{"id":1555,"date":"2018-10-09T08:00:31","date_gmt":"2018-10-09T11:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.clubequindim.com.br\/?p=1555"},"modified":"2025-01-28T13:29:35","modified_gmt":"2025-01-28T16:29:35","slug":"marina-colasanti-fala-sobre-literatura-e-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/marina-colasanti-fala-sobre-literatura-e-infancia\/","title":{"rendered":"Marina Colasanti fala sobre literatura infantil e inf\u00e2ncia em entrevista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura de qualidade \u00e9 aquela que nos abre para a experi\u00eancia humana. Que nos coloca em contato com sentimentos e instiga reflex\u00f5es. Quando \u00e9 compartilhada em fam\u00edlia, pode estreitar v\u00ednculos e pelo afeto se tornar uma inesquec\u00edvel mem\u00f3ria da inf\u00e2ncia. Tudo isso \u00e9 o que transpira a obra de Marina Colasanti, uma das autoras mais celebradas de nosso pa\u00eds e curadora do Clube Quindim. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jornalista e tradutora, Colasanti tem uma obra vasta, dedicada a leitores e leitoras de todas as faixas et\u00e1rias. Em seus contos, \u00e9 poss\u00edvel refletir sobre igualdade, identidade, liberdade e tantos outros valores fundamentais para os desafios que vivemos hoje. Por seu trabalho, recebeu pr\u00eamios como\u00a0<em>O Melhor para o Jovem<\/em>, da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do Livro Infantil e Juvenil, e o Pr\u00eamio Jabuti. Renata Nakano, idealizadora e diretora-geral do <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Clube Quindim<\/a>, conversou com Marina Colasanti sobre seu trabalho liter\u00e1rio, sobre literatura infantil e inf\u00e2ncia. Confira:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Renata Nakano: Marina, em sua escrita, voc\u00ea passeia por muitos g\u00eaneros. Quais caminhos a levaram para a literatura&nbsp;infantil?<\/strong><br><strong>Marina Colasanti:<\/strong> Os caminhos f\u00edsicos foram casuais: o editor chefe do jornal em que eu trabalhava me pediu para&nbsp;assumir a editoria do Caderno Infantil porque a editora titular havia sido presa por atividades contra a&nbsp;ditadura.&nbsp;Mas sabemos que nada \u00e9 t\u00e3o casual quanto parece. O que fez com que eu transformasse a atividade&nbsp;puramente jornal\u00edstica em um veio profundo da minha vida foi o fato de ter sido uma crian\u00e7a intensamente&nbsp;leitora. A leitura n\u00e3o apenas desenvolveu meu imagin\u00e1rio, como me deu confian\u00e7a nele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Renata Nakano: Quando pensamos em livros infantis, pressupomos uma ideia de inf\u00e2ncia. Qual \u00e9 a inf\u00e2ncia que voc\u00ea<\/strong>&nbsp;<strong>vive em sua obra?<\/strong><br><strong>Marina Colasanti:<\/strong> N\u00e3o sei se \u00e9 t\u00e3o sim\u00e9trico quanto voc\u00ea coloca. Eu n\u00e3o vivo uma inf\u00e2ncia, nem um conceito espec\u00edfico&nbsp;de inf\u00e2ncia, em meus livros. Os conceitos de inf\u00e2ncia mudam atrav\u00e9s da hist\u00f3ria, enquanto a literatura se&nbsp;quer permanente. Escrevo como adulta que sou, e como adulta me dirijo \u00e0s crian\u00e7as \u2013 exatamente como&nbsp;fa\u00e7o na vida real. N\u00e3o tento seduzi-las, n\u00e3o me pergunto como pensam, n\u00e3o quero imit\u00e1-las. Sei que cada&nbsp;crian\u00e7a se aproximar\u00e1 do meu livro a seu jeito, e que cada uma \u00e9 uma, com seu universo particular,&nbsp;independente da idade. Desejo apenas que colham na minha escrita o que mais os toca, e o fa\u00e7am seu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Renata Nakano: Qual o maior desafio para os pais que lidam com a inf\u00e2ncia de seus filhos no Brasil atual?<\/strong><br><strong>Marina Colasanti:<\/strong> O Brasil, aquilo que o Brasil se tornou, as estruturas e os desejos que levaram a isso, s\u00e3o o maior&nbsp;desafio. Muitas vezes os pais desconhecem esses mecanismos e, sem querer, os repetem ou os&nbsp;alimentam.&nbsp;O \u00fanico colete salva-vidas para a inf\u00e2ncia no Brasil \u00e9 o conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Renata Nakano: Como a literatura pode contribuir para lidar com esses desafios?<\/strong><br><strong>Marina Colasanti:<\/strong> Toda a experi\u00eancia humana, todos os sentimentos que nos qualificam, est\u00e3o contidos na literatura.&nbsp;Atrav\u00e9s da literatura nos apropriamos da hist\u00f3ria, da sociologia, e descobrimos a din\u00e2mica que se&nbsp;estabelece entre o eu e o outro. As hist\u00f3rias sobre as quais a literatura se constr\u00f3i s\u00e3o o que menos&nbsp;importa; o que conta \u00e9 a sua busca constante de entendimento da alma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RN: No Clube Quindim, trabalhamos muito com a ideia de leitura em fam\u00edlia, com os pais lado a lado da<\/strong>&nbsp;<strong>crian\u00e7a, em rela\u00e7\u00e3o horizontal, abertos para esses olhares menos condicionados. Para voc\u00ea, como a<\/strong>&nbsp;<strong>literatura pode ajudar a despertar esse olhar da inf\u00e2ncia em todos n\u00f3s?