{"id":12578,"date":"2020-11-18T14:00:38","date_gmt":"2020-11-18T17:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=12578"},"modified":"2022-09-20T14:50:22","modified_gmt":"2022-09-20T17:50:22","slug":"ler-em-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/ler-em-familia\/","title":{"rendered":"Ler em fam\u00edlia: essas trocas formam leitores?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ler em fam\u00edlia pode ser enriquecedor e extremamente gratificante, contudo, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Clube<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quindim<\/a> sabe que a correria do dia a dia, o cansa\u00e7o e at\u00e9 mesmo o receio de n\u00e3o saber como contar alguma hist\u00f3ria podem funcionar como empecilhos na cria\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito da leitura.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Contar hist\u00f3rias: uma atividade milenar<\/mark><\/mark><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ato de contar hist\u00f3rias \u00e9 praticado h\u00e1 s\u00e9culos pela humanidade. Somos envolvidos por narrativas at\u00e9 mesmo antes de nascer, quando familiares transmitem hist\u00f3rias de outros tempos, nos nomeiam, simbolizam nossas chegadas. Seguimos a jornada da vida cercados por narra\u00e7\u00f5es, desde aquelas transmitidas nos encontros de fam\u00edlia ou escolares \u00e0s not\u00edcias de r\u00e1dio, televis\u00e3o e internet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos constitu\u00edmos enquanto sujeitos a partir da linguagem. Necessitamos nos comunicar e, \u00e0s vezes, utilizamos met\u00e1foras para reescrever a realidade, ou mesmo para responder a algo relacionado aos medos e\/ou anseios sobre quest\u00f5es sociais, pol\u00edticas e afetivas. A fantasia nos comp\u00f5e, e como bem diz Mar\u00eda Teresa Andruetto (2012, p. 54), recorremos \u201c[&#8230;] \u00e0 fic\u00e7\u00e3o para tentar compreender, para conhecer algo mais acerca de nossas contradi\u00e7\u00f5es, nossas mis\u00e9rias e nossas grandezas, ou seja, do mais profundamente humano\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da\u00ed tamb\u00e9m o encantamento das crian\u00e7as por ouvir hist\u00f3rias, incluindo as narrativas que est\u00e3o nos livros liter\u00e1rios. Mas, num tempo em que as pessoas est\u00e3o sempre apressadas e comprometidas com atividades laborais, m\u00e3es e pais apresentam muitas dificuldades para ler com os seus filhos. Quem, hoje em dia, consegue ler em fam\u00edlia?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Ato de fantasiar: um obst\u00e1culo para ler em fam\u00edlia<\/mark><\/mark><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tirar o rel\u00f3gio do pulso, desligar o <em>smartphone,<\/em>&nbsp;realizar uma leitura compartilhada, ler em fam\u00edlia aproxima as pessoas, possibilita a comunh\u00e3o de sentimentos. \u00c9 momento de olhar nos olhos. No entanto, para muitas m\u00e3es e muitos pais essa tarefa n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil, por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es, entre as quais est\u00e3o a dificuldade com crian\u00e7as ou at\u00e9 mesmo o preconceito com o ato de brincar, o fantasiar, que, culturalmente n\u00e3o \u00e9 permitido aos adultos, como Freud aponta em <em>O poeta e o fantasiar<\/em> (1908),<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-left is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A brincadeira infantil foi dirigida por desejos, na verdade por um desejo, aquele que ajuda a educar a crian\u00e7a: o de se tornar grande e adulta. As crian\u00e7as sempre brincam de \u201cser grande\u201d, imitando na brincadeira o que se tornou conhecido delas, da vida dos grandes. Elas n\u00e3o t\u00eam nenhum motivo para esconder esse desejo. J\u00e1 o adulto \u00e9 bem diferente: por um lado, sabe que se espera que ele n\u00e3o brinque mais ou que n\u00e3o fantasie mais, mas que aja no mundo real e, por outro lado, que sob suas fantasias se produzem muitos desejos que, de qualquer modo, devem permanecer necessariamente ocultos; por isso, se envergonha de suas fantasias como coisas de crian\u00e7as e proibidas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 que, para a crian\u00e7a, ler pode ser uma brincadeira, um mergulho em outro mundo, e ela convoca o adulto para este universo fantasioso, o que para alguns pode ser um dilema. Pai e m\u00e3e n\u00e3o precisam assumir os pap\u00e9is de ex\u00edmios contadores de hist\u00f3ria, mas, para tornar o momento mais rico, devem abra\u00e7ar o encantamento que a literatura pede. \u00c9 quando entra em cena a permiss\u00e3o subjetiva de cada um para visitar a fantasia, e cada adulto lida com isso de maneiras diversas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Ler em fam\u00edlia e forma\u00e7\u00e3o leitora<\/mark><\/mark><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ler em fam\u00edlia pode ser uma potente ferramenta para a forma\u00e7\u00e3o leitora segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que aponta as m\u00e3es como maiores formadoras de leitores. Al\u00e9m disso, para Teresa Colomer (2007), da Universidade Aberta de Barcelona, Espanha, a leitura \u00e9 um aprendizado social e afetivo e ler junto \u00e9 a base da&nbsp;<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/beneficios-da-leitura-muito-alem-de-aumento-de-vocabulario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">forma\u00e7\u00e3o de leitores<\/a>. A partir deste princ\u00edpio, ilustramos a pauta com o document\u00e1rio <em>Para cada pessoa, um livro<\/em> (2018), no qual quatro fam\u00edlias revelam os seus ritos de leitura, bem como os ganhos e obst\u00e1culos para cumpri-los.