{"id":10661,"date":"2020-08-26T12:45:39","date_gmt":"2020-08-26T15:45:39","guid":{"rendered":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/?p=10661"},"modified":"2021-11-26T10:16:22","modified_gmt":"2021-11-26T13:16:22","slug":"importancia-da-leitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/importancia-da-leitura\/","title":{"rendered":"Import\u00e2ncia da leitura: Nilma Lacerda, curadora do Clube Quindim, fala sobre o tema"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Nilma Lacerda fala sobre a import\u00e2ncia da leitura<\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nilma Lacerda \u00e9 professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Literatura Infantojuvenil da UFF. Doutora em Letras pela UFRJ, com p\u00f3s-doutorado em Hist\u00f3ria Cultural pela \u00c9cole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, pesquisa leitura e escrita, literatura infantil e juvenil e cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Recebeu muitos pr\u00eamios, como os da CBL e da FNLIJ. Faz parte da Lista de Honra do International Board on Books for Young People. Nilma tamb\u00e9m \u00e9 curadora do <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Clube Quindim<\/a> e conta um pouco aqui sobre a import\u00e2ncia da leitura.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"subtituloh2 wp-block-heading\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">Termo de posse<\/span><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha m\u00e3e teve pouco tempo de escola, nenhum acesso a livros. Hist\u00f3ria comum na primeira metade do s\u00e9culo XX entre fam\u00edlias de imigrantes. J\u00e1 meu pai usufruiu de educa\u00e7\u00e3o esmerada para a \u00e9poca. O projeto familiar de mulher analfabeta, tamb\u00e9m imigrante, e de um pequeno empres\u00e1rio passava pela educa\u00e7\u00e3o dos filhos homens. A menina, n\u00e3o. Ficava em casa ajudando a m\u00e3e nos servi\u00e7os dom\u00e9sticos, cria\u00e7\u00e3o de aves que colaboravam para manter um irm\u00e3o no col\u00e9gio S\u00e3o Bento, outro no Pedro II, ambos encaminhados mais tarde \u00e0 Universidade do Brasil. Doutores. A mo\u00e7a, em casa, nervosa, \u00e0 espera de marido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O casal formado por meu pai e minha m\u00e3e projetou uma fam\u00edlia escolarizada. Tiveram cinco filhos e todos chegaram \u00e0 universidade. Tr\u00eas meninas, dois meninos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A crian\u00e7a que n\u00e3o teve acesso a livros, quando mo\u00e7a, foi trabalhar em uma livraria. N\u00e3o como vendedora que precisasse conhecer livros para vend\u00ea-los bem, mas como caixa. Funcion\u00e1ria devotada, ganhou a amizade do livreiro, o senhor Briguiet. Sobrinho-neto do editor de Machado de Assis, vieram da livraria dele os primeiros livros que tive \u2013 obras liter\u00e1rias em edi\u00e7\u00f5es para a inf\u00e2ncia, comp\u00eandios extras para estudar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o tendo alcan\u00e7ado o livro como bem f\u00edsico, minha m\u00e3e p\u00f4de reconhecer o bem simb\u00f3lico e desejar pass\u00e1-lo em heran\u00e7a. Fez de mim uma herdeira da vida que visitou em desejo. Ao me ver professora, escritora e aluna de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, espantou-se do bem-sucedida que fora, assustou-se com o que isso representava: liberdade de pensamento, autonomia cr\u00edtica. Tudo o que me permitiu amealhar a experi\u00eancia que me alimenta e alimentou minhas alunas e meus alunos por mais de 50 anos e, como cientista, aquilatar o valor do caderno que deixou \u2013 <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/10-poemas-para-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">poemas<\/a> transcritos por amigos, amigas, admiradores, com as dedicat\u00f3rias usuais de apre\u00e7o e admira\u00e7\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/10-poemas-para-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">10 poemas para crian\u00e7as amarem poesia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao tomar esse caderno, comprovei que ela sabia bastante bem o que eram <em>bens de leitura<\/em>, conceito com que trabalho h\u00e1 muito tempo, em v\u00e1rios trabalhos acad\u00eamicos. Os bens de leitura s\u00f3 podem ser partilhados em rede, isto \u00e9, em grupos que t\u00eam a leitura como pr\u00e1tica social. O historiador Jean H\u00e9brard, em c\u00e9lebre estudo, deixa isso muito claro. Ningu\u00e9m se torna leitor sozinho, por mais inteligente que um indiv\u00edduo seja. \u00c9 preciso que o livro circule por uma fam\u00edlia, um grupo de amigos, uma igreja, uma comunidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O escritor Graciliano Ramos, nascido no Nordeste brasileiro no final do s\u00e9culo XIX, narra em suas mem\u00f3rias como um livro de fic\u00e7\u00e3o transformou a vida dele. Um livro que o pai tinha em casa e levou-o a ler, a princ\u00edpio orientando-o, mas logo deixando-o sozinho. Aflito, precisando terminar a leitura e n\u00e3o tendo ainda compet\u00eancia para isso, pediu ajuda \u00e0 prima. Em\u00edlia mostrou ao menino que ele podia identificar os sinais na p\u00e1gina, diante dos olhos dele, assim como os astr\u00f4nomos faziam com as estrelas no c\u00e9u. Graciliano acata a sugest\u00e3o e consegue, finalmente, terminar sua alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro e a palavra como valor. Oral ou escrita, pois todos come\u00e7amos a usar a palavra em sua dimens\u00e3o oral. A escrita \u00e9 um passo bem posterior. Ler hist\u00f3rias \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o da palavra, da cultura humana. Parte de um patrim\u00f4nio milenar, as narrativas tradicionais est\u00e3o repletas dos modos de viver atrav\u00e9s dos tempos, de li\u00e7\u00f5es sobre aquilo que nos faz humanos ou desumanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contar essas e outras hist\u00f3rias \u00e9 \u2013 al\u00e9m de um ato de afeto \u2013 um ato profundamente pol\u00edtico, isto \u00e9, da <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/criancas-espaco-publico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vida na cidade<\/a>. Por meio delas, o ser humano sabe-se em intera\u00e7\u00e3o com os semelhantes e com a vida em todas as suas inst\u00e2ncias, em uma dimens\u00e3o planet\u00e1ria. Ao ouvi-las ou l\u00ea-las, a crian\u00e7a ou o jovem se apercebe de que \u00e9 herdeiro de uma comunidade humana, com tudo o que isso implica. \u201cVoc\u00ea tem direito a esses bens constru\u00eddos ao longo do tempo pela humanidade\u201d \u00e9 o que dizemos \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens, no ato de contar hist\u00f3rias, <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/clube-de-assinatura-infantil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">oferecer livros<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As crian\u00e7as intuem que aquelas palavras que se repetem num mesmo enredo, com as mesmas personagens, foram tomadas emprestadas pelo pai, pela m\u00e3e ou outro adulto de algum lugar que n\u00e3o conhecem, de um tempo que n\u00e3o sabem qual, mas que cont\u00eam coisas boas. Quando as palavras v\u00eam dos livros, e as crian\u00e7as identificam isso, mesmo as bem pequenas, h\u00e1 um continente palp\u00e1vel, um lugar onde encontr\u00e1-las de novo, sempre que se desejar. O bem \u00e9 da mesma qualidade, o grau de apropria\u00e7\u00e3o diferente. Contudo, uma hist\u00f3ria, lida ou contada de cor, carrega emo\u00e7\u00f5es que permitem ao receptor avan\u00e7ar, retroceder, parar, encontrar-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ouvinte ou a ouvinte vai em busca de algo que \u00e9 desafio. Retrocede para revisar ou buscar ref\u00fagio, para de <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/medo-na-infancia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">medo e ang\u00fastia<\/a>, encontra a si mesmo como algu\u00e9m que atravessou a experi\u00eancia ao lado do personagem.&nbsp; Como o pequeno Sartre fez no momento em que a m\u00e3e dele acabou de ler <em>As Fadas<\/em>, pode tamb\u00e9m tomar possessivamente para si o livro de onde saiu toda aquela aventura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha primeira filha nasceu, encontrou a voz leitora de hist\u00f3rias e a pequena biblioteca j\u00e1 formada para ela. Havia, \u00e9 claro, a biblioteca familiar, de que se apropriaria tamb\u00e9m \u00e0 \u00e9poca devida. Assim foi com a segunda, a terceira. Todas tiveram narrativas e livros, durante a inf\u00e2ncia, a juventude. A \u00faltima vez que li hist\u00f3rias para a filha mais jovem ela estava com 23 anos.&nbsp;<em>A viagem de Teo<\/em>, me lembro bem. E guardo com grande carinho um cart\u00e3o de Dia das M\u00e3es que agradece \u00e0 m\u00e3e que lia hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chegou a primeira neta, encontrou voz leitora e livros, que v\u00e3o virando biblioteca. Livros presenteados com frequ\u00eancia, livros emprestados, associa\u00e7\u00e3o a <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/clube-de-assinatura-infantil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clubes de leitura<\/a>. Assim tamb\u00e9m com os outros netos, Natan e J\u00falia, que chegaram h\u00e1 pouco. Ao preencher o Di\u00e1rio do Leitor do <a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Clube Quindim<\/a>, Natan reconhece que \u00e9 herdeiro de um bem simb\u00f3lico. E vem, alegre, tomar posse do que a ele \u00e9 devido.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns bloco-cta has-background is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"background-color:#fdb813\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/quindim.com.br\/\"><img decoding=\"async\" width=\"434\" height=\"195\" src=\"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/call01.png\" alt=\"Assine o Clube Quindim\" class=\"wp-image-9392\" title=\"\"><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column bloco-cta-direita is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center titulo-cta wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#f27059\" class=\"has-inline-color\">APROVEITE ESTE MOMENTO PARA INCENTIVAR A LEITURA!<\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-100 botao-cta is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/quindim.com.br\/?utm_source=blog+nilma+lacerda&amp;utm_medium=blog+nilma+lacerda&amp;utm_campaign=nilma+lacerda+blog&amp;utm_id=blog+nilma+lacerda\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><span style=\"color:#e3e2e2\" class=\"has-inline-color\">ASSINE O CLUBE QUINDIM E RECEBA OS MELHORES LIVROS INFANTIS!<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A curadora do Clube de Leitura Quindim, Nilma Lacerda, escreve sobre a import\u00e2ncia da leitura e sobre os bens de leitura.<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":10742,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_mbp_gutenberg_autopost":false,"footnotes":""},"categories":[4,502,509,499],"tags":[],"class_list":["post-10661","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-alfabetizacao","category-cultura","category-literatura-infantil"],"acf":{"posts_relacionados":[22825,22127,12205]},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10661"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10661\/revisions"}],"acf:post":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12205"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22127"},{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22825"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10742"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quindim.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}