{"id":3624,"date":"2019-10-09T16:50:15","date_gmt":"2019-10-09T19:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/?p=3624"},"modified":"2021-10-05T16:14:52","modified_gmt":"2021-10-05T19:14:52","slug":"descolonizacao-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/descolonizacao-cultural\/","title":{"rendered":"Descoloniza\u00e7\u00e3o cultural: um tema urgente para quem educa novas gera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Criar um filho ou uma filha \u00e9 tamb\u00e9m introduzi-lo a uma cultura, e esse talvez seja um dos aspectos mais importantes da educa\u00e7\u00e3o. Nesse processo, a crian\u00e7a acessa a hist\u00f3ria de onde veio, um conjunto de pr\u00e1ticas e comportamentos que v\u00e3o condicionar as grandes decis\u00f5es de sua vida. Como vai se relacionar com outras pessoas, como e se vai estudar e trabalhar, e de que maneira vai imprimir sua marca no mundo. Mas de que cultura falamos quando falamos de cultura com as <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/livros-diversidade-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"crian\u00e7as (opens in a new tab)\">crian\u00e7as<\/a>? Pensar esse assunto \u00e9 pensar tamb\u00e9m sobre descoloniza\u00e7\u00e3o cultural, um tema urgente nos tempos em que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a artista interdisciplinar, escritora e te\u00f3rica Grada Kilomba, autora de <em>Mem\u00f3rias da Planta\u00e7\u00e3o<\/em>, descoloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 se desfazer do colonialismo: &#8220;Politicamente, o termo descreve a conquista da autonomia por parte daquelas\/es que foram colonizadas\/os e, portanto, envolve a realiza\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia e da autonomia&#8221;. Parece complexo e te\u00f3rico, mas pode se conectar a quest\u00f5es bem pr\u00e1ticas da nossa vida quando nos fazemos perguntas como: O que andamos lendo e assistindo? De onde isso vem? Quais s\u00e3o os rituais familiares que praticamos? Ao que damos valor e quem nos disse que isso era importante?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Provavelmente essas respostas o conduzir\u00e3o \u00e0 cultura das regi\u00f5es que, ao longo da Hist\u00f3ria, mantiveram rela\u00e7\u00f5es de coloniza\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o com o Brasil. \u00c9 o caso de pa\u00edses da Europa Ocidental e dos Estados Unidos. \u00c9 de l\u00e1 que v\u00eam muitas das nossas refer\u00eancias, que foram inscritas na nossa cultura ao longo dos s\u00e9culos. Por outro lado, foram apagadas e invisibilizadas as pr\u00e1ticas e os valores dos povos origin\u00e1rios, que habitavam o pa\u00eds antes da chegada dos colonizadores, e dos povos africanos, fundamentais para a constitui\u00e7\u00e3o do Brasil, mas que tamb\u00e9m ficaram com um posto de subalternidade ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 como se a cultura e a hist\u00f3ria que chegassem at\u00e9 n\u00f3s e se apresentassem como oficiais \u2013 na educa\u00e7\u00e3o, nos livros, nas pe\u00e7as, nos filmes e na m\u00eddia \u2013  tivessem sido constru\u00eddas majoritariamente por uma s\u00f3 parcela de pessoas, invisibilizando e deixando de fora outras tantas parcelas, outras tantas perspectivas. \u00c9 preciso que questionemos esse ponto de vista \u00fanico e que se apresenta como universal: somos muitos e temos muito para contar, construir e acrescentar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Multiplicar narrativas <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma pr\u00e1tica, o que podemos fazer para descolonizar a cultura que consumimos e passamos para nossos filhos \u00e9, em primeiro lugar, entender que n\u00e3o h\u00e1 um ponto de vista, uma pr\u00e1tica ou uma experi\u00eancia universal. Quando fazemos esse movimento, deixamos de ter uma refer\u00eancia \u00fanica. A m\u00fasica ideal, por exemplo, deixa de ser, assim, a que os estadunidenses produzem. A melhor forma de criar filhos ou de se alimentar deixa de ser a dos franceses. Ali\u00e1s, passa-se a repensar a ideia de que exista algo perfeito, ideal, melhor ou pior: o que h\u00e1 \u00e9 uma multiplicidade de formas de fazer e de ser, algumas delas mais escondidas do que outras. Cabe a n\u00f3s jogar luz \u00e0quelas que n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o ao nosso alcance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acessar uma cultura mais diversa, menos condicionada pelos processos de poder que aconteceram ao longo da hist\u00f3ria, implica em ampliar nossas refer\u00eancias. Dentro da cultura ind\u00edgena e da cultura de alguns povos africanos, por exemplo, h\u00e1 um senso de comunidade e de cria\u00e7\u00e3o coletiva das crian\u00e7as, al\u00e9m de uma