{"id":2280,"date":"2020-01-23T12:37:00","date_gmt":"2020-01-23T15:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/?p=2280"},"modified":"2021-12-29T11:01:33","modified_gmt":"2021-12-29T14:01:33","slug":"amamentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/amamentacao\/","title":{"rendered":"Amamenta\u00e7\u00e3o: por que \u00e9 t\u00e3o importante?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ela j\u00e1 foi uma pr\u00e1tica associada a criar filhos cheios de v\u00edcios de tal forma que foi indicada s\u00f3 para amas de leite antes de virar uma recomenda\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. Saiba mais sobre a hist\u00f3ria da amamenta\u00e7\u00e3o neste artigo escrito pela pesquisadora Martha Lopes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a aria-label=\"Se voc\u00ea \u00e9 m\u00e3e (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/maternidade-atual\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Se voc\u00ea \u00e9 m\u00e3e<\/a> e passou pela experi\u00eancia da amamenta\u00e7\u00e3o, certamente vivenciou algumas dificuldades e tamb\u00e9m momentos de troca e afetos que ficam para sempre na mem\u00f3ria. Hoje, sabemos que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) orienta que as mulheres amamentem seus beb\u00eas exclusivamente, ou seja, sem complementar com outros alimentos, at\u00e9 seis meses de vida. De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, seguir essa orienta\u00e7\u00e3o reduz em 13% a mortalidade infantil e diminui os casos de diarreia, hipertens\u00e3o, colesterol alto, diabetes e obesidade. No entanto, nem sempre foi assim: por um longo per\u00edodo, a amamenta\u00e7\u00e3o era uma pr\u00e1tica n\u00e3o recomendada para grande parte das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">A hist\u00f3ria da amamenta\u00e7\u00e3o <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora Elisabeth Badinter recupera a amamenta\u00e7\u00e3o e outros momentos-chave da hist\u00f3ria da maternidade no livro <em>Um amor conquistado<\/em>, de 1985. Conta, por exemplo, que at\u00e9 o s\u00e9culo 18, na Europa, o pai era a principal autoridade e quem conduzia a educa\u00e7\u00e3o do filho. A crian\u00e7a era vista como uma criatura imperfeita, influenciada pelo peso do pecado original. Te\u00f3ricos como Santo Agostinho incentivavam a frieza dentro dos lares e a dureza na educa\u00e7\u00e3o a fim de \u201ccorrigir\u201d o comportamento das crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a m\u00e3e era vista como uma figura capaz de desvirtuar a cria\u00e7\u00e3o dos filhos, pois o seu afeto e at\u00e9 com o ato de amamentar, poderia gerar filhos cheios de v\u00edcios. Na verdade, n\u00e3o faltavam motivos para desencorajar a amamenta\u00e7\u00e3o, como diz Badinter:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-left is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Em nome do bom-tom, declarou-se a amamenta\u00e7\u00e3o rid\u00edcula e repugnante. A palavra &#8216;rid\u00edcula&#8217; retorna com frequ\u00eancia nas correspond\u00eancias e livros de mem\u00f3rias. M\u00e3es, sogras e parteiras desaconselham a jovem m\u00e3e a amamentar, pois a tarefa n\u00e3o \u00e9 nobre o bastante para uma dama superior. N\u00e3o ficava bem tirar o seio a cada instante para alimentar o beb\u00ea. Al\u00e9m de dar uma imagem animalizada da mulher &#8216;vaca leiteira&#8217;, \u00e9 um gesto despudorado. [&#8230;] Se a m\u00e3e amamentasse, devia esconder-se para isso, o que interrompia por um longo per\u00edodo a sua vida social e a de seu marido. [&#8230;] Para os homens &#8216;aleitamento \u00e9 sin\u00f4nimo de sujeira. Um verdadeiro ant\u00eddoto contra o amor&#8217;.<\/p><cite> Elisabeth Badinter, em <em>Um amor conquistado<\/em> <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Amas de leite: aliadas no processo de amamentar <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, as mulheres da aristocracia e da burguesia enviavam seus beb\u00eas a amas de leite. Eram mulheres pobres que normalmente viviam na zona rural. Elas se ocupavam com os cuidados com as crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m com o trabalho na lavoura. Era comum, portanto, que a crian\u00e7a ficasse abandonada, suscet\u00edvel a perigos e que fosse alimentada com um leite aquecido, muitas vezes sem higiene. Al\u00e9m disso, s\u00f3 a viagem do beb\u00ea at\u00e9 a resid\u00eancia da ama de leite j\u00e1 envolvia uma s\u00e9rie de acidentes. Por isso, a mortalidade infantil naquele per\u00edodo atingiu \u00edndices alt\u00edssimos. Na Fran\u00e7a, nos s\u00e9culos 17 e 18, at\u00e9 um ano de idade, mais de 25% das crian\u00e7as morriam \u2013 s\u00f3 nos asilos de Paris, que recebiam crian\u00e7as abandonadas, 84% das crian\u00e7as com at\u00e9 um ano de idade vinham a \u00f3bito. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, at\u00e9 esse per\u00edodo, era um pouco mais frequente a amamenta\u00e7\u00e3o entre as mulheres da col\u00f4nia, por influ\u00eancia dos h\u00e1bitos ind\u00edgenas. Mas, da mesma maneira, fam\u00edlias de posses tamb\u00e9m buscavam amas de leite para as crian\u00e7as. Era comum, ainda, dar a beb\u00eas outros alimentos que n\u00e3o o leite materno, como farinha de mandioca, leite de gado e a\u00e7\u00facar, papa de goma, ararura, banana machucada, creme de arroz e fub\u00e1 de milho. Assim como na Europa, alimentava-se a crian\u00e7a com pano de linho embebido em leite e colocado na boca do beb\u00ea ou com mamadeiras sem cuidados higi\u00eanicos adequados. Por isso, a taxa de mortalidade infantil era alta: pelo menos 20% ou 30% dos rec\u00e9m-nascidos faleciam nos primeiros doze meses ap\u00f3s o parto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas isso estava prestes a mudar com o surgimento de uma nova ideia de maternidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Maternidade romantizada e a volta da amamenta\u00e7\u00e3o pela m\u00e3e <\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a enorme taxa de mortalidade infantil, gestores p\u00fablicos e \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade passaram, ent\u00e3o, a se preocupar com os descuidos praticados contra a inf\u00e2ncia. Por tr\u00e1s disso, h\u00e1 um receio de que a m\u00e3o de obra agr\u00edcola e industrial v\u00e1 diminuir mais adiante. Aparece, naquela \u00e9poca, o conceito de popula\u00e7\u00e3o, quando fen\u00f4menos como a fecundidade, a mortalidade e a natalidade de um povo se tornam preocupa\u00e7\u00f5es do governo. Esse cen\u00e1rio vai motivar autores da \u00e9poca, assim como m\u00e9dicos e outras figuras p\u00fablicas, a disseminarem a ideia de que as m\u00e3es devem se ocupar pessoalmente do cuidado com os filhos, dando prefer\u00eancia \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jean-Jacques Rousseau foi um dos autores que integraram esse movimento, dando impulso \u00e0 ideia da fam\u00edlia moderna, baseada no amor da m\u00e3e. Esse amor \u00e9 desenhado como a raz\u00e3o de vida da mulher, algo que deve estar sempre em primeiro plano, como instintivo e natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se, por um lado, essas ideias ajudaram a disseminar a amamenta\u00e7\u00e3o e a combater a mortalidade infantil, <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/estereotipos-maternos-martha-lopes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"por outro, certamente fizeram surgir uma ideia de m\u00e3e muito distante da realidade (opens in a new tab)\">por outro, certamente fizeram surgir uma ideia de m\u00e3e muito distante da realidade<\/a>. Com ela, <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/ser-uma-mae-feliz-e-o-melhor-que-posso-fazer-pelos-meus-filhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"nasce a culpa materna, que persegue a n\u00f3s mulheres em diferentes circunst\u00e2ncias (opens in a new tab)\">nasce a culpa materna, que persegue a n\u00f3s mulheres em diferentes circunst\u00e2ncias<\/a>: quando nos dedicamos ao trabalho e n\u00e3o aos filhos, quando sentimos prazer em uma atividade que n\u00e3o a maternidade, quando sentimos a fadiga e o desgaste de ser m\u00e3e antes de nos derramarmos de amor. \u00c9 preciso que nos lembremos todos os dias: <a href=\"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/maternidade-sem-julgamentos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"ser m\u00e3e \u00e9 uma experi\u00eancia de uma pot\u00eancia \u00fanica (opens in a new tab)\">ser m\u00e3e \u00e9 uma experi\u00eancia de uma pot\u00eancia \u00fanica<\/a>. Mas cabe a cada mulher achar o seu jeito e equilibrar sua maternidade com tudo aquilo que a fa\u00e7a feliz. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns bloco-cta has-background is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"background-color:#fdb813\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\"><img decoding=\"async\" width=\"434\" height=\"195\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/call01.png\" alt=\"Assine o Clube Quindim\" class=\"wp-image-9392\" title=\"\"><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column bloco-cta-direita is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center titulo-cta wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">APROVEITE ESTE MOMENTO PARA INCENTIVAR A LEITURA!<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-100 botao-cta is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><span style=\"color:#e3e2e2\" class=\"has-inline-color\">ASSINE O CLUBE QUINDIM E RECEBA OS MELHORES LIVROS INFANTIS!<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A amamenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi uma pr\u00e1tica associada a criar filhos cheios de v\u00edcios e foi indicada s\u00f3 para amas de leite antes de virar uma recomenda\u00e7\u00e3o de sa\u00fade.<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":10830,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[507,505],"tags":[],"class_list":["post-2280","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-maternidade","category-familia"],"acf":{"posts_relacionados":[18523,12009,15151]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2280"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2280\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15151"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12009"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18523"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10830"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}