{"id":4022,"date":"2019-11-14T11:38:33","date_gmt":"2019-11-14T14:38:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/?p=4022"},"modified":"2024-04-17T10:29:42","modified_gmt":"2024-04-17T13:29:42","slug":"preconceitos-contra-povos-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/preconceitos-contra-povos-indigenas\/","title":{"rendered":"5 erros sobre os povos ind\u00edgenas que voc\u00ea deve abandonar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que a maior parte dos brasileiros sabe sobre os povos&nbsp;<a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/a-cultura-dos-povos-indigenas-ao-alcance-das-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ind\u00edgenas<\/a>? Apesar de serem os povos origin\u00e1rios brasileiros, eles muitas vezes ocupam uma posi\u00e7\u00e3o de invisibilidade em nossa sociedade. E, quando aparecem, com frequ\u00eancia s\u00e3o retratados de maneira preconceituosa e estereotipada. Contudo, se queremos construir uma sociedade diversa, que respeite todas as pessoas e valorize sua riqueza cultural, \u00e9 essencial construir uma releitura dos povos ind\u00edgena no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensando nisso, a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo criou o manual&nbsp;<em>Povos ind\u00edgenas: orienta\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas<\/em>, com informa\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rias da tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, escrito pelos autores ind\u00edgenas Cristino Wapichana e Daniel Munduruku (<a href=\"http:\/\/portal.sme.prefeitura.sp.gov.br\/Portals\/1\/Files\/53254.pdf?fbclid=IwAR3IDWlIZxbuA67JfKzXZglag2Tl3stvHOJ_2aRJbe-nGwbs4oRmjLyCLZ8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">baixe aqui<\/a>). Dessa maneira, espera-se que seja poss\u00edvel oferecer um tratamento novo, mais humano e digno aos povos ind\u00edgenas. Com base nesse material, separamos cinco erros que as pessoas cometem quando falam sobre os povos ind\u00edgenas, e que voc\u00ea deve abandonar o quanto antes. Veja s\u00f3:<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">5 equ\u00edvocos sobre os povos ind\u00edgenas brasileiros <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cPois todo dia era dia de \u00edndio<br>Todo dia era dia de \u00edndio<br>Mas agora eles s\u00f3 tem<br>O dia 19 de Abril\u201d.<br>Jorge Ben Jor<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">1. Cham\u00e1-lo de \u00edndio <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo em nosso mundo \u00e9 mediado pela linguagem. As palavras t\u00eam muito poder: podem ser agressivas ou acolhedoras, podem empoderar ou humilhar uma pessoa ou um grupo de indiv\u00edduos. Repensar nossa linguagem para que seja mais inclusiva \u00e9 muito importante, e ressignificar a forma como os ind\u00edgenas s\u00e3o vistos em nossa sociedade come\u00e7a da\u00ed. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, \u00e9 preciso, antes de qualquer coisa, abolir o uso do termo \u201c\u00edndios\u201d. Esse termo \u00e9 considerado racista, colonialista e preconceituoso. Ele est\u00e1 associado a uma ideia de atraso tecnol\u00f3gico, primitivismo e canibalismo, a um povo \u201cb\u00e1rbaro\u201d que foi dominado pelos portugueses que teriam \u201cdescoberto\u201d o Brasil. Essa imagem, no fim, foi uma constru\u00e7\u00e3o dos colonizadores que reduziu e escravizou os ind\u00edgenas. J\u00e1 a palavra \u201cind\u00edgenas\u201d significa \u201cnativo\u201d, \u201coriginal de um lugar\u201d, uma nomenclatura muito mais digna e respeitosa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">2. Usar a palavra tribo <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra palavra que, ao longo do tempo, foi usada de forma colonizadora para reduzir ind\u00edgenas e trat\u00e1-los como primitivos \u00e9 \u201ctribo\u201d. Ela esconde a riqueza cultural ind\u00edgena. Falar em povos ind\u00edgenas em vez de tribo destaca suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e traz uma ideia de autonomia, de um povo que n\u00e3o depende de uma cultura que o hospede. S\u00e3o povos muito diversos, como o Mundukuru, Xavante, Guarani, entre outros, que t\u00eam um caminho pautado pela tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">3. Acreditar que Pedro \u00c1lvares Cabral descobriu o Brasil <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria oficial do Brasil que aprendemos na escola foi constru\u00edda de acordo com uma vis\u00e3o euroc\u00eantrica, ou seja, centrada no europeu. Nela, os ind\u00edgenas s\u00e3o posicionados como figuras secund\u00e1rias, que aceitaram a domina\u00e7\u00e3o do colonizador por serem supostamente \u201cinferiores\u201d culturalmente. \u00c9 preciso refletir sobre essa vers\u00e3o que se perpetuou com o passar da hist\u00f3ria, e buscar vers\u00f5es diversificadas. Os autores do manual citado lembram, por exemplo, que essa terra j\u00e1 era habitada pelos povos ind\u00edgenas h\u00e1 milhares de anos. Portanto, se algu\u00e9m descobriu o Brasil, foram os povos ind\u00edgenas, e n\u00e3o os europeus. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, \u00e9 importante pontuar que os colonizadores aplicaram pol\u00edticas de exterm\u00ednio e assimila\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas, a fim de suprimir as especificidades de sua cultura e tradi\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena era ampla e diversa \u00e0 \u00e9poca da chegada dos colonizadores: no ano de 1500, 900 povos estavam espalhados pelo Brasil, falando 1.100 l\u00ednguas, totalizando entre 5 e 8 milh\u00f5es de pessoas. Essa riqueza sofreu imensa viol\u00eancia e foi dizimada. Tamb\u00e9m por isso, muitos defendem que, em vez de descobrimento, se fale em invas\u00e3o, palavra que denota a agressividade e desapropria\u00e7\u00e3o envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">4. Achar que um povo \u00e9 mais \u201ccivilizado\u201d que outro <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas das viol\u00eancias perpetradas pelos colonizadores europeus nas Am\u00e9ricas foram justificadas pela ideia de que portugueses e espanh\u00f3is eram mais \u201ccivilizados\u201d do que os povos ind\u00edgenas. Mas o que \u00e9 ser civilizado? Quem definiu esse conceito? <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A antropologia, ci\u00eancia que estuda o ser humano, nos alerta para a import\u00e2ncia de desconstruir um olhar etnoc\u00eantrico, isto \u00e9, que posiciona um grupo \u00e9tnico ou uma cultura no centro de tudo, como refer\u00eancia para definir os outros. Foi o que aconteceu no processo de coloniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio notar, contudo, que a cultura dos portugueses e a cultura dos povos origin\u00e1rios tinham diferentes perspectivas sobre as coisas. O autor Daniel Munduruku pontua, por exemplo, que uma diferen\u00e7a \u00e9 a forma como enxergam tempo e trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os ind\u00edgenas, existe o tempo passado, que nos lembra nossa mem\u00f3ria ancestral, de onde viemos, e o presente, o momento de realizar, a ser vivido com intensidade e presen\u00e7a. J\u00e1 os portugueses eram focados no futuro quando chegaram ao Brasil, com a ambi\u00e7\u00e3o de acumular riquezas. Por isso, os ind\u00edgenas n\u00e3o aceitaram a imposi\u00e7\u00e3o dos portugueses de trabalhar para eles \u2013 e o que podemos ler como resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o, para muitos, ficou como o preconceito de que \u201cind\u00edgenas s\u00e3o pregui\u00e7osos\u201d, outra ideia que precisa ser combatida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading subtituloh2\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">5. Estranhar que um ind\u00edgena tenha celular <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem gente que n\u00e3o aceita o fato de uma pessoa ind\u00edgena vestir cal\u00e7a jeans, terno, andar de metr\u00f4 ou carro, usar a internet e ter celular. Reproduzem o preconceito de que o \u201cverdadeiro\u201d ind\u00edgena \u00e9 aquele que mant\u00e9m sua vestimenta segundo a tradi\u00e7\u00e3o de seu povo, que recusa a tecnologia e n\u00e3o habita a zona urbana. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 mais um dos preconceitos que estigmatiza as pr\u00e1ticas das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e que parece querer segregar essas pessoas, de modo que fiquem em suas aldeias e n\u00e3o interajam com quem vive nas cidades e tem acesso \u00e0 tecnologia, \u00e0 moda etc. Cada ind\u00edgena, entretanto, deve buscar viver conforme julga mais apropriado, entrando em contato ou n\u00e3o com refer\u00eancias de outras culturas. Se n\u00e3o fosse assim, os portugueses ainda usariam roupas bufantes com capa, veludo e chap\u00e9u cheio de penas, e s\u00f3 viajariam de caravelas em pleno s\u00e9culo XXI, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">*Foto de capa: Aldeia Krukutu, SP. Foto: Daniel Cunha. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener nofollow\" href=\"http:\/\/portal.sme.prefeitura.sp.gov.br\/Portals\/1\/Files\/53254.pdf?fbclid=IwAR3IDWlIZxbuA67JfKzXZglag2Tl3stvHOJ_2aRJbe-nGwbs4oRmjLyCLZ8\" target=\"_blank\">http:\/\/portal.sme.prefeitura.sp.gov.br\/Portals\/1\/Files\/53254.pdf?fbclid=IwAR3IDWlIZxbuA67JfKzXZglag2Tl3stvHOJ_2aRJbe-nGwbs4oRmjLyCLZ8<\/a>. Acesso em: 12 nov. 2019.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"1170\" height=\"273\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-clube-de-leitura-quindim.png\" alt=\"Assine clube de leitura quindim\" class=\"wp-image-41477\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-clube-de-leitura-quindim.png 1170w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-clube-de-leitura-quindim-768x179.png 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Assine-clube-de-leitura-quindim-150x35.png 150w\" sizes=\"(max-width: 1170px) 100vw, 1170px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O imagin\u00e1rio da maioria das pessoas est\u00e1 povoado por imagens cheias de preconceitos e estere\u00f3tipos sobre os povos ind\u00edgenas. Precisamos acabar com isso.<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":4112,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[509,514,4,503,512],"tags":[],"class_list":["post-4022","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-educacao-familia","category-educacao","category-educacao-escolar","category-historia"],"acf":{"posts_relacionados":[3435,22825,10077]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4022","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4022"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4022\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10077"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22825"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3435"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4112"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4022"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4022"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4022"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}