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Para cada pessoa, um livro\" width=\"810\" height=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NkWWCyWRSBs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No v\u00eddeo, as falas generosas das fam\u00edlias abra\u00e7am a vida real ao apontar a pressa e o cansa\u00e7o como os maiores impedimentos para a leitura em conjunto. No geral, em se tratando do cen\u00e1rio das grandes cidades brasileiras, os adultos possuem uma carga exacerbada de trabalho e re\u00fanem muitos esfor\u00e7os (f\u00edsicos e subjetivos) para atender as necessidades e os anseios das crian\u00e7as, por exemplo,&nbsp;<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/historias-infantis-para-dormir\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ler em fam\u00edlia antes de dormir<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As cenas tamb\u00e9m revelam os&nbsp;<a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/pais-contam-como-a-leitura-estreitou-lacos-e-criou-uma-nova-dinamica-com-seus-filhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ganhos do h\u00e1bito de ler junto<\/a>, como no momento em que Ol\u00edvia e seu pai Levi dialogam sobre uma determinada personagem de um livro e ensaiam as muitas conversas que est\u00e3o por vir a partir da curiosidade da pequena, bem como j\u00e1 atuam, pai e filha, no fortalecimento do la\u00e7o afetivo que existe entre os dois. Frente a frente, exercitam toler\u00e2ncia, di\u00e1logo e cuidado, por meio do objeto livro e da leitura compartilhada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ler em fam\u00edlia \u00e9 aconchegante. Por vezes, \u00e9 um elemento do ritual noturno de dormir, no sof\u00e1 ap\u00f3s o almo\u00e7o, na varanda da vov\u00f3 ou na rede pregui\u00e7osa de domingo. As pessoas se aproximam. Trocam sorrisos, olhares. Dessa forma, desde muito pequenas, as crian\u00e7as ensaiam gestos de cumplicidade, confian\u00e7a, at\u00e9 mesmo por meio de uma troca de olhares. O afeto se constr\u00f3i tamb\u00e9m pelo n\u00e3o dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prop\u00f3sito, quando o di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, por algum motivo, os livros podem ser um bom recurso \u00e0s fam\u00edlias. Assuntos mais delicados para crian\u00e7as e jovens \u2014 como div\u00f3rcio, medo, viol\u00eancia \u2014 podem vir \u00e0 tona em belas met\u00e1foras, incrivelmente apresentadas pelos artistas das palavras e das imagens em livros ilustrados. Celso Gutfreind (2010, p. 99) nos coloca que \u201c[&#8230;] no espa\u00e7o da fantasia, podemos nos recolher sempre que a realidade estiver intoler\u00e1vel\u201d. Da\u00ed, a gente necessitar de arte e n\u00e3o suportar o real o tempo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A leitura compartilhada em fam\u00edlia pode ser um rico momento de trocas afetivas. Diversos sentimentos s\u00e3o trabalhados entre adultos, crian\u00e7as e jovens quando se destina tempo a essa experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Refer\u00eancias<\/mark><\/mark><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ANDRUETTO, Mar\u00eda Teresa. <em>Por uma literatura sem adjetivos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Pulo do Gato: 2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COLOMER, Teresa. <em>Andar entre Livros<\/em>. S\u00e3o Paulo. Global. 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FREUD, Sigmund (1908).&nbsp; <em>Arte, literatura e os artistas<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GUTFREIND, Celso. <em>A inf\u00e2ncia atrav\u00e9s do espelho<\/em>: a crian\u00e7a no adulto, a literatura na psican\u00e1lise. Porto Alegre: Artmed, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">__________. <em>Narrar, ser m\u00e3e, ser pai<\/em>. Porto Alegre: Artmed, 2010.<\/p>\n\n\n\n<div id=\"wisepops-embed-container-clube\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ler em fam\u00edlia pode ser enriquecedor, contudo, o Quindim sabe que a correria do dia a dia pode dificultar a cria\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito da leitura.<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":12582,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[514,505,507,508],"tags":[],"class_list":["post-12578","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao-familia","category-familia","category-maternidade","category-paternidade"],"acf":{"posts_relacionados":[24651,28885,28924]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12578","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12578\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28924"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28885"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24651"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}