{"id":4514,"date":"2019-12-09T11:36:03","date_gmt":"2019-12-09T14:36:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/?p=4514"},"modified":"2021-12-29T11:20:44","modified_gmt":"2021-12-29T14:20:44","slug":"meninos-e-meninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/meninos-e-meninas\/","title":{"rendered":"Meninos e meninas ao redor do mundo: como diferentes culturas os enxergam"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que faz os meninos serem meninos e as meninas serem meninas? Quem cria filhos, ou convive com crian\u00e7as, percebe como eles se moldam aos poucos nessas diferen\u00e7as. Para al\u00e9m da diferen\u00e7a f\u00edsica, que exerce seu papel muito mais na frente, meninos e meninas v\u00e3o aprendendo a se comportar de determinada maneira por meio dos brinquedos que recebem, do que assistem na televis\u00e3o e aprendem na escola. Basta pensar que, aos meninos, a fam\u00edlia e a sociedade v\u00e3o ensinar a jogar bola e brincar de lutinha, a serem corajosos e n\u00e3o demonstrar sentimentos. J\u00e1 as meninas s\u00e3o estimuladas a cuidar da apar\u00eancia, a cuidar das bonecas, e a serem meigas e delicadas. \u00c9 assim que, na inf\u00e2ncia, o comportamento que se espera de adultos e adultas vai sendo moldado. Mas ser\u00e1 que \u00e9 assim em outras sociedades? <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/minha-familia-enauene.jpg\" alt=\"personagens femininas: minha familia enauene\" class=\"wp-image-33157\" width=\"215\" height=\"262\" title=\"\"><figcaption><strong>Escritora:&nbsp;<\/strong>Rita Carelli<br><strong>Ilustradora:&nbsp;<\/strong>Anabella L\u00f3pez<br><strong>Editora:<\/strong>&nbsp;FTD<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No livro <em>Minha fam\u00edlia <\/em>e<em>nauen\u00ea<\/em>, com belas ilustra\u00e7\u00f5es de Anabella L\u00f3pez e entregue na sele\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.clubequindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Clube Quindim (opens in a new tab)\">Clube Quindim<\/a> de <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/livros-infantis-relacoes-humanas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"novembro (opens in a new tab)\">novembro<\/a>, a autora Rita Carelli conta sua experi\u00eancia de ter passado parte da inf\u00e2ncia na aldeia ind\u00edgena dos Enauen\u00ea-Nau\u00ea. L\u00e1, ela observou diferentes pap\u00e9is e rituais relacionados a ser menino e a ser menina. As meninas e mulheres n\u00e3o passam pelo centro da aldeia, sempre d\u00e3o a volta por tr\u00e1s das casas. Tamb\u00e9m ficam com atividades como moer farinha no pil\u00e3o e fiar, enquanto os meninos se ocupam de ca\u00e7ar e explorar a floresta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como vemos em todas as sociedades, o que faz meninos e meninas serem meninos e meninas \u00e9 justamente essa distribui\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is. Tanto que Rita deseja ser um menino e \u00e9 reconhecida como tal quando desempenha as atividades de meninos e ganha respeito com essas a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 quem ela \u00e9 biologicamente, mas como se porta diante da cultura que faz a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Meninos e meninas pelo mundo <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Outros povos ind\u00edgenas delimitam pap\u00e9is parecidos para meninos e meninas, mas \u00e9 interessante ver como certas sociedades apresentam comportamentos bem diferentes para cada grupo. Essa foi uma das principais descobertas da antrop\u00f3loga norte-americana Margaret Mead. A pesquisadora observou o comportamento de adultos e crian\u00e7as de diversas comunidades ao redor do mundo a partir da d\u00e9cada de 1930. Ela constatou que certas caracter\u00edsticas, apesar de serem associadas ao sexo masculino ou feminino, como se fossem naturalmente ou <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/masculinidade-toxica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"biologicamente masculinas (opens in a new tab)\">biologicamente masculinas<\/a> ou femininas, s\u00e3o reflexos culturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Notou, por exemplo, que a tribo da Nova Guin\u00e9 Arapesh demonstrava uma gentileza universal. Homens e mulheres se mostravam gentis, n\u00e3o agressivos e se envolviam, os dois, no cuidado com os filhos, sendo estimulados a isso desde a inf\u00e2ncia. Tamb\u00e9m encontrou o povo Mundugumor, por outro lado, agressivos e violentos, sem distin\u00e7\u00e3o de sexo. J\u00e1 no povo Tchambuli, notou que as mulheres tinham um claro protagonismo, com mais poder que os homens \u2013 elas forneciam os alimentos, pescavam e faziam as vendas. Os homens cuidavam da arte e da est\u00e9tica, e se mostravam mais emotivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mead constatou ainda que as crian\u00e7as dessas tribos nem sempre manifestavam comportamentos comuns \u00e0s crian\u00e7as norte-americanas, como ci\u00fame entre irm\u00e3os. Entre as crian\u00e7as de Bali percebeu que ficavam muito tempo, at\u00e9 o primeiro ano, sendo carregadas pelas pessoas \u2013 homens, mulheres, jovens, idosos e at\u00e9 por outras crian\u00e7as. Com isso, aprendiam mais sobre o mundo humano e o corpo, e eram estimuladas ao contato.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Inadapta\u00e7\u00e3o: uma dor universal <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>A antrop\u00f3loga identificou algo interessante em seus estudos e observa\u00e7\u00f5es. Pessoas dessas comunidades que n\u00e3o se comportavam dentro dos padr\u00f5es vigentes sofriam opress\u00e3o e preconceito. A mesma coisa percebemos hoje no Brasil. Com frequ\u00eancia, meninos que brincam de boneca, por exemplo, podem ser repreendidos, assim como meninas que queiram praticar lutas e jogar futebol. Ou seja: independentemente do comportamento imposto, o fato \u00e9 que impor alguma norma gera sofrimento, pois nem todo mundo vai se sentir \u00e0 vontade dentro do que \u00e9 esperado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, s\u00e3o os comportamentos esperados de meninos e meninas que levam aos estere\u00f3tipos, \u00e0 ideia de que uma mulher deve ser de determinado jeito e que um homem deve ser de outro determinado jeito. Assim, a forma de evitar a constru\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos, que tanto engessam a todos n\u00f3s, \u00e9 buscar uma maior neutralidade na cria\u00e7\u00e3o de meninos e meninas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Os estere\u00f3tipos alimentados desde a inf\u00e2ncia <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Capas-blog-17.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4598\" width=\"190\" height=\"286\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Capas-blog-17.jpg 542w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Capas-blog-17-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 190px) 100vw, 190px\" \/><figcaption>N\u00e3o devemos alimentar estere\u00f3tipos de g\u00eanero para n\u00e3o criar opress\u00e3o desde cedo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Experi\u00eancias nesse sentido j\u00e1 s\u00e3o realizadas em pa\u00edses como a Su\u00e9cia. Ali, fez-se um <a href=\"https:\/\/emais.estadao.com.br\/noticias\/comportamento,criancas-que-vivem-em-igualdade-de-genero-atribuem-menos-estereotipos,70001879462\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">estudo<\/a> com crian\u00e7as de 3 a 6 anos de uma escola que, entre outras a\u00e7\u00f5es, evita a diferencia\u00e7\u00e3o de brinquedos para meninos e meninas. A pesquisa comparou o comportamento desses alunos com os de uma escola tradicional. O que se notou foi que as crian\u00e7as do primeiro grupo tinham menos tend\u00eancia a reproduzir estere\u00f3tipos e maior interesse em brincar com crian\u00e7as do g\u00eanero oposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro risco de alimentar estere\u00f3tipos de g\u00eanero na inf\u00e2ncia \u00e9 que isso parece criar opress\u00f5es desde cedo. Um estudo realizado pela Plan aponta, por exemplo, que mais de 81% das meninas entre 6 e 14 anos arrumam a pr\u00f3pria cama, em oposi\u00e7\u00e3o a 11% dos meninos. Mais de 76% tamb\u00e9m lavam a lou\u00e7a e 65% limpam a casa, enquanto 12% dos meninos lavam a lou\u00e7a e 11% limpam a casa. Ou seja, as brincadeiras e pap\u00e9is desenhados na inf\u00e2ncia j\u00e1 parecem prender meninas ao trabalho dom\u00e9stico, e liberar meninos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos que a distribui\u00e7\u00e3o de tarefas dom\u00e9sticas ainda \u00e9 bem desigual no Brasil. <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/especiais\/especial-cidadania\/divisao-de-tarefas-domesticas-ainda-e-desigual-no-brasil\/divisao-de-tarefas-domesticas-ainda-e-desigual-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Dados do IBGE de 2017<\/a> apontam que, por semana, as mulheres gastam mais de 20 horas com tarefas dentro de casa. Enquanto isso, os homens gastam 10. Uma diferen\u00e7a que parece ser semeada ainda nas brincadeiras que s\u00e3o tra\u00e7adas na inf\u00e2ncia, e que cabe a n\u00f3s, adultos, rever e diversificar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns bloco-cta has-background is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"background-color:#fdb813\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\"><img decoding=\"async\" width=\"434\" height=\"195\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/call01.png\" alt=\"Assine o Clube Quindim\" class=\"wp-image-9392\" title=\"\"><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column bloco-cta-direita is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center titulo-cta wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">APROVEITE ESTE MOMENTO PARA INCENTIVAR A LEITURA!<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-100 botao-cta is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><span style=\"color:#e3e2e2\" class=\"has-inline-color\">ASSINE O CLUBE QUINDIM E RECEBA OS MELHORES LIVROS INFANTIS!<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas brincadeiras, na escola e na TV, uma s\u00e9rie de mensagens moldam como meninos e meninas devem se comportar. 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