{"id":3372,"date":"2019-08-23T17:26:33","date_gmt":"2019-08-23T20:26:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/?p=3372"},"modified":"2021-12-28T16:47:23","modified_gmt":"2021-12-28T19:47:23","slug":"infancia-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/infancia-historia\/","title":{"rendered":"Inf\u00e2ncia: uma hist\u00f3ria de invisibilidade e abandono"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inf\u00e2ncia \u00e9 o espa\u00e7o do livre brincar, de descobrir o mundo, de sonhar e de criar os padr\u00f5es e as experi\u00eancias que moldam muito do nosso caminho da vida adulta. Trata-se de um momento fundamental e definidor \u2013<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2016-11\/estudos-mostram-importancia-da-primeira-infancia-para-qualidade-de\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> estudos<\/a> indicam, por exemplo, que v\u00ednculos familiares e ambientes saud\u00e1veis na primeira inf\u00e2ncia, at\u00e9 os 6 anos, s\u00e3o essenciais para o desenvolvimento de caracter\u00edsticas cerebrais de adultos aut\u00f4nomos e com mais qualidade de vida. Alguns segmentos da nossa sociedade entendem a import\u00e2ncia de se valorizar a inf\u00e2ncia, mas ainda h\u00e1 muito a se conquistar quando o assunto s\u00e3o direitos dos pequenos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 certa \u00e9poca, era comum a crian\u00e7a ser vista como um indiv\u00edduo em processo de forma\u00e7\u00e3o, ou seja, como se n\u00e3o fosse um indiv\u00edduo \u201cde verdade\u201d. Assim, crian\u00e7a \u201cn\u00e3o tinha vontade\u201d, n\u00e3o era escutada, em alguns casos era obrigada a trabalhar, com frequ\u00eancia apanhava e sofria outros tipos de puni\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. Infelizmente, muitas dessas situa\u00e7\u00f5es ainda acontecem em muitos pontos do globo, a diferen\u00e7a \u00e9 que hoje temos teorias e estudos que nos explicam por que essa forma de enxergar a inf\u00e2ncia \u00e9 nociva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Temos tamb\u00e9m a\u00e7\u00f5es como a cria\u00e7\u00e3o do Dia da Inf\u00e2ncia, neste 24 de agosto, cujo prop\u00f3sito \u00e9 gerar reflex\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es em que os meninos e as meninas vivem no mundo todo. E o fundamental: temos o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) para assegurar os direitos da inf\u00e2ncia e o Marco Legal da Primeira Inf\u00e2ncia (Lei n\u00ba13.257\/2016), que oferece princ\u00edpios e diretrizes para a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para a primeira inf\u00e2ncia. Importante esclarecer que, de acordo com essas leis, a inf\u00e2ncia se d\u00e1 at\u00e9 os 12 anos, e a primeira inf\u00e2ncia vai at\u00e9 os 6 \u2013 e o Marco Legal se baseia no reconhecimento de que os primeiros mil dias de vida da crian\u00e7a (da gesta\u00e7\u00e3o aos dois anos) s\u00e3o um momento em que h\u00e1 imensa oportunidade para o desenvolvimento neurol\u00f3gico, psicomotor e emocional das crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Epis\u00f3dios de abandono <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas se j\u00e1 sabemos sobre a import\u00e2ncia de cuidar da inf\u00e2ncia, por que tantos abusos s\u00e3o cometidos na pr\u00e1tica? A verdade \u00e9 que a ideia que temos do que \u00e9 uma crian\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 consequ\u00eancia de uma constru\u00e7\u00e3o social e cultural que foi sendo consolidada ao longo da hist\u00f3ria \u2013 da mesma forma como aconteceu com a <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/estereotipos-maternos-martha-lopes\/\">maternidade<\/a>, por exemplo. Nos estudos da fil\u00f3sofa francesa Elisabeth Badinter, ela aponta que, at\u00e9 o s\u00e9culo XVII, te\u00f3ricos como Santo Agostinho viam a crian\u00e7a como uma criatura \u201cimperfeita, esmagada pelo peso do pecado original\u201d. Por ser corrompida pelo mal, tinha que ser corrigida dentro do lar pela figura paterna. Era recomendado, assim, que os filhos fossem tratados de forma fria e dura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale lembrar, como dissemos em outros textos por <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/amamentacao\/\">aqui<\/a>, que as crian\u00e7as tampouco conviviam com os pais. Eram mandadas para amas de leite assim que nasciam e, posteriormente, iam para internatos, caso fossem meninos, ou ficavam sob os cuidados de uma governanta, no caso das meninas. A taxa de mortalidade infantil era alta: entre os s\u00e9culos XVII e XVIII, at\u00e9 um ano de idade, mais de 25% das crian\u00e7as morriam, e nos asilos, que recebiam crian\u00e7as abandonadas, a situa\u00e7\u00e3o era ainda mais cr\u00edtica, com uma taxa de mortalidade infantil de 84%.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Explora\u00e7\u00e3o e trabalho <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e3o de obra infantil foi explorada intensamente at\u00e9 o s\u00e9culo XIX. No in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, empregar crian\u00e7as era mais barato que empregar homens adultos, por isso, a partir dos quatro anos de idade, crian\u00e7as trabalhavam at\u00e9 cerca de 14 horas por dia. Muitos acidentes aconteceram em raz\u00e3o da falta de cuidado e das condi\u00e7\u00f5es insalubres desse tipo de local, sem mencionar os abusos e os danos permanentes \u00e0 vida dessas crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi a partir do s\u00e9culo XIX que pa\u00edses como Inglaterra e Alemanha criaram leis no sentido de restringir o <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/no-dia-da-infancia-especialistas-indicam-5-livros-sobre-trabalho-infantil-para-discutir-o-tema-com-as-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">trabalho infantil<\/a>. Essa pr\u00e1tica desumana, no entanto, ainda n\u00e3o foi extinta. De acordo com dados do IBGE de 2016, o Brasil tem 2,4 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalhando \u2013 jovens negros e pardos representam 66,2% desse total. Trata-se de uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica que precisa ser combatida por todos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de inf\u00e2ncia como uma categoria especial, que se tornou central nas fam\u00edlias e ganhou direitos pr\u00f3prios \u00e9 mais recente. A Declara\u00e7\u00e3o Internacional de Direitos da Crian\u00e7a foi adotada pela Liga das Na\u00e7\u00f5es em 1924. O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente foi criado no Brasil somente em 1990. Dessa forma, por toda essa influ\u00eancia hist\u00f3rica, muitas pessoas ainda cultivam o olhar que invisibiliza, diminui e exclui as crian\u00e7as \u2013 e naturalmente as m\u00e3es, que ainda s\u00e3o apontadas como as principais respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o \u2013, eis a import\u00e2ncia de gerar esse tipo de reflex\u00e3o em datas como o Dia da Inf\u00e2ncia. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhe\u00e7a <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/mitos-livro-infantil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"6 mitos sobre livro infantil que voc\u00ea precisa esquecer (opens in a new tab)\">6 mitos sobre livro infantil que voc\u00ea precisa esquecer<\/a> <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns bloco-cta has-background is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"background-color:#fdb813\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\"><img decoding=\"async\" width=\"434\" height=\"195\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/call01.png\" alt=\"Assine o Clube Quindim\" class=\"wp-image-9392\" title=\"\"><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column bloco-cta-direita is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center titulo-cta wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">APROVEITE ESTE MOMENTO PARA INCENTIVAR A LEITURA!<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-100 botao-cta is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><span style=\"color:#e3e2e2\" class=\"has-inline-color\">ASSINE O CLUBE QUINDIM E RECEBA OS MELHORES LIVROS INFANTIS!<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A inf\u00e2ncia \u00e9 o espa\u00e7o do livre brincar, de descobrir o mundo, de sonhar e de criar os padr\u00f5es e as experi\u00eancias que moldam muito do nosso caminho da vida adulta. 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