integra\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as e idosos, que pode nos inspirar e ajudar muito. Quando buscamos outras refer\u00eancias, passamos at\u00e9 a questionar aquelas que adotamos como verdades absolutas na cultura que prevalece entre n\u00f3s. Isso vale, por exemplo, para a forma como vivenciamos o casamento e as rela\u00e7\u00f5es, nem sempre muito saud\u00e1vel, muitas vezes cheia de idealiza\u00e7\u00f5es e expectativas, mas que \u00e9 muito popular e tida como verdade por muitos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><strong>Descoloniza\u00e7\u00e3o cultural e racismo<\/strong> <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora Grada Kilomba associa esse processo de descoloniza\u00e7\u00e3o cultural ao racismo. Essa ideia de universalidade se coloca tamb\u00e9m na rela\u00e7\u00e3o entre as ra\u00e7as: \u00e9 como se as pessoas brancas fossem o universal, o &#8220;neutro&#8221;, e a pessoa negra fosse &#8220;a diferente&#8221;. Em <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/201co-racismo-e-uma-problematica-branca201d-uma-conversa-com-grada-kilomba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">uma entrevista<\/a>, ela disse:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-left is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;As pessoas brancas n\u00e3o se veem como brancas, se veem como pessoas. E \u00e9 exatamente essa equa\u00e7\u00e3o, &#8216;sou branca e por isso sou uma pessoa&#8217; e esse ser pessoa \u00e9 a norma, que mant\u00e9m a estrutura colonial e o racismo. E essa centralidade do homem branco n\u00e3o \u00e9 marcada.<\/p><p>[&#8230;] E o que quer dizer marcar? Quer dizer tamb\u00e9m falar sobre diferen\u00e7as. Por exemplo, como pessoas negras, muitas vezes, somos referidos como diferentes. E eu coloco a quest\u00e3o: diferente de quem? Quem \u00e9 diferente? Tu \u00e9s diferente de mim ou eu sou diferente de ti? Pra dizer a verdade n\u00f3s somos reciprocamente diferentes. Ent\u00e3o a diferen\u00e7a vem de onde? Eu s\u00f3 me torno diferente se a pessoa branca se v\u00ea como ponto de refer\u00eancia, como a norma da qual eu difiro. Quando eu me coloco como a norma da qual os outros diferem de mim, a\u00ed os outros se tornam diferentes de mim. Ent\u00e3o \u00e9 preciso a desconstru\u00e7\u00e3o do que \u00e9 diferen\u00e7a.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 da\u00ed que muitas vezes brota o racismo cotidiano: nos olhares ou em gestos invasivos, como o de querer tocar no cabelo de uma pessoa negra, como se fosse algo &#8220;ex\u00f3tico&#8221;. Ou ainda em perguntas ofensivas que muitas vezes pessoas negras escutam. Grada menciona o caso de mulheres negras que nasceram na Alemanha e escutam de pessoas brancas: &#8220;De onde voc\u00ea veio? Voc\u00ea fala alem\u00e3o t\u00e3o bem!&#8221;, como se uma pessoa negra n\u00e3o pudesse ser alem\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com as ideias que a artista re\u00fane, chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade urgente de todos n\u00f3s nos desconstruirmos e questionarmos nossas ideias que v\u00eam de senso comum, contaminadas com racismo. De pessoas brancas se racializarem e pensarem sua branquitude. Assim, podemos ampliar as narrativas, permitir que cada um seja sujeito de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, e n\u00e3o que haja apenas uma voz ouvida e ressoada. Assim, \u00e9 mais poss\u00edvel que deixemos um mundo verdadeiramente diverso \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagem de capa: <em>O P\u00e1ssaro Encantado<\/em>, Eliane Potiguara e Aline Abreu, editora Jujuba.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns bloco-cta has-background is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"background-color:#fdb813\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\"><img decoding=\"async\" width=\"434\" height=\"195\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/call01.png\" alt=\"Assine o Clube Quindim\" class=\"wp-image-9392\" title=\"\"><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column bloco-cta-direita is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center titulo-cta wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">APROVEITE ESTE MOMENTO PARA INCENTIVAR A LEITURA!<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-100 botao-cta is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><span style=\"color:#e3e2e2\" class=\"has-inline-color\">ASSINE O CLUBE QUINDIM E RECEBA OS MELHORES LIVROS INFANTIS!<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criar um filho ou uma filha \u00e9 tamb\u00e9m introduzi-lo a uma cultura, e esse talvez seja um dos aspectos mais importantes da educa\u00e7\u00e3o. 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