{"id":440,"date":"2020-06-08T16:03:05","date_gmt":"2020-06-08T19:03:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.clubequindim.com.br\/?p=440"},"modified":"2023-07-27T17:30:59","modified_gmt":"2023-07-27T20:30:59","slug":"protagonismo-negro-nos-livros-infantis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/protagonismo-negro-nos-livros-infantis\/","title":{"rendered":"Podemos falar de protagonismo negro nos livros infantis?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Neste artigo, Eliane Debus fala sobre a import\u00e2ncia do<\/em>\u00a0<em>protagonismo negro\u00a0nos livros infantis<\/em>.\u00a0<em>Para que crian\u00e7as e jovens n\u00e3o convivam somente com uma representa\u00e7\u00e3o euroc\u00eantrica de personagens.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cara(o) leitor(a) convido-a(o)&nbsp; para ir at\u00e9 a estante que abriga os seus livros, n\u00e3o apenas presencial, mas tamb\u00e9m a de mem\u00f3ria, aquela mem\u00f3ria leitora que nos atravessa vida afora. E ent\u00e3o folhear as p\u00e1ginas, recolher as palavras e averiguar se as personagens negras lhe foram apresentadas. Caso no tecido da mem\u00f3ria tenha encontrado o fio em alinhavo que lhe trouxe a imagem das personagens, pe\u00e7o, ent\u00e3o, que minuciosamente desfie-o. E, por fim, a observe como foram apresentadas. Essas personagens atuavam na a\u00e7\u00e3o como protagonistas ou mera coadjuvantes?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando executei pela primeira vez esse exerc\u00edcio de rememorar me veio \u201cas negras de estima\u00e7\u00e3o\u201d de Jos\u00e9 Lins do Rego (V\u00f3 Totonha) e, al\u00e9m disso, Monteiro Lobato (Tia Nast\u00e1cia). Sabedoras das narrativas populares, mas desqualificadas por esses mesmos saberes, se retomarmos&nbsp;<em>Hist\u00f3rias de Tia Nast\u00e1cia.&nbsp;<\/em>Mulheres negras na sua condi\u00e7\u00e3o de subalternidade bem como mulheres negras embranquecidas como a Escrava Isaura. \u00c0s imagens da inf\u00e2ncia, das duas primeiras soma-se o Saci e o Negrinho do Pastoreio, o pequeno Andr\u00e9 escravizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 minha gera\u00e7\u00e3o, que viveu as primeiras leituras no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, coube ent\u00e3o um acervo de livros monoc\u00f3rdios. E tamb\u00e9m de ilustra\u00e7\u00f5es pouco coloridas e, al\u00e9m disso, com personagens de matriz euroc\u00eantrica. Estar\u00edamos ainda a merc\u00ea de uma literatura que n\u00e3o tematiza a cultura africana e afro-brasileira? As personagens negras ainda ocupam papel menor nos enredos ou j\u00e1 encontramos protagonismo negro nos livros infantis?&nbsp;<strong>De que cor \u00e9 a cor da literatura brasileira para inf\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m:&nbsp;<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/representatividade-negra-na-literatura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Representatividade negra na literatura infantil: veja 10 livros para ler com os pequenos<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Protagonismo negro nos livros infantis contempor\u00e2neos<\/mark><\/mark><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podemos afirmar que a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria para inf\u00e2ncia, que circula no mercado editorial contempor\u00e2neo, tem enegrecido nos \u00faltimos anos. Em particular a partir da \u00a0aprova\u00e7\u00e3o Lei 10.639 (2003), da elabora\u00e7\u00e3o das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais e para o Ensino de Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira (2004). E de outros documentos de implementa\u00e7\u00e3o da lei que se acresceram nos \u00faltimos quatorze anos. Colaborando, assim, para a constitui\u00e7\u00e3o de um acervo pluri\u00e9tnico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"410\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/protagonismo-negro-nos-livros-infantis-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52267\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/protagonismo-negro-nos-livros-infantis-1.jpg 570w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/protagonismo-negro-nos-livros-infantis-1-150x108.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse per\u00edodo demarcado aqui pelo ano de 2003, vimos um aumento significativo do mercado editorial brasileiro \u201ca partir da necessidade de livros que tematizem e problematizem as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, por meio da representa\u00e7\u00e3o de personagens negras como protagonistas e narrativas que focalizem o continente africano como m\u00faltiplo; desfazendo ideias enraizadas como aquelas que trazem as personagens negras em pap\u00e9is de submiss\u00e3o e\/ou retratando o per\u00edodo escravista, bem como a representa\u00e7\u00e3o do continente africano pelo vi\u00e9s do ex\u00f3tico\u201d (DEBUS, 2017, p. 37). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a produ\u00e7\u00e3o tenha se ampliado em quantidade isso n\u00e3o garante qualidade. Bem como n\u00e3o se pode acreditar que a representa\u00e7\u00e3o de personagens negras, por si s\u00f3, qualifica a narrativa. E que ela n\u00e3o traga uma representa\u00e7\u00e3o de subservi\u00eancia, ilustra\u00e7\u00f5es estereotipadas, e palavras racistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A representa\u00e7\u00e3o de personagens negras, para al\u00e9m da identifica\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o da autoestima da crian\u00e7a negra, deve contribuir para que possamos ver o outro, e n\u00e3o o mesmo de sempre, para que a crian\u00e7a n\u00e3o negra tamb\u00e9m (re)conhe\u00e7a a cultura africana e afro-brasileira e o seu papel na forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para isso, se faz necess\u00e1rio ampliar o repert\u00f3rio leitor, para que nossas crian\u00e7as e jovens n\u00e3o convivam somente com uma a representa\u00e7\u00e3o euroc\u00eantrica de personagens. Convido aqueles que nas rela\u00e7\u00f5es afetivas do lar (pais, m\u00e3es, tias\/tios, av\u00f4s\/av\u00f3s entre outros) e nas rela\u00e7\u00f5es efetivas institucionais (professores, bibliotec\u00e1rios, entre outros) tamb\u00e9m ampliem seus repert\u00f3rios com livros liter\u00e1rios que problematizem reflex\u00f5es sobre pr\u00e1ticas antirracistas para o universo da inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m:&nbsp;<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/livros-diversidade-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Livros para falar sobre diversidade com as crian\u00e7as<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Refer\u00eancia<\/mark><\/mark><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DEBUS, Eliane.&nbsp;<em>A tem\u00e1tica da cultura africana e afro-brasileira na literatura para crian\u00e7as e jovens<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2017.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.png\" alt=\"Assine o Clube de Leitura Quindim\" class=\"wp-image-41460\" width=\"810\" height=\"280\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim.png 1170w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-768x266.png 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-o-Clube-de-Leitura-Quindim-150x52.png 150w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quais as personagens negras nos livros infantis? Que espa\u00e7o elas ocupam? A especialista Eliane Debus fala sobre protagonismo negro nos livros infantis<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":10029,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[4,514,503,512,499],"tags":[],"class_list":["post-440","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-educacao-familia","category-educacao-escolar","category-historia","category-literatura-infantil"],"acf":{"posts_relacionados":[12261,22279,50495]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50495"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22279"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12261"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}