<\/strong><br><strong>MC:<\/strong> Pergunta complexa por v\u00e1rias raz\u00f5es. Uma delas \u00e9 que remete a pais ideais, leitores eles mesmos,&nbsp;sem preconceitos, bem preparados, pais humanistas! E sabemos que, no Brasil, pais desse tipo s\u00e3oraros. Outra raz\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o vivi essa experi\u00eancia na inf\u00e2ncia, meus pais me davam muitos livros,&nbsp;muitos mesmo, mas n\u00e3o liam comigo, n\u00e3o achavam necess\u00e1rio. Eu lia com meu irm\u00e3o e com ele aprendi&nbsp;a import\u00e2ncia de compartilhar a leitura (toda a minha vida li em tandem!). Tive, por\u00e9m, a experi\u00eancia&nbsp;invertida. Como m\u00e3e li muito para, e com, minhas filhas. Que se tornaram leitoras para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RN:\u00a0<em>A mo\u00e7a tecel\u00e3<\/em>\u00a0\u00e9 um dos seus livros j\u00e1 entregues aos leitores do Quindim. Uma hist\u00f3ria sobre uma\u00a0mulher que tece (e destece) a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Trata-se de uma personagem, como muitas outras suas,\u00a0que atravessa dificuldades e se fortalece ao encontrar uma no\u00e7\u00e3o de amor-pr\u00f3prio e uma emancipa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\u00a0<strong>Na literatura infantil, por\u00e9m, \u00e9 comum se encontrar resist\u00eancia e segmenta\u00e7\u00e3o entre hist\u00f3rias &#8220;de menina&#8221; e &#8220;de menino&#8221;. Qual a import\u00e2ncia de essas hist\u00f3rias de protagonismo feminino serem tamb\u00e9m lidas e\u00a0assim vivenciadas por homens?<\/strong><br><strong>MC:<\/strong> Os humanos s\u00e3o seres sociais, atravessam a vida cercados de outras pessoas. E, cada dia mais, as\u00a0outras pessoas com que convivemos ou cruzamos s\u00e3o de ambos os sexos. Por que, ent\u00e3o, a literatura\u00a0limitaria entre entrecruzar? Nada mais \u00fatil do que saber como o outro pensa e sente, pois isso nos\u00a0prepara para o seu modo de agir. \u201cMeninos\u201d e \u201cmeninas\u201d s\u00e3o complementares, n\u00e3o antag\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RN: Como curadora do Clube de Leitura Quindim, voc\u00ea foi convidada a fazer uma sele\u00e7\u00e3o dos livros que<\/strong>\u00a0<strong>toda crian\u00e7a merece ler. Quais os principais desafios nesse processo de curadoria?<\/strong><br><strong>MC:<\/strong> Eu sou escritora, n\u00e3o sou nem professora nem te\u00f3rica de literatura infantil. E o mercado \u00e9 vasto. \u00c9\u00a0dif\u00edcil para um autor tomar conhecimento de tudo o que se publica. Temi esquecer alguma obra\u00a0fundamental, desconhecer algum autor importante ou algum jovem autor de relev\u00e2ncia. E \u00e9 muito prov\u00e1vel que o tenha feito!<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"1116\" height=\"387\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/BannerHome_LivrosTransformadores.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-64968\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/BannerHome_LivrosTransformadores.jpg 1116w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/BannerHome_LivrosTransformadores-768x266.jpg 768w, https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/BannerHome_LivrosTransformadores-150x52.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1116px) 100vw, 1116px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marina Colasanti, uma das maiores autoras da literatura universal, reflete sobre a inf\u00e2ncia e sobre a import\u00e2ncia de ter obras com protagonismo feminino<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1563,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[514,499],"tags":[],"class_list":["post-1555","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao-familia","category-literatura-infantil"],"acf":{"posts_relacionados":[2066,2286,2344]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1555","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1555"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1555\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2344"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2286"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2066"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1555"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1555"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1555"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}