hoje, batemos um papo com o autor para compreender um pouco mais sobre suas inspira\u00e7\u00f5es e seu olhar sobre a inf\u00e2ncia:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading subtituloh4\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#404040\" class=\"has-inline-color\"><strong>Clube Quindim: Em outras entrevistas, voc\u00ea comentou que o livro ilustrado \u00e9 um g\u00eanero que independe do p\u00fablico, mas que tem ader\u00eancia com as crian\u00e7as, esses seres em estado de experimenta\u00e7\u00e3o do mundo. Pensando nisso, e em como perdemos esse estado ao longo da vida, o que o livro ilustrado pode despertar nos pais dessas crian\u00e7as, nos adultos de forma geral?<\/strong><\/span><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><strong>Odilon Moraes:<\/strong> Tem um pensador de livro ilustrado que fala que o adulto se apaixona de uma maneira diferente por esse tipo de livro. A crian\u00e7a se apaixona pela hist\u00f3ria que est\u00e1 sendo contada, ela n\u00e3o pensa na estrutura. J\u00e1 o adulto tem dois prazeres: um \u00e9 a hist\u00f3ria, como a crian\u00e7a, e o outro, especialmente se ele \u00e9 um estudioso, \u00e9 perceber os mecanismos usados por essa linguagem h\u00edbrida para contar a hist\u00f3ria. Perceber o jogo que vai sendo jogado entre imagem e texto \u00e9 um prazer, descobrir como essa hist\u00f3ria \u00e9 contada de uma maneira espec\u00edfica atrav\u00e9s dessa linguagem diferente. Sou realmente apaixonado por isso. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading subtituloh4\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#404040\" class=\"has-inline-color\"><strong>C.Q.: Muitos acreditam que devemos evitar tratar de \u201ctemas dif\u00edceis\u201d como o luto com as crian\u00e7as, ou que o livro infantil n\u00e3o deveria incluir essas tem\u00e1ticas. Muitas de suas obras, como <em>Pedro e Lua<\/em>, contrariam isso. Como enxerga essa quest\u00e3o? <\/strong> <\/span><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><strong>O.M.:<\/strong> Acho que essas posi\u00e7\u00f5es meio ideol\u00f3gicas no sentido do que a crian\u00e7a pode ou n\u00e3o pode fazer ou acessar t\u00eam uma tend\u00eancia a mudar o tempo todo. Basta olhar para a hist\u00f3ria da humanidade e da pedagogia. N\u00e3o acho que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do escritor pensar por onde pode ir e por onde n\u00e3o pode ir. O livro ilustrado, pelo menos para mim, \u00e9 um espa\u00e7o de escrita, de contar suas ideias. Al\u00e9m disso, as crian\u00e7as e os adultos s\u00e3o variados e diferentes. H\u00e1 pontos de vista muito diferentes, assim como interpreta\u00e7\u00f5es sobre as obras. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o tento falar com a crian\u00e7a porque, humildemente, n\u00e3o sei quem \u00e9 a crian\u00e7a com quem estou falando. E vemos que as crian\u00e7as ficam intrigadas com quest\u00f5es diferentes a cada momento. Percebo no meu filho, por exemplo, que tem universos que n\u00e3o o tocam. Tudo depende do momento em que ele se encontra. Ent\u00e3o, enfim, n\u00e3o acho que a quest\u00e3o \u00e9 ser alegre ou triste, mas os pontos de vista envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading subtituloh4\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#404040\" class=\"has-inline-color\"><strong>C.Q.: Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de contemplar livros ilustrados e ilustra\u00e7\u00f5es nesse momento de hiperconex\u00e3o tecnol\u00f3gica?<\/strong> <\/span><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><strong>O.M.:<\/strong> Acho que s\u00e3o duas coisas diferentes. A experi\u00eancia com o livro ilustrado \u00e9 \u00fanica. Era como, antes, se comparava o teatro \u00e0 televis\u00e3o, como se o teatro fosse acabar, mas cada um encontrou seu territ\u00f3rio. O contexto reafirmou quest\u00f5es identit\u00e1rias de cada territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acho que <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/educacao-midiatica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"a coisa virtual (opens in a new tab)\">a coisa virtual<\/a> fez muito bem para o livro ilustrado, porque se descobriu um territ\u00f3rio \u00fanico e exclusivo dele. Por exemplo, o formato, a maneira de manusear, o \u00e2ngulo de abertura entre as p\u00e1ginas \u2013 como a autora \u00c2ngela Lago explora \u2013 s\u00e3o partes da hist\u00f3ria, um tipo de hist\u00f3ria que n\u00e3o pode ser contado em outro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo leitor completa a obra, a obra n\u00e3o existe sem o leitor, mas, no caso do livro ilustrado, o leitor ainda tem que dar conta de juntar informa\u00e7\u00f5es aparentemente contradit\u00f3rias, como se ouvisse duas hist\u00f3rias ao mesmo tempo, que se cruzam algumas vezes e em outras n\u00e3o. H\u00e1 um modo de se portar diante da obra que \u00e9 riqu\u00edssimo, e o ambiente virtual, por outro lado, tem outras descobertas interessantes que s\u00f3 acontecem l\u00e1. O livro ilustrado \u00e9 um territ\u00f3rio, e como territ\u00f3rio n\u00e3o necessariamente est\u00e1 em guerra com outros. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading subtituloh4\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#404040\" class=\"has-inline-color\"><strong>C.Q.: Voc\u00ea tamb\u00e9m fala que um tema que cruza seus livros \u00e9 o sil\u00eancio. Na sua opini\u00e3o, qual \u00e9 a import\u00e2ncia de cultivar o sil\u00eancio em nosso tempo?<\/strong> <\/span><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><strong>O.M.:<\/strong> Me surpreende e me ensina saber que tem sil\u00eancio na minha obra, n\u00e3o foi algo intencional. Em um texto j\u00e1 tentei dizer que veio da rela\u00e7\u00e3o com o meu pai, que pintava, e a nossa conversa n\u00e3o se dava pela palavra, at\u00e9 porque ele n\u00e3o era muito da palavra, mas pelos desenhos, e o desenho \u00e9 a forma mais silenciosa de se falar. Talvez tamb\u00e9m fa\u00e7a parte da minha vida, de ser do interior. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando teoricamente virei escritor, compreendi algo que achei muito bacana, que escrever n\u00e3o \u00e9 colocar palavras, \u00e9 cortar palavras, entender que o quanto voc\u00ea mostra e esconde tem de ser proporcional. E no livro ilustrado h\u00e1 o que voc\u00ea mostra e esconde na palavra e no desenho. Entra o sil\u00eancio da palavra e o sil\u00eancio da imagem que n\u00e3o \u00e9 mostrada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading subtituloh4\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#404040\" class=\"has-inline-color\"><strong>C.Q.: Quais s\u00e3o os maiores desafios apresentados para a inf\u00e2ncia hoje, na sua opini\u00e3o?<\/strong> <\/span><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><strong>O.M.: <\/strong>O maior desafio talvez seja o que, pessoalmente, para mim, <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/beneficios-tecnologia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"\u00e9 um desafio horroroso, que \u00e9 o mundo da tecnologia (opens in a new tab)\">\u00e9 um desafio horroroso, que \u00e9 o mundo da tecnologia<\/a>. Eu nem sei mexer no computador e descobrir que muitas coisas s\u00f3 podem ser feitas pelo computador, pelo celular, \u00e9 muito dif\u00edcil. \u00c9 um mundo em certa medida horr\u00edvel, mas para as crian\u00e7as \u00e9 o contr\u00e1rio, \u00e9 o natural. N\u00e3o sei se o que vemos como um horror n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o fim de um tempo que passou. Eles v\u00e3o ter uma forma de viver nesse mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao livro nesse contexto, acho que ele vai se\nreinventar. N\u00e3o acho que o digital seja uma amea\u00e7a de morte ao livro, embora\nalguns tenham previsto isso. Pelo contr\u00e1rio: despertou o livro, e o livro\nilustrado vem nesse movimento. Sua qualidade material \u00e9 important\u00edssima,\nimprescind\u00edvel, ele \u00e9 a \u201caldeia gaulesa\u201d dos livros f\u00edsicos. Se o livro digital\nfor ocupar esse territ\u00f3rio, como se dizia h\u00e1 alguns anos, eu diria que o livro\nilustrado seria o \u00faltimo territ\u00f3rio a ser dominado, porque a qualidade do\nobjeto faz parte da literatura. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns bloco-cta has-background is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"background-color:#fdb813\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\"><img decoding=\"async\" width=\"434\" height=\"195\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/call01.png\" alt=\"Assine o Clube Quindim\" class=\"wp-image-9392\" title=\"\"><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column bloco-cta-direita is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center titulo-cta wp-block-paragraph\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">APROVEITE ESTE MOMENTO PARA INCENTIVAR A LEITURA!<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-100 botao-cta is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#e3e2e2\" class=\"has-inline-color\">ASSINE O CLUBE QUINDIM E RECEBA OS MELHORES LIVROS INFANTIS!<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor de &#8220;A princesinha medrosa&#8221; e &#8220;Pedro e Lua&#8221;, Odilon Moraes bate um papo com o Quindim para falar sobre seu trabalho e os desafios atuais.<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":10845,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[686,509,1],"tags":[],"class_list":["post-4888","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","category-cultura","category-sem-categoria"],"acf":{"posts_relacionados":[25879,26656,23748]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4888\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23748"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26656"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25879"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10845"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}