OS MELHORES POEMAS DE MANUEL BANDEIRA PARA CRIANÇAS

VIDA E OBRA DO AUTOR

Manuel Bandeira  nasceu no dia em 19 de outubro de 1886 no Recife, Pernambuco.

Seu primeiro livro, A cinza das horas, foi lançado em 1917

Desde os 18 anos convivia com a tuberculose crônica, doença que era considerada fatal  na época

VIDA E OBRA DO AUTOR

Apesar da enfermidade, o poeta devotou sua vida à escrita e zombava, da sua maneira, de seu diagnóstico

Ao transformar em versos tantas experiências e emoções de seu cotidiano, o autor conseguiu atingir como poucos os corações e mentes de uma ampla gama  de leitores

O lirismo e a leveza de muitos dos poemas de Manuel Bandeira estão vincados a sua infância vivida à solta pelos recantos recifense

OS SAPOS

Enfunando os papos, Saem da penumbra, Aos pulos, os sapos. A luz os deslumbra. Em ronco que aterra, Berra o sapo-boi: – “Meu pai foi à guerra!” – “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”. O sapo-tanoeiro, Parnasiano aguado, Diz: – “Meu cancioneiro É bem martelado.” Vede como primo Em comer os hiatos! Que arte! E nunca rimo Os termos cognatos. O meu verso é bom Frumento sem joio.

Faço rimas com Consoantes de apoio. Vai por cinquenta ano Que lhes dei a norma: Reduzi sem dano A fôrmas a forma. Clame a saparia Em críticas céticas: Não há mais poesia, Mas há artes poéticas…” Em ronco que aterra, Urra o sapo-boi: – “Meu pai foi rei!” – “Foi!” – “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”. Brada em um assomo O sapo-tanoeiro: – A grande arte é como Lavor de joalheiro. Ou bem de estatuário. Tudo quanto é belo, Tudo quanto é vário, Canta no martelo”. Outros, sapos-pipa (Um mal em si cabe),

Falam pelas tripas, –”Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”. Longe dessa grita, Lá onde mais densa A noite infinita Veste a sombra imensa; Lá, fugido ao mundo, Sem glória, sem fé, No perau profundo E solitário, é Que soluças tu, Transido de frio, Sapo-cururu Da beira do rio…

A natureza ocupa lugar de destaque em muitos dos versos de Manuel Bandeira. Plantas e bichos, com suas cores variadas e movimentos harmoniosos, entram e saem das criações do poeta, no ritmo intenso de seus poemas, sonetos e baladas.

MENINOS CARVOEIROS

Os meninos carvoeiros Passam a caminho da cidade. – Eh! carvoero! E vão tocando os animais com um relho enorme. Os burros são magrinhos e velhos. Cada um leva seis sacos de carvão de lenha. A aniagem é toda remendada. Os carvões caem. (Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)

– Eh! carvoero! Só mesmo estas crianças raquítica Vão bem com estes burrinhos descadeirados. A madrugada ingênua parece feita para eles… Pequenina, ingênua miséria! Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis! – Eh! carvoero! Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado, Encarapitados nas alimárias, Apostando corrida, Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados!

TREM DE FERRO

Café com pão Café com pão Café com pão Virge Maria que foi isto maquinista? Agora sim Café com pão Agora sim Voa, fumaça Corre, cerca Ai seu foguista Bota fogo Na fornalha Que eu preciso Muita força Muita força Muita força

Oô… Foge, bicho Foge, povo Passa ponte Passa poste Passa pasto Passa boi Passa boiada Passa galho De ingazeira Debruçada No riacho Que vontade De cantar! Oô… Quando me prendero No canaviá Cada pé de cana Era um oficiá Oô… Menina bonita Do vestido verde Me dá tua boca Pra matá minha sede

Oô… Vou mimbora vou mimbora Não gosto daqui Nasci no Sertão Sou de Ouricuri Oô… Vou depressa Vou correndo Vou na toda Que só levo Pouca gente Pouca gente Pouca gente

Muitas vezes, Bandeira recorria à sonoridade das palavras e à fala popular, algo muito comum entre os poetas da moderna literatura brasileira.

PORQUINHO-DA-ÍNDIA

Quando eu tinha seis anos Ganhei um porquinho-da-índia. Que dor de coração eu tinha Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão! Levava ele pra sala Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos,

Ele não se importava: Queria era estar debaixo do fogão. Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas… — O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

O humor é outro traço de muitas das criações  de Manuel Bandeira que cativaria desde sempre as crianças.

ANDORINHA

Andorinha lá fora está dizendo: – “Passei o dia à toa, à toa!” Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste! Passei a vida à toa, à